Coluna

Os investimentos chineses em Goiás

Publicado por: Marcelo Mariano | Postado em: 09 de agosto de 2021

Marcelo Mariano*

O governador Ronaldo Caiado durante recepção a uma delegação chinesa em Goiás | Foto: Reprodução/Governo de Goiás

Na semana passada, o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), uma organização que promove o diálogo entre empresários dos dois países, divulgou o relatório “Investimentos chineses no Brasil: histórico, tendências e desafios globais”, considerado o mais completo e atualizado estudo da área.

O relatório foi amplamente citado na imprensa nacional, o que fez Goiás ficar em segundo plano. No entanto, o estado ocupa uma posição de relativo destaque no estudo do CEBC, e meu objetivo nesta coluna, a minha última depois de seis excelentes e produtivos meses, é focar nos investimentos chineses em solo goiano.

Antes, alguns dados gerais que valem a pena ter mente. No período pesquisado (2007-2020), “empresas chinesas efetivaram 176 empreendimentos no Brasil, com aportes que somam US$ 66,1 bilhões”. Além disso, “o Brasil recebeu 47% dos investimentos chineses na América do Sul”.

Também é importante mencionar os setores desses investimentos: energia elétrica (48%); extração de petróleo e gás (28%); extração de minerais metálicos (7%); indústria manufatureira (6%); obras de infraestrutura (5%); agricultura, pecuária e serviços relacionados (3%); e atividades de serviços financeiros (2%).

Quando a análise é feita com base nos principais estados que receberam investimentos chineses, é aí que Goiás se destaca, ficando em 5º lugar, com 5,4%, atrás apenas de São Paulo (31%), Minas Gerais (8%), Bahia (7,1%) e Rio de Janeiro (6,7%).

De acordo com o relatório, Goiás “tem mais da metade dos projetos concentrada na área de energia, mas conta também com um importante empreendimento da China Molybdenum Company em mineração, com minas de extração de nióbio e fosfatos nos municípios de Catalão e Ouvidor”.

Goiás aparece ainda em outros dois momentos do estudo. O primeiro diz respeito à ampliação da atuação da State Grid, estatal chinesa de rede elétrica, “com investimentos de R$ 1,95 bilhão em um projeto de transmissão de energia nos estados do Pará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”.

O outro momento trata da atração de projetos chineses especificamente no ano de 2019. Nesse ponto, Goiás não apresenta um bom desempenho, tendo atraído apenas um projeto, ao lado de Tocantins, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso e Ceará. Em primeiro lugar, está São Paulo, com sete.

O relatório conclui que “existem oportunidades de inovação da agenda bilateral que poderiam se beneficiar do crescente avanço da China nas novas fronteiras da tecnologia da informação”, e cita “um grande potencial para projetos ligados a temas como inteligência artificial, economia digital, internet das coisas, redes 5G, cidades inteligentes, dentre outros”.

Como mostrado em um outro texto desta coluna, a China é o principal parceiro comercial de Goiás, e o governo estadual, independentemente do governador da vez, tem ciência da importância do país asiático, ao qual acumula um histórico de missões comerciais. Com a preservação de nossos interesses em mente, a tendência é que essa relação cresça cada vez mais.

*Assessor internacional da Prefeitura de Goiânia, vice-presidente do Instituto Goiano de Relações Internacionais (Gori) e autor do livro “Introdução ao Oriente Médio: um guia em dez perguntas sobre uma das regiões mais importantes e complexas do mundo”. Escreve sobre política internacional às segundas-feiras.

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