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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Maioria dos partidos deve desaparecer a partir de 2030

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 31 de dezembro de 2025
partidos
Ilustração: Takeshi Gondo

A partir desta sexta-feira (2), primeiro dia útil de 2026, começa a contagem regressiva para o dia 4 de outubro, quando mais de 150 milhões de eleitores estarão prontos para escolher seus representantes nos Legislativos estaduais, governadores, Congresso Nacional e presidente da República. No entanto, para o pretendente conquistar corações e mentes do cidadão-eleitor, terá que percorrer um longo caminho. Isto porque, a cada eleição, a cláusula de barreira, criada pela Emenda Constitucional (EC) 97/2017, aperta o cerco sobre os partidos políticos que usam a legenda só para negociatas.

O torniquete tem surtido efeito e, em 2022, apenas 12 partidos conseguiram eleger um número suficiente de deputados federais para ter acesso ao fundo partidário, tempo de rádio e TV. Siglas como PSC, Pros, PPL, PHS, dentre outras, ficaram pelo caminho. Agora em 2026, a exigência aumenta. Será preciso obter 2,5% dos votos válidos nacionais, distribuídos em ao menos nove Estados, com mínimo de 1,5% em cada um, ou eleger 13 deputados federais em nove Estados. O resultado tende a ser um enxugamento inédito do quadro partidário.

Para o advogado eleitoralista Felipe Neiva, até partidos médios que insistirem em disputar sozinhos correm risco real de desaparecer. A tendência é que, até 2030, a política brasileira seja dominada por cerca de cinco grandes partidos ou federações. No campo da esquerda, o PT seguirá hegemônico, avançando sobre legendas do mesmo campo como PSol, Rede, PSB e PDT, movimento já visto com o PCdoB e o PV. À direita, mesmo com Jair Bolsonaro preso, o PL deve se consolidar como principal partido, atraindo quadros de siglas menores do mesmo campo como PRTB, DC e Novo.

MDB e PSD vão continuar no centro
O MDB vai continuar sua saga pós-Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, candidatos a presidente pela legenda antes de Henrique Meirelles e Simone Tebet. Quase sempre, a sigla é apenas coadjuvante na vaga de vice. Deve continuar nessa estratégia para sobreviver, afinal, conta com ativo político nos 5.569 municípios brasileiros. Quanto ao PSD de Gilberto Kassab, cresce ao atrair prefeitos e parlamentares de partidos em declínio, sobretudo do PSDB.

Centrão na área
No campo do Centrão, União Brasil, Progressistas e Republicanos se destacam. Herdeiros da antiga Arena, assumem hoje um perfil conservador e pragmático, ligado ao agronegócio e às igrejas evangélicas. União Brasil e Progressistas, inclusive, já estão em processo para formar uma federação. Enquanto o bolsonarismo assume um papel mais extremado e orgânico, o Centrão continua com o DNA fisiológico do “muda-se o governo, menos nós”.

A meta do PL
Falando em cláusula de barreira, o PL mira eleger 115 deputados federais em 2026, meta ambiciosa que exigirá do senador Wilder Morais, pré-candidato ao Governo de Goiás, a montagem de uma nominata que ao menos repita o desempenho de 2022, elegendo quatro parlamentares.

Marconi desacelera
Calma, gente! O ex-governador Marconi Perillo (PSDB), pré-candidato a desalojar o grupo de Ronaldo Caiado (União Brasil) do Palácio das Esmeraldas, viajou com a família para descansar e desacelerar a agenda. Daqui a duas semanas ele está de volta e tem uma extensa agenda de visitas.

Daniel atento
Outro que não desgruda o olhar sobre os movimentos dos adversários é o vice-governador Daniel Vilela (MDB). A coluna apurou que na próxima semana Daniel deve despachar de seu gabinete. A conferir.

Pai e filho
O PSD espera que o apresentador Ratinho tenha papel central numa eventual campanha presidencial do filho, Ratinho Júnior (PSD). O partido já rodou uma pesquisa no Nordeste e identificou que a associação com o pai amplia a simpatia do eleitor pelo governador. Com mais de três décadas de carreira, Ratinho construiu vínculo direto e emocional com o público das classes C, D e E.

Os desaparecidos – O escândalo envolvendo o Banco Master e as figuras mais influentes da era PT conseguiu tirar de cena duas importantes lideranças do Centrão: o presidente da federação União Progressista, Ciro Nogueira, e o do União Brasil, Antônio Rueda.

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