segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Ofensiva do PT espalha o medo ao usar fake news

Wilson Silvestrepor em
Ofensiva do PT espalha o medo ao usar fake news
Ilustração: Takeshi Gondo

Disputa presidencial é marcada por acusações de fake news, enquanto Goiás tem cenário menos polarizado e partidos articulam fusões após as eleições

A frase “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é” é uma máxima da retórica política atribuída, com frequência e sem comprovação, a Lênin ou a Joseph Goebbels. Hoje, porém, caberia perfeitamente à esquerda brasileira, a quem, até então, se atribuía essa prática quando se falava do espectro mais à direita. Por anos, o bolsonarismo foi acusado de ter erguido uma máquina de fake news que foi capaz de levar Jair Bolsonaro (então no PSL) à Presidência da República. O que o petismo tem feito neste 2º turno, na cruzada desesperada para reeleger Lula (PT), é algo “nunca antes visto na história deste país”, para usar um bordão do próprio presidente.

Em um país onde apenas 54% da população consegue identificar corretamente uma fake news, pior desempenho entre 21 nações avaliadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), era previsível que o medo se tornasse a principal ferramenta de campanha. E assim nasceu o cardápio do susto petista: Flávio Bolsonaro (PL) vai retirar Nossa Senhora como padroeira do Brasil, vai acabar com o Pix a pedido de Donald Trump, instituir jornada de trabalho de 12 horas e, se sobrar tempo nesses quatro anos, extinguir universidades e o voto feminino. Até a candidata a primeira-dama, Fernanda Bolsonaro, teve que entrar em campo para socorrer o marido, Flávio Bolsonaro.

Parece exagero, mas não podemos esquecer que o PT já aplicou essa receita antes. Em 2014, a propaganda de Dilma Rousseff (PT) contra Marina Silva (na época, PSB) mostrava que, ao defender a autonomia do Banco Central, a socialista retiraria a comida do trabalhador. Seja com Dilma, seja com Lula, o terror petista permanece. Não se surpreendam se, no que depender do PT, esse segundo turno parecer mais uma sessão de exorcismo do que uma campanha eleitoral. Afinal, o partido sabe que, no Brasil, o medo sempre venceu a razão nas urnas.

Radicalismo passou longe de Goiás

Em Goiás, como o petismo sempre foi personagem secundário nas disputas pelo governo, o eleitor não precisou passar por uma sessão de exorcismo. A eleição entre Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) foi disputada, mas sem o terror que tem marcado a eleição presidencial — prova de que nem toda campanha no Brasil precisa de padre e vela.

PT em desespero

Em sua ansiedade para reverter o desempenho modesto no primeiro turno na disputa ao Governo do Distrito Federal, o PT de Leandro Grass trocou o vermelho pelo tom pastel. É o que se vê nas postagens em redes sociais. Essa mudança é avaliada pelos aliados de Celina Leão (PP) como sinal de desespero. Nunca é demais lembrar que o candidato petista, Leandro Grass, só conquistou o segundo turno porque a Justiça tirou José Roberto Arruda (PSD) da corrida eleitoral. Para piorar a vida de Grass, o presidente Lula perde fôlego na disputa com Flávio Bolsonaro (PL), aliado e apoiador de Celina Leão.

Cambão e Célio

Das 10 cidades que fazem fronteira com o Distrito Federal, Luziânia foi a única que elegeu um deputado estadual, Wilde Cambão (União Brasil), e um federal, Célio Silveira (MDB). Valparaíso perdeu uma deputada federal, Lêda Borges (REP), e uma estadual, Zelí Fritsche (União Brasil). No total, o Entorno elegeu o mesmo número de parlamentares estaduais: seis. A única novata é Joscilene Mangão (Agir), de Novo Gama.

Federações à vista

Passadas as eleições, começa a temporada de fusões e federações partidárias. Sem conseguir superar a cláusula de barreira neste ano, Avante, Solidariedade e PRD iniciaram conversas sobre uma possível fusão — os dois últimos já vivem em uma federação. A união das três legendas, que perderão acesso ao fundo partidário e ao horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, é a tentativa de reverter na política o que não conseguiram nas urnas.

Poder do Avante

Apesar de não ter superado a cláusula de barreira nas eleições deste ano, o Avante segue na elite da política goiana com a eleição de Thialu Guiotti, presidente regional da legenda, para a presidência da Câmara Municipal de Goiânia, cargo que garante ao partido influência mesmo sem bancada robusta em Brasília. Palanque pequeno, mas vaga garantida nas mesas de negociação.

Velejador político —Renan Santos (Missão) já está em pré-campanha para 2030. O ex-presidenciável publicou nas redes sociais que planeja comprar um veleiro e cruzar as águas brasileiras para visitar todas as capitais do litoral.

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