sábado, 17 de outubro de 2026

Narrativa do medo é a nova arma do PT contra Flávio

Wilson Silvestrepor em
Narrativa do medo é a nova arma do PT contra Flávio
As oscilações, em geral, ainda estão dentro da margem de erro, mas a essa altura da campanha, qualquer ponto percentual é motivo de festa ou de velório Ilustração: Takeshi Gondo

Faltam apenas oito dias para o segundo turno e a maioria das pesquisas mais recentes mostra o mesmo movimento: Lula (PT) em alta, Flávio Bolsonaro (PL) em baixa

Faltam apenas oito dias para o segundo turno e a maioria das pesquisas mais recentes mostra o mesmo movimento: Lula (PT) em alta, Flávio Bolsonaro (PL) em baixa. As oscilações, em geral, ainda estão dentro da margem de erro, mas a essa altura da campanha, qualquer ponto percentual é motivo de festa ou de velório, pois não há espaço para erros, muito menos tempo para vacilos.

O que chama a atenção é que o crescimento do petista bate, quase decimal por decimal, com a queda de Flávio, ou seja, até aqui, Lula não avançou sobre os eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) ou Romeu Zema (Novo), mas indica que tem recuperado eleitores históricos, que, por alguma razão, votaram em Flávio e no PL no primeiro turno.

São eleitores, na grande maioria, das classes D e E, que migraram para Flávio no primeiro turno na esperança de pagar menos imposto e ter mais segurança, e que agora recuam diante do temor, cuidadosamente plantado pelo petismo, de perder benefícios sociais. A velha cartilha do PT, que derrotou José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (na época PSDB), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (na época PSB), agora é usada contra Flávio.

Para o eleitor mais escolarizado e informado, das classes A e B, essa narrativa não pega, pois eles sabem que esses programas existiam antes de Lula, resistiram à saída de Lula e não têm motivo para desaparecer com Flávio. No entanto, o eleitor que o petismo quer atingir é outro. São os três a cada 10 brasileiros classificados como analfabetos funcionais pelo Indicador de Alfabetismo Funcional, pois são incapazes de decodificar um texto ou um dado mais complexo, portanto, reféns fáceis de qualquer narrativa bem contada. A campanha de Flávio precisa contrapor essa ofensiva petista, pois se esperar senso crítico da maioria dos eleitores para vencer a eleição, pode, no final, se surpreender com o resultado.

Caiado firme na campanha

Até o momento, as declarações de apoio de Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) a Flávio Bolsonaro (PL) não passaram disso, de declarações. Ronaldo Caiado (PSD) foi o único que apareceu para ajudar de verdade e, neste sábado (17), lidera, ao lado de Daniel Vilela (MDB), uma carreata em apoio ao candidato do PL, em Aparecida de Goiânia.

Gracinha também

No domingo (18), Ronaldo Caiado (PSD) segue em campanha por Flávio Bolsonaro (PL). O ex-governador e a senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil) embarcam para São Paulo para participarem do ato bolsonarista na Avenida Paulista, enquanto caiadistas fazem o dever de casa, com uma caminhada na Avenida Ricardo Paranhos, em Goiânia.

Troca de turno

A trasição de um governo para outro, mesmo sendo aliados, tende a produzir ruídos e apreensões. O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), ainda não se pronunciou publicamente sobre alterações em sua equipe, mas nos corredores do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, sede administrativa do governo goiano, o assunto faz parte do leva e traz. Daniel precisa formar uma equipe mais afinada com seu estilo de governar. Esse time, pelo menos nos postos mais estratégicos, tem que ser “a cara de Daniel” e não da gestão de Ronaldo Caiado (PSD).

Reparo de Accorsi

Em resposta à nota publicada nesta sexta-feira (16) na coluna, com o título “Foco de Accorsi”, a deputada Delegada Adriana Accorsi (PT) afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “os debates internos e a criação da corrente Força Popular têm o objetivo de retribuir o reconhecimento popular, reafirmar o protagonismo das mulheres e da juventude, não havendo a menor possibilidade de saída do partido”. Tudo dentro do PT.

Influência do PT – Depois de Goiânia, capital de Goiás, nas 10 cidades do Entorno que fazem fronteira com o DF, o eleitorado de Lula é maior. A explicação é devido à proximidade com Brasília e a boa relação dos petistas com os municípios.

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