Maioria da bancada goiana na Câmara é desconhecida do eleitor
Muitas pessoas criticam a atual bancada goiana de deputados federais, qualificando-os como “meros despachantes de emendas parlamentares”. Algumas observações são pertinentes, mas existem exceções. As excelências que dão publicidade ou vocalizam seu trabalho aparecem mais e levam vantagem quando as pesquisas indagam os eleitores, afinal, quem “não é visto [e noticiado] não será lembrado”. Entre os exemplos que sabem comunicar seu trabalho, encontram-se os deputados federais José Nelto (União Brasil), Adriano [do Baldy] Avelar (PP), Glaustin da Fokus (Podemos), Flávia Morais (por enquanto no PDT), Gustavo Gayer (PL) e o petista Rubens Otoni. Os demais têm poucas aparições em redes sociais ou na mídia tradicional.
Entretanto, todos entregam emendas parlamentares aos seus municípios-base. A exceção fica com Gustavo Gayer, que não tem uma base eleitoral física e prefere investir na comunicação digital. Não à toa que ele está entre os deputados federais mais conhecidos do País, mas ninguém sabe onde ele “assentou um tijolo” com emendas parlamentares. Pode ser uma boa estratégia para afastar eleitores que não perdem a oportunidade de pedir algo. Na contramão desse modelo de comunicação com o cidadão-eleitor, com a proximidade da eleição, o bloco dos “sumidos” do noticiário começa a postar fotos e vídeos nas redes sociais. Ora em eventos de inauguração de alguma obra que teve emenda parlamentar de sua autoria ou em festas populares.
Pelo andar do processo eleitoral, haverá pouca dança das cadeiras na bancada federal goiana. O modelo de carrear emendas diretamente ao município cria um elo forte com o prefeito e dificilmente um “calouro” na política vai conseguir mudar a cabeça dessa liderança para apoiá-lo. Diante desse desafio, o cidadão-eleitor espera que os representantes na Câmara Federal mostrem que representam bem os seus votos.
Partidos focam nas nominatas
Está aberta a temporada de busca dos partidos para encontrar nomes com boa margem de votos e predisposição para aumentar o quociente eleitoral das legendas. Ao contrário das disputas anteriores, agora um partido precisa alcançar no mínimo 180 mil votos para eleger um deputado federal. Legendas como o União Progressista, MDB e PSD não terão dificuldade para eleger maior número de deputados, mas as outras correm risco de ficar fora da Câmara Federal.
Bruno favorito
Goste-se ou não do estilo ousado do deputado estadual e presidente da Alego, Bruno Peixoto (por enquanto no União Brasil), mas não tem como negar sua capacidade de trabalho. Ele tem sido a figura central na montagem de nomes para concorrer a deputados estaduais e federais na Federação Solidariedade e PRD. Por conta dessa obstinada busca para ampliar sua liderança, pode chegar à Câmara Federal sentado na poltrona da janela.
Recado de Fachin
No discurso de abertura dos trabalhos do judiciário, o ministro e presidente do STF, Edson Fachin, se rende ao equilíbrio dos poderes: “Em termos mais amplos, o desafio é reconhecer o protagonismo do sistema político nas funções que são dele. Saber induzir, pelo exemplo e pela decisão, a melhoria das instituições. Saber ser forte o suficiente para não precisar fazer tudo”. A conferir.
Bolsa Família aqui
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), cumpre agenda em Goiânia nesta quinta-feira (5). Ele participa de debate sobre a importância do Bolsa Família como instrumento de inserção social e qualidade de vida. A vinda do ministro foi articulada pelo professor, fundador do PT e da CUT, Delúbio Soares, que também busca uma vaga na Câmara Federal pelo PT de Goiás.
Olha eu aqui
Ao defender a “morte política” de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidenciável Renan Santos (Missão) tenta sair do ostracismo político criando uma polêmica atrás da outra. Sem recursos financeiros e partido capilarizado, a estratégia é apostar no conflito para se manter em cena.
Ladeira abaixo
A ida de Ronaldo Caiado, de Goiás, e Marcos Rocha, de Rondônia, para o PSD demonstra a fragilidade do comando do União Brasil, ainda mais após a federação com o PP. Enquanto Kassab amplia espaço seduzindo quadros insatisfeitos, Antônio Rueda vê seu partido perder espaço político.
Futuro incerto – Parlamentares experientes avaliam que, se o presidente Lula for reeleito, a polarização vai continuar acirrada e, caso os bolsonaristas ampliem sua bancada no Congresso, o futuro será incerto e nem o STF conseguirá ajudar Lula a governar.