quarta-feira, 13 de maio de 2026

Políticos perderam até o jeito de fazer oposição, daí o adesismo

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 13 de maio de 2026
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Foto: Maykon Cardoso/Alego

Ronaldo Caiado na Câmara dos Deputados e Marconi Perillo na Assembleia Legislativa eram oposição. E foram aguerridos. Quando chegaram ao Executivo, passaram meia dúzia de mandatos (2 do 1º, 4 do 2º) cercados quase por unanimidade de parlamentares a favor. É o que se vê também nos âmbitos nacional e municipais. As benesses são tantas que os parlamentares perderam até o jeito de se opor ao mandante. Os partidos de oposição a Lula têm, juntos, mais ministérios que o PT. Em Goiás, o PL se engalfinha internamente na bancada, com Major Araújo e Amauri Ribeiro mostrando bravura não contra o governo, mas um contra o outro. Tem sido assim há algumas décadas.

Na Câmara Federal, foram opositores de qualidade Aldo Arantes e Vilmar Rocha, cada qual num lado ideológico. No Senado, Demóstenes Torres foi firme no combate aos presidentes Lula e Dilma Rousseff. Na Assembleia, além de Marconi, apenas Carlos Alberto Leréia, hoje administrando Minaçu. Atualmente, Clécio Alves briga com o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, mas sem o menor traquejo. Na Câmara da Capital, onde deveriam ser exibidas as vísceras de Mabel, só bate-boca. No interior, então, são raríssimos os casos de oposição com base nas ideias.

A qualidade é baixa, mas o que tira o vigor de ser contra é que todos são favoráveis às verbas. Aí, não tem jeito, emenda para cá, outra para lá, e o chefe do Executivo não vai tratar igual o que o afaga e o que o apedreja. É o grande axioma de quando se vai votar para deputado e senador: saber se tem vocação parlamentar e se, caso perca para o Executivo, vai entender que foi eleito para se opor, não para aderir. (Especial para O HOJE)

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