Passar aprovação pessoal para o governo e daí para Daniel
A aprovação do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e do presidente Lula (PT) é, em geral, 20% superior à de suas gestões. No caso do petista, pode ser candidato à reeleição, é o herdeiro de sua própria rejeição ou aceitação. O goiano deve cumprir uma escadinha, primeiro repassar seu prestígio pessoal para a administração e, em seguida, para seu escolhido a sucessor, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Pedreira, viu. É complicado transferir até a si mesmo. Em 2022, Caiado já reunia de 80% a 90% dos goianos simpáticos a sua figura, dependendo da pesquisa. Contabilizados os votos no 1º turno, por 1,81% não houve o 2º.
O governador está preparado para esse detalhe, pois ocorreu diversas vezes ao longo de sua carreira: tinha altíssima popularidade em Mozarlândia e Nova Crixás, lançava candidatos a prefeito ligadíssimos a seu mandato de deputado federal e eles empacavam. Já no governo, em 2020, sequer lançou candidatos de seu partido nas maiores cidades. Em 2024, testou-se ao máximo: tirou da aposentadoria dois ex-deputados federais, Sandro Mabel e Leandro Vilela, lançou-os em cidades alheias a seus domicílios eleitorais e fez de ambos prefeitos, façanha inédita – o último chefe de Executivo de Goiânia que ganhou filiado ao partido do governador havia sido Daniel Antônio, na eleição temporã de 1985, num escândalo nacional em que urnas foram encontradas em lotes baldios.
A próxima tarefa é de Daniel. Após assumir, no início de abril, governar de forma tão parecida com Caiado que o eleitor não perceba que o comando mudou.