quinta-feira, 23 de julho de 2026

Michelle precisa descer das ‘nuvens’ e voltar ao jogo político

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 23 de julho de 2026 às 11:14
Michelle precisa descer das ‘nuvens’ e voltar ao jogo político
Ilustração: Takeshi Gondo

A indefinição da ex-primeira-dama do País, Michelle Bolsonaro, em confirmar sua pré-candidatura ao Senado tem provocado várias especulações. Para lideranças mais à esquerda, Michelle faz mistério porque as pesquisas mostram a senadora Leila Barros (PDT-DF) à sua frente na intenção de votos. Isto seria um desastre para o PL, que tem a ex-primeira-dama como puxadora de votos. Sem contar que a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) conta com a força de Michelle para elegê-la senadora com o segundo voto.

Os adversários de Michelle, entre eles alguns bolsonaristas raiz, reclamam que, ao elogiar programas sociais de Lula para atingir Flávio Bolsonaro, ela perdeu tração junto ao eleitorado conservador, principalmente dentro de seu ninho evangélico. Para piorar, suas postagens sobre as festas nada republicanas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de que o enteado Flávio teria participado, fizeram estragos. Mas, como ficou provado que Flávio à época estava no Brasil, Michelle passou a ser vista dentro bolsonarismo como uma ressentida.

Esses erros políticos abriram brechas para que a oposição, principalmente o PT, explorasse o caso. No entanto, Michelle se destaca como a principal aposta do PL no Distrito Federal para uma vaga no Senado. Isto porque a única chance que Bia Kicis tem para se eleger senadora com o segundo voto é Michelle liderar as pesquisas. Mas, para isso, terá que voltar a pisar no chão, descer das nuvens políticas e pensar no Flávio como aliado e adversário. Apoiadores mais devotos a Michelle garantem que ela quer ser valorizada dentro do partido. Em bom dialeto político: ser convidada para ocupar a primeira fila na cabeceira da mesa de decisões da campanha de Flávio.

Daniel Vilela mira vencer no 1º turno
Aliados próximos do governador Daniel Vilela (MDB), pré-candidato à reeleição, trabalham com afinco para repetir os passos do ex-governador Ronaldo Caiado, que venceu a eleição em 2018 logo no primeiro turno. O consenso no núcleo estratégico de Daniel faz cálculos de vitória no primeiro turno em cima das pesquisas de avaliação. “A partir da convenção em 5 de agosto, todas as lideranças vão às ruas com um objetivo: vencer no primeiro turno”, disse um deles à coluna.

Estou fora!
A primeira-dama de Senador Canedo, Simone Pellozo (Republicanos), engavetou a ideia de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Com a desistência, o Republicanos perde um de seus nomes mais competitivos, mas segue com um time de peso: Wellington Cardoso, apoiado pela Igreja Universal; a deputada Vivian Naves; e os ex-deputados Zé Antônio e Álvaro Guimarães.

Reciprocidade
Com o recuo de Simone Pellozo, o prefeito de Senador Canedo, Fernando Pellozo (União Brasil), deve direcionar seu apoio a Misael Oliveira (Novo). Em 2024, Oliveira renunciou a candidatura a prefeito para apoiar Pellozo e agora colhe os frutos daquela aliança, com o respaldo do chefe do Executivo local na corrida pela Alego.

Marussa enigmática
A deputada federal Marussa Boldrin (Republicanos) usou as redes para enviar um recado sem destinatário certo: “Não me incomodam discursos nem pré-candidaturas. Enquanto alguns vivem de fofoca, sigo o que sempre fiz: trabalho, prestação de contas e verdade”. Quem se incomodou, já sabe, a carapuça serviu.

Fim de uma era
Se perderem em outubro, essa deve ser a despedida de Ronaldo Caiado (PSD) e Marconi Perillo (PSDB) da política. Com os dois de saída, abre-se espaço para uma nova geração. Até aqui, Diego Sorgatto (União Brasil), Lucas do Vale (PSD), Márcio Corrêa (PL) e Gustavo Mendanha (PRD) despontam como nomes promissores ao governo em 2030.

Marconi sem pressa – Marconi Perillo (PSDB) avisou nesta quarta-feira (22), durante uma entrevista, que não vai se precipitar na escolha da sua chapa majoritária. Prefere esperar a próxima jogada de Daniel Vilela (MDB): “Você mexe no xadrez e o adversário mexe do lado de lá”.

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