Polarização no DF caminha para ser entre Celina Leão e Arruda
O tímido desempenho dos pré-candidatos a governador no campo de esquerda no Distrito Federal dificilmente vai conseguir abrir uma terceira frente que rivalize com a vice-governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD).
O tímido desempenho dos pré-candidatos a governador no campo de esquerda no Distrito Federal dificilmente vai conseguir abrir uma terceira frente que rivalize com a vice-governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). Os pré-candidatos Ricardo Capelli (PSB) e Leandro Grass (PT), até o momento, não representam uma ameaça para o favoritismo de Celina e Arruda. As pesquisas, que mostram os dois empatados dentro da margem de erro ou com a vice-governadora ligeiramente na dianteira, evidenciam que a polarização tende a se manter.
Embora a oposição insista em alardear que o escândalo do Banco Master pode atingir Celina, isto porque o governador Ibaneis Rocha (MDB) pode estar atolado no lamaçal do Master, essa imagem de tráfico de influência e o desastre do BRB perder R$ 2 bilhões com o negócio têm sido combustível do desgaste do Governo do DF. Por consequente, respinga em Celina que, sabidamente, não tinha nenhuma relação com o então presidente do BR, Paulo Henrique Costa. Ele e a vice-governadora não falam a mesma língua, portanto, o fato de ser aliada do encrencado Ibaneis não faz dela uma suspeita.
Quanto ao ex-governador Arruda, paira sob sua cabeça a possibilidade de ser mais uma vez jubilado pelo STF. Esse suspense sobre o futuro acaba por prejudicar as alianças com outros partidos. No entanto, o grupo que apoia Arruda está otimista com as pesquisas que mostram o ex-governador numa ascensão progressiva. O otimismo é tamanho que já pensam em eleger uma boa bancada de deputados federais e distritais.
Parceria com Daniel e Caiado no Entorno
José Roberto Arruda (PSD) tem amizade histórica com o governador Ronaldo Caiado, um dos presidenciáveis do PSD. Arruda e Caiado eram do antigo DEM e agora estão juntos numa mesma legenda, portanto, os projetos de ambos passam pelo Entorno do DF com Arruda em apoio a Ronaldo Caiado e Daniel Vilela a governador.
Apoio mantido
Até onde as vistas alcançam, a ex-primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro, e a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL, afirmam que apoiam a amiga Celina Leão. O detalhe nessa equação é que ambas disputarão as duas vagas ao Senado e escantearam a dobradinha entre Ibaneis e Michelle. O isolamento do governador brasiliense deixa o emedebista numa encruzilhada política: tem o apoio de sua vice, mas não mais o de Michelle, que seria a puxadora de votos.
PL fora
O escândalo do Banco Master-BRB distancia o PL nacional e do DF do apoio ao governador Ibaneis. A legenda já tem problemas demais para enfrentar e não tem intenção de abraçar mais uma frente em que a esquerda se esforça para arrastar o PL.
Estilo Moraes
A operação determinada por Alexandre de Moraes para investigar o vazamento de dados fiscais de parentes de ministros do STF não foi bem recebida entre seus pares. Dois ministros avaliaram a decisão como o estilo defensivo de Moraes, que ataca para se defender. É como se ele olhasse para Toffoli e ouvisse: “Eu sou você amanhã”. E isso é tudo o que ele não quer.
Deu ruim
Com o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, o desgaste político de Lula (PT) tende a crescer ainda mais nos próximos dias. Embora a decisão tenha sido técnica, o resultado deve ser explorado pela oposição como derrota do presidente. A repercussão negativa do desfile foi tamanha que até a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, que tem um histórico de omissão, decidiu sair da caverna e classificar o desfile como intolerância religiosa.
Temos vagas – Doido por cargos, o Centrão deve estar de olho nas vagas dos ministros que vão deixar o governo Lula em abril. Virou quase uma tradição esse espectro político abocanhar cargos em troca de apoio, seja o presidente de esquerda ou direita.