Números do comércio e da indústria em Goiás sinalizam perdas em abril

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 11 de junho de 2022

As vendas do comércio varejista desaceleram em Goiás na saída de março para abril, enquanto a produção industrial continuava derrapando e ainda distante dos níveis alcançados antes do começo da pandemia, sinalizando ainda dificuldades para uma “normalização” completa da atividade econômica num cenário de turbulências internas e externas, juros mais elevados, redução de renda e inadimplência em alta. A melhoria relativa observada nos últimos meses reflete fatores que tendem a perder força ao longo do ano, conforme anota o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) ao comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo País, no primeiro trimestre deste ano.

Segundo a edição deste mês da revista Conjuntura Econômica, publicada pelo instituto, “o crescimento de 1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior é uma boa notícia, mas deve ser celebrada com moderação. Entre os fatores que colaboraram para esse resultado estão alguns que não se repetem – como um aumento do consumo de um grupo de serviços que ainda está se normalizando dos efeitos da pandemia –, e outros como o aumento de preço das commodities exportadas pelo País, derivada de um cenário internacional conturbado”.

De fato, conforme anotado neste espaço, o avanço registrado pelo PIB no período ficou bastante concentrado no setor de serviços, diante da eliminação quase total de medidas de restrição à aglomeração e à circulação das pessoas, e na área externa, como resultado do incremento nos volumes exportados, estimulado pela escalada dos preços das commodities, ao mesmo tempo em que as importações de bens e serviços sofriam baixa.

Para baixo

Em Goiás, segundo a pesquisa do comércio varejista realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas sofreram nítido desaquecimento em abril, tanto no conceito mais restrito quanto naquele mais amplo, que inclui, além das lojas exclusivamente varejistas, as concessionárias de veículos e motos e lojas de autopeças e de materiais de construção (classificado como varejo ampliado pelo instituto). Na comparação com o mês imediatamente anterior, o comércio tradicional vendeu 1,1% a menos em abril, com redução de 2,3% para as vendas do comércio em seu conceito mais amplo. Os dados de março, frente a fevereiro deste ano, mostravam altas respectivamente de 2,8% e de 7,2%.

Balanço

  • Também na comparação com idênticos períodos do ano passado, a vendas demonstraram desaceleração. No varejo convencional, a variação passou de 13,4% em março para 1,4% em abril, com perdas de 2,6% para as vendas de hiper e supermercados frente a abril do ano passado e um tombo de 15,9% observado para as lojas de móveis e eletrodomésticos (que haviam saltado 23,3% em março, mas saindo da retração de 13,3% registrada em fevereiro, sempre em relação aos mesmos meses do ano passado).
  • No varejo ampliado, o volume vendido havia anotado alta de 19,4% em março e passou a avançar 1,9% em abril, com avanço de 7,0% para veículos e motos (depois de salto de 30,3% em março) e retração de 16,3% nas vendas de materiais de construção. Ainda neste último setor, os volumes vendidos haviam despencado 17,6% em fevereiro e avançado 12,1% em março, sem compensar, portanto, o retrocesso anterior.
  • O comportamento mais recente das vendas trouxe uma espécie de “divórcio” entre o varejo mais convencional e o comércio ampliado (assim classificado por incluir setores que operam também como atacadistas), quando se considera o período anterior à pandemia. Em abril deste ano, os volumes vendidos pelo comércio restrito ainda se encontravam 0,54% abaixo do nível registrado em fevereiro de 2020. Para o varejo amplo, houve um ganho de 12,3% na mesma comparação.
  • Ainda assim, as vendas nos dois segmentos do comércio continuavam muito abaixo dos volumes vendidos em seus melhores meses na série histórica. O recorde, para o varejo convencional, havia sido registrado em fevereiro de 2014, com o comércio mais amplo alcançando seu melhor desempenho em agosto de 2012. Em abril, na mesma ordem, persistiam perdas de 28,3% e de 21,7%. Os dados mostram a dificuldade enfrentada pelo setor como um todo para reeditar níveis de venda registrados oito ou dez anos atrás, especialmente quando se considera que a população continuou crescendo no período.
  • A indústria goiana produziu 0,5% a menos em abril na comparação com março, repetindo a taxa negativa observada em março, quando o segmento devolveu o ganho de 0,5% observado em fevereiro (lembrando que, em janeiro, a pesquisa havia apontado um tombo de 5,7% em relação a dezembro de 2021, já excluídos fatores sazonais, como as festas de fim de ano, que poderiam distorcer a comparação, para mais ou para menos).
  • Na comparação com iguais meses do ano passado, a produção já havia baixado 2,4% em março e voltou a tropeçar em abril, numa queda de 2,2%. Num horizonte mais longo no tempo, o desempenho não parece nada melhor do que aquele apresentado pelo comércio. A produção encontrava-se, em abril, 6,5% abaixo dos níveis de fevereiro de 2020 e 11,3% menor do que em outubro de 2019, quando havia atingido seu ponto máximo na série histórica do IBGE.
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