Políticos ainda devem campanha dos anos 1990 – como evitá-los
Uma grande gráfica sobrevive aos trancos e barrancos porque um político de alto coturno lhe deve material de duas campanhas deste século
Em 1994, ainda não havia reeleição, o governador Iris Rezende teria de tentar para senador e o deputado Ronaldo Caiado viu chance. O escolhido por Iris foi seu vice, Maguito Vilela, que começou a campanha em 3º lugar. Caiado era o 1º, com Lúcia Vânia em 2º e, em 4º, o empresário Luiz Antônio de Carvalho, do Consórcio Coplaven, de Anápolis. Caiado caiu na reta final e o 2º turno coube a Lúcia e Maguito, que venceu. Sem governo e sem grupo econômico, Caiado ficou com todas as dívidas, mas vendeu patrimônio e as quitou. Porém, 32 anos depois, alguns fornecedores ainda lamentam que outro participante daquela eleição deu o cano generalizado. Houve falências. Infelizmente, não é o único caso.
Uma grande gráfica sobrevive aos trancos e barrancos porque um político de alto coturno lhe deve material de duas campanhas deste século. O HOJE conferiu com ele no início da noite deste feriado de Tiradentes: “Atualizado, ele tem que me pagar R$ 12 milhões”. O credor assiste de longe à terceira tentativa seguida de seu algoz – e está de novo no páreo. O gráfico aconselha aos colegas: “Só entregue a mercadoria depois que receber o pagamento”. Ele diz que o caixa 1 não provoca briga, pois para prestar contas o candidato tem de apresentar as notas fiscais e só idiota daria quitação sem ver a cor do dinheiro. No caso do gráfico, a dívida é originária de dois tipos de material, o por dentro (caixa 1) e o por fora (caixa 2). Esquerda, direita e centro aplicam golpes com a mesma frequência. Quando o cliente perde, dificilmente volta para pagar. Portanto, é mercadoria para lá precedida de grana para cá. (Especial para O HOJE)