Polarização raivosa e as mesmas caras abrem espaços para outsider
No vai e vem eleitoral de dois em dois anos, ora para prefeito, vereadores e, 24 meses depois, para presidente da República, governador, congressistas e legislativos estaduais, que os pretendentes a um desses cargos são praticamente os mesmos. Por conta desse tédio de poucas mudanças e propostas efetivas à população, que analistas políticos avaliam que existe espaço para um outsider, principalmente para o Palácio do Planalto, Senado, Câmara Federal, governo e Legislativo estaduais.
A polarização direita e esquerda, lulopetismo contra bolsonarismo e a guinada mais à direita conservadora mundo afora abre espaço para uma liderança fora da “caixa” dos políticos profissionais. Isto porque o grau hegemônico dos mesmos candidatos, que se apresentam ao cidadão-eleitor de quatro em quatro ou de dois em anos, cansou a maioria dos brasileiros. As gerações mais jovens, notadamente a Z, buscam uma fragmentação de candidatos, seja de direita, esquerda, centro, liberal ou conservador.
Em Goiás, por exemplo, dos três candidatos a governador, Daniel Vilela (MDB) e Marconi Perillo (PSDB), o único que nunca disputou a cadeira principal do Palácio das Esmeraldas é o senador Wilder Morais (PL). Por isso, em meio a empresários, profissionais liberais e formadores de opinião, começam a surgir indagações do tipo: “Por que não um outsider para governador?”. Vários nomes são listados, entre eles advogado, médico e liderança classista ligada ao agronegócio. Esse é um sinal de que o eleitorado busca outros nomes para serem testados à frente dos negócios públicos.
Mistério sobre vice de Daniel
Bem ao seu estilo de deixar aliados e adversários a roer as unhas, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), não emite sinal de fumaça de que vai bater o martelo sobre o indicado para compor a chapa de vice de Daniel Vilela (MDB). A proposta original era oferecer a vaga de vice ao PL, mas, pelo andar da procissão, Wilder Morais será mesmo candidato a governador.
Os favoritos
Se não houver mudanças bruscas, dois nomes estão na agenda de Caiado: o chefe da Secretaria-Geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, e o presidente da Faeg, José Mário Schreiner. O problema é que, diante da indefinição, Zé Mário vai acabar sendo deixado na chuva pelo governador.
Lula isolado
A prisão de Nicolás Maduro e a formação de um bloco de presidentes de direita, articulado por Javier Milei, da Argentina, empurram Lula (PT) para um isolamento diplomático que ele jamais enfrentou na região.
Flávio com Milei
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca se aproximar da direita sul-americana e negocia encontros com Javier Milei e José Antônio Kast. O objetivo é mostrar que faz parte de um movimento global de enfrentamento à esquerda, com Lula (PT) como principal alvo no Brasil.
Suicídio tucano
Nota do PSDB de repúdio “a invasão norte-americana à Venezuela” gerou um desgaste desnecessário para o partido nas redes sociais. Além de desagradar o eleitor mais à direita, não garante o apoio da esquerda, que continuará votando no PT.
Justiça de verdade – Diferente dos presos políticos na Venezuela, Nicolás Maduro terá um julgamento justo em Nova York, onde pôde escolher o seu advogado e enfrentará um juiz imparcial, Alvin Hellerstein, indicado por Clinton, um democrata.