Massa de rendimentos recua, com baixa para salários reais
O total de pessoas ocupadas em toda a economia no segundo trimestre deste ano atingiu seu nível mais elevado desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a fase mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), em 2012. Depois de um recuo nos meses iniciais do ano, quando 1,043 milhão de vagas foram perdidas entre novembro do ano passado e março deste ano, a economia retomou as contratações a partir do trimestre finalizado em abril. Como consequência, na saída do primeiro para o segundo trimestre deste ano, o número de ocupados elevou-se para 103,057 milhões, correspondendo à abertura de 1,081 milhão de vagas no período, numa variação de 1,1%.
Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, quando a pesquisa havia identificado 102,316 milhões de trabalhadores com alguma ocupação, houve uma elevação de 0,7%, correspondente à contratação de 742,0 mil pessoas. No mesmo período do ano passado, comparado ao segundo trimestre de 2024, a ocupação havia experimentado crescimento de 2,3%. A desaceleração talvez tenha aberto brecha para a queda de 1,5% no rendimento médio real, que recuou de R$ 3.795 nos três primeiros meses deste ano para R$ 3.738 no trimestre seguinte. Como resultado, a massa total de rendimentos, igualmente a valores atualizados pela inflação corrente, experimentou leve recuo de 0,5% no mesmo período, baixando de R$ 382,141 bilhões para R$ 380,309 bilhões, gerando uma perda de R$ 1,832 bilhão para os trabalhadores e suas famílias, mesmo diante de um avanço de 1,1% no número total de ocupados.
Perda de intensidade
A comparação com o segundo trimestre do ano passado parece confirmar a tendência de algum resfriamento. O rendimento médio, por exemplo, havia crescido 3,9% entre o segundo trimestre de 2024 e igual período do ano seguinte, quando anotou variação real de 2,8% diante do trimestre encerrado em março de 2025. A massa total de rendimentos, da mesma forma, chegou a aumentar 6,5% em 2025, velocidade reduzida para 3,6% no segundo trimestre deste ano. Esse movimento, em algum ponto, tenderá a influir nas decisões de consumo das famílias, afetadas ainda pelos níveis elevados de endividamento e inadimplência, sobre pressão de custos financeiros escorchantes.
Balanço
O mercado de trabalho nitidamente perdeu ritmo mais recentemente, refletindo algum desaquecimento da atividade econômica e, alternativamente, uma redução do número de trabalhadores a procura de uma ocupação – já que o total de trabalhadores subutilizados por insuficiência de horas trabalhadas ou desocupadas e ainda fora do mercado, mas disponíveis para trabalhar, caiu ao seu menor número em toda a série no trimestre abril a junho deste ano.
O número de trabalhadores naquela situação encolheu de 16,468 milhões no segundo trimestre do ano passado para 14,659 milhões no mesmo intervalo deste ano, correspondendo a 1,809 milhão a menos, num tombo de 11,0%. A taxa composta de subutilização, que considera desempregados, subempregados e aqueles afastados do mercado de trabalho, mas ainda dispostos a trabalhar, caiu de 14,4% para 12,9% – da mesma forma, a menor taxa na série histórica da PNADC.
Ainda assim, parece um número relativamente elevado a se considerar uma economia de nível mediano de desenvolvimento. Mas, para os padrões brasileiros, o indicador ficou muito abaixo das médias registradas em anos anteriores, excluídos os anos de pandemia e recessão. Entre 2012 e 2014, por exemplo, a taxa composta de subocupação havia alcançado, na média, praticamente 16,5%, recuando levemente para pouco menos de 16,0% entre 2023 e 2026 (já incluindo as bases mais reduzidas observadas neste ano).
Naquela comparação, portanto, o indicador registrado pela pesquisa no segundo trimestre deste ano estaria pouco mais de três pontos percentuais abaixo das médias. Esse movimento pode, de alguma forma, explicar o esfriamento no ritmo das contratações, já que há menos trabalhadores disponíveis e em busca de uma colocação. A redução do rendimento real médio, no entanto, veio um tanto na contramão daquela tendência, o que demandará novos dados e análises mais aprofundadas para além dos dados trazidos pela PNADC.
Os demais indicadores trazidos pela pesquisa, de toda maneira, continuam muito positivos. A taxa de desemprego foi a mais baixa para um segundo trimestre desde o começo da PNADC, atingindo 5,4% (a menor de toda a séria havia sido anotada no quarto trimestre de 2025, mais próxima de 5,1%). O total de trabalhadores desocupados foi o quarto menor nas medições mensais da pesquisa, caindo de 6,579 milhões no primeiro trimestre deste ano para 5,861 milhões – quer dizer, 718,0 mil a menos, numa redução de 10,9%. Em 12 meses, houve baixa de 6,3% (significando 392,0 mil a menos), acrescentando que a queda no segundo trimestre do ano passado havia sido de 10,5%.
Desta vez, os empregos informais cresceram menos do que aqueles “formais” na passagem do segundo para o terceiro trimestre – muito embora tenham mantido sustentado o crescimento acumulado em 12 meses. As ocupações informais, portanto, saíram de 38,048 milhões ao final do segundo trimestre para 38,579 milhões em junho, em alta de 1,3% (perto de 495,0 mil a mais, respondendo por 45,8% do avanço anotado pelo total de ocupados). Mas houve discreta baixa frente a junho do ano passado, algo como 0,4% a menos, com fechamento de 139,0 mil vagas no setor informal.
Entre as ocupações “formais”, os dados estimados pela coluna indicam virtual estabilidade entre os trimestres encerados em março e em junho, com o total passando de 60,786 milhões para 60,974 milhões (mais 0,3% ou 188,0 mil vagas adicionais). Em relação ao segundo trimestre do ano passado, no entanto, foram abertas mais 620,0 mil vagas “formais” considerando um total de 60,354 milhões no trimestre abril-junho de 2025.
Numa nota final, para relembrar, a estimativa para os trabalhadores formais exclui empregados sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores ambos sem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), assim como desconsidera o contingente de trabalhadores no setor público sem carteira.
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