Mercado desconsidera baixa da inflação e pressiona Banco Central
Bastou a divulgação ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março para que o mercado financeiro retomasse as pressões para que o Banco Central (BC) reduza o ritmo já bastante acanhado de queda da taxa básica de juros. Na visão do setor, como a taxa do IPCA-15 deste mês veio acima das projeções alimentadas pelo próprio mercado, o próximo corte deveria ser ainda menor do que aqueles 0,25 pontos anunciados em 18 de março, com os juros recuando de 15,0% para 14,75% ao ano – e indicando uma taxa real acumulada em 12 meses próxima de 10,4%.
A inflação medida entre os dias 13 de fevereiro e 17 de março alcançou 0,44% diante de alguma coisa entre 0,25% e 0,29% esperados pelos agentes financeiros e seus consultores muito bem pagos, que trabalhavam com a perspectiva de altas menos intensas para a alimentação dentro de casa e para passagens aéreas – um item de volatilidade notoriamente exacerbada e que nem sempre corresponde às expectativas. Na verdade, o IPCA-15 de março ficou 0,40 pontos percentuais abaixo do índice registrado nos 30 dias finalizados em 12 de fevereiro passado, quando o indicador havia registrado elevação de 0,84%, e recuou ainda 0,26 pontos frente à taxa de 0,70% acumulada nas quatro semanas do mês passado.
Numa comparação adicional, nas mesmas quatro semanas de março de 2025, o índice havia anotado alta de 0,64%, passando a acumular até ali uma variação de 5,26% em 12 meses. Agora, os preços mostram-se muito mais bem-comportados, levando o IPCA-15 para uma elevação de 3,90% em 12 meses, ou seja, 1,36 pontos percentuais abaixo do índice observado há um ano. Parece muito evidente que o indicador não chegou ainda a ser afetado pela escalada dos preços dos combustíveis, observada com maior intensidade a partir da segunda metade de março, mas já registrou alta mais intensa para o diesel, compensada por quedas nos preços da gasolina e do etanol.
“Surpresas”, na ótica rentista
Como “surpresas altistas”, conforme já registrado acima, analistas do mercado apontaram, nos textos distribuídos a clientes, avanços além do esperado para a alimentação em domicílio, que apresentou elevação de 1,10% frente a uma variação de 0,23% nas quatro semanas de fevereiro, e passagens aéreas, que subiram 5,94% na medição mais recente. Detalhe: as tarifas aéreas haviam experimentado salto de 11,40% em fevereiro. Registrou-se, portanto, uma redução de 5,46 pontos percentuais. Somados, aqueles dois itens foram responsáveis por 49,1% do IPCA-15 “cheio”. A expectativa de setores do mercado mirava uma variação de 0,78% para a alimentação em casa, em torno de 0,32 pontos percentuais abaixo da alta de fato observada, que acabou levando a inflação do grupo alimentos e bebidas para 0,88%. Mais uma vez, na primeira quinzena de março do ano passado, a inflação dos alimentos havia sido de 1,09%, quer dizer, praticamente 24% mais alta do que o índice mais atual.
Balanço