Polarização direita e esquerda nacionaliza disputas nos estados
Em um passado não tão distante, houve um tempo em que a eleição presidencial era um jogo isolado. A corrida pelo Planalto não bagunçava o tabuleiro dos estados, municípios e vice-versa. Foi assim com Fernando Collor (PRN), com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com Lula (PT) e Dilma (PT). A eleição pela Presidência tinha o seu próprio tabuleiro, com peças próprias e regras próprias.
Isso mudou em 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) chegou ao Planalto. A política nacional passou a atravessar estados, prefeituras e, de bônus, cruzou até as fronteiras. A esquerda assumiu definitivamente a existência do Foro de São Paulo, com Raul Castro, de Cuba, e Nicolás Maduro, da Venezuela, enquanto a direita se filiou à União Conservadora Americana, com Donald Trump, nos Estados Unidos, e Javier Milei, na Argentina.
E os números das eleições de 2024 estão aí para não deixar margem para dúvida. O PL, mesmo com Jair Bolsonaro (PL) fora do governo, foi o partido que mais elegeu prefeitos no grupo G 103 — os municípios com mais de 200 mil eleitores, que somam 60,5 milhões de eleitores, ou 38,8% do eleitorado.
A polarização atropelou discussões locais sobre buraco na rua e atraso na coleta de lixo. A maioria dos candidatos que apostaram nessas pautas foram atropelados sem freio. Diante disso, seria ingenuidade — para não dizer irresponsabilidade eleitoral — apostar que as disputas estaduais de 2026 escaparão dessa gravidade nacional. Em Goiás, Wilder Morais (PL) já passou o roteiro durante a convenção estadual. Vai defender Flávio Bolsonaro (PL) para presidente sem pudor nem meio-termo. Daniel Vilela (MDB) apoia o ex-governador Ronaldo Caiado desde 2022. Marconi Perillo (PSDB) ainda é uma incógnita, mas não será surpresa se apoiar Flávio Bolsonaro, principalmente se ele for para o segundo turno.
Eleger Daniel no primeiro turno
A base de apoio, com 12 partidos e mais de 100 prefeitos, fala uma só linguagem: “Nossa meta é eleger Daniel Vilela no primeiro turno, assim como fizemos na eleição de [Ronaldo] Caiado em 2018 e 2022”, disse à coluna o deputado e pré-candidato à reeleição Talles Barreto.
Wilder ou Marconi
A corrida eleitoral, a partir de agora, terá como foco os pré-candidatos de oposição Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB). Além do esforço para conquistar o segundo turno, terão que convencer o eleitorado a não eleger Daniel no primeiro turno. Pelas últimas pesquisas, faltando menos de 60 dias para a eleição, Daniel venceria logo no primeiro turno.
Avante lá e cá
O Avante de Goiás vive um contraste em relação ao Distrito Federal. Na capital, o presidente da legenda, Gim Argello, fez o dever de casa e montou uma chapa visando eleger dois deputados federais. Já em Goiás, Thialu Guiotti não conseguiu lançar nomes para deputado estadual e federal. Tibé, que segure a mão.
Salada eleitoral
Em Iporá, importante município da região Oeste do Estado, há 26.665 eleitores aptos a votar em 4 de outubro. Embora a base eleitoral do governador Daniel Vilela (MDB) conte com o apoio de várias lideranças à sua reeleição, o grupo liderado pelo ex-prefeito do município, Naçoitan Leite, está fechado com Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República, ao Senado, Gracinha Caiado (União Brasil) e Gustavo Gayer (PL). — Por que não apoiar Caiado? “Ele tem criticado muito o Flávio e nós somos bolsonaristas raiz”, conta Naçoitan.
Alerta sobre 2028
A maioria dos prefeitos brasileiros vive de pires na mão e com poucas entregas à população. Isto será um mau sinal a partir do segundo semestre de 2027, período em que começam as tratativas para a eleição de 2028. Muitos dos atuais gestores vão disputar a reeleição ou tentar eleger o sucessor. Como os sinais econômicos apontam para uma temporada de escassez, a tarefa não será árdua na busca de aliados. A maioria vai preferir ser “do contra”.
Aliados e adversários
Em Valparaíso, cidade estratégica no Entorno do Distrito Federal, sob a gestão do prefeito em primeiro mandato, Marcos Vinicius (MDB), há um baita desafio: eleger Pábio Mossoró (MDB) para deputado estadual. A lógica é simples: se Marcus estiver mal avaliado pela população e se Pábio ficar sem mandato, o grupo vai pressioná-lo a disputar a vaga de prefeito. Essa é a tese que circula entre poucos, mas que pode virar realidade em 2028. Em política, não existe o imponderável, apenas circunstâncias.
Palavra dada, palavra honrada — Esse foi o motivo pelo qual o presidente do Avante no DF, Gim Argello, engoliu à seco a rasteira que José Roberto Arruda (PSD) deu no Avante ao indicar outro nome para vice na sua chapa.
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