terça-feira, 11 de agosto de 2026

Marconi caminha para ser a estrela dos próximos debates

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em
Marconi

Em uma partida de xadrez, a abertura raramente decide a partida, mas revela a estratégia de quem está sentado ao tabuleiro. Foi isso que aconteceu no primeiro debate ao governo de Goiás, promovido pela TV Sucesso Band no domingo (9). Com apenas uma peça movida, já foi possível ver o roteiro do jogo. Apesar da pouca idade, Daniel Vilela (MDB) já mostrou que de bobo não tem nada. Sabe que à frente do governo seria vidraça — e os demais concorrentes, crianças com pedras nas mãos. Nada mais inteligente, portanto, do que não aparecer. No entanto, precisará justificar bem ao eleitor essa ausência. Ainda que a resposta seja boa, dificilmente convencerá seu adversário, Marconi Perillo (PSDB), que de longe demonstrou ser o mais aguerrido com a falta do governador no debate.

Sem uma coligação robusta, o tucano não terá tempo de rádio e TV, e por isso espera que os embates lhe garantam o espaço que falta para polarizar com Daniel. Após enfrentar pesos pesados, como os ex-governadores Iris Rezende (1933-2021) e Maguito Vilela (1949-2021), Marconi tem a convicção de que conhece o estado e seus problemas como poucos. Essa experiência e sua capacidade para abordar a complexidade da gestão pública, ele pode ser a estrela dos próximos debates políticos.

No bolsonarismo, a avaliação é que Wilder Morais (PL) começou bem, mas se perdeu por conta do nervosismo. Falou mais sobre sua biografia do que propostas. Outroa falha foi não citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), patrocinador dos votos bolsonaristas. O “esquecimento” talvez se explique pelo nervosismo — algo que ele mesmo admitiu.

Luís César Bueno (PT). não apresentou propostas, preferiu focar nas “maravilhas” que o presidente Lula fez e faz pelo país, em especial Goiás. Ficou evidente que o papel de Luís César é fazer campanha para Lula e não disputar o governo goiano. Essa apatia pela disputa estadual, não surpreende. Tem lógica, afinal, com baixíssimas expectativas de poder, resta a a Luís César a árdua missão de servir de palanque a Lula em um estado majoritariamente antipetista, na tentativa de encurtar, nem que seja um pouco, a distância do bolsonarismo.

Gayer e o bolsonarismo paralelo

Gustavo Gayer (PL) tem colhido reclamações da ala mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em vez de fechar apoio a nomes tradicionalmente identificados com o grupo, como Fred Rodrigues (PL) e o major Vitor Hugo (PL), o deputado federal tem feito pré-campanha ao lado de Magda Mofatto (PL) e Ismael Alexandrino (PSD). Alguns bolsonaristas raiz avaliam que, se Wilder não conquistar o segundo turno, Gayer vai apoiar Daniel Vilela (MDB), principalmente se não conseguir ser eleito senador.

Lembrar doí

Magda Moffato (PL) deu parecer favorável à prisão de Daniel Silveira (PL-RJ), Ismael Alexandrino pertence ao PSD, legenda contra a qual o próprio Gayer liderou uma campanha nacional de boicote, por ter o PSD apoiado Alexandre de Moraes. Resta saber como o deputado explicará as viradas aos eleitores do discurso antiestablishment que ajudou a construir.

Alô Kassab!

Até agora, a campanha de Ronaldo Caiado (PSD) não viu a cor do dinheiro prometido pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab (PSD). Enquanto Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e até Renan Santos (Missão) já exibem seus jingles com videoclipes, o ex-governador segue sem material visual, em uma campanha quase franciscana.

Mendanha, o cara!

O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD) caminha para ser o fenômeno dessa eleição geral. Mesmo que não seja eleito, ele já pode ser chamado de “o cara”, pela sua ascensão rápida na corrida para o Senado. Se ele continuar nesse ritmo, logo, logo, vai deixar os concorrentes com insônia. Em menos de 30 dias, Mendanha saiu do zero e ameaça o segundo voto da base de Daniel Vilela (MDB).

“Legado” de Daniel – Daniel Vilela voltou a recorrer aos legados de Iris Rezende, Maguito Vilela e Ronaldo Caiado para sustentar seu discurso. O problema é que isto deixa Daniel ancorado só na força dos aliados.

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