Ninguém do 8 de Janeiro cometeu crime tão grave quanto Moraes
De qualquer magistrado no Brasil se poderia esperar que seu cônjuge tivesse contratos milionários com criminosos e que esse juiz usasse o poder do cargo para ajudar a resolver problemas de clientes encrencados. De Alexandre de Moraes, não. A primeira reação à notícia foi de esperá-lo vir a público com sua verve costumeira desmentir a fake news.
Difícil imaginar a mulher de alguém tão severo quanto Moraes fechando um contrato com alguém tão suspeito quanto Daniel Vorcaro, dono do Master. Como não há causa específica, supõe-se que a tarefa seria de consultora. Os pareceres mais caros do Brasil são de ex-ministros do Supremo Tribunal Federal e do ex-presidente Michel Temer. Não se sabe de qualquer trabalho desses profissionais por R$ 129 milhões. Banca com três advogados (a esposa e os dois filhos do ministro) não tem a menor condição técnica de acudir um supercliente em apuros, a menos que alguém ligue e o presidente do Banco Central atenda.
Nenhum daqueles que Moraes condenou fez lobby por bandido que tentou empurrar no poder público R$ 12 bilhões em títulos falsos. A lei que rege a sua profissão, a Loman, reprova completamente, sobretudo no inciso VIII do artigo 35: “São deveres do magistrado […] manter conduta irrepreensível na vida pública e particular”. Cabe à Procuradoria-Geral da República agir para o afastar e ao Senado se autoconvocar para votar seu impeachment. Até agora suas ações foram suportadas, mas advocacia administrativa, com assessoria junto a órgãos públicos, extrapola qualquer desvario já cometido por ministros – e olha que eles cometem muitos.