Pós-Master, o STF precisa voltar a ser uma corte sã, não uma cortesã
Diz-se que um árbitro de futebol apitou bem uma partida quando não se ouve seu nome. A analogia vale para juiz de Direito, sobretudo os do Tribunal mais importante do País.
Diz-se que um árbitro de futebol apitou bem uma partida quando não se ouve seu nome. A analogia vale para juiz de Direito, sobretudo os do Tribunal mais importante do País, o STF. Para ficar na referência ao esporte, relembre-se a comparação de que bons tempos eram aqueles nos quais se sabia o nome dos 11 jogadores da Seleção Brasileira e nenhum dos 11 ministros do Supremo. Atualmente, não se sabe quase o nome dos escolhidos para a Copa e o time do STF está na boca do sapo. As brincadeiras, inclusive as sérias, já duraram demais. Está na hora de o STF deixar de ser sinônimo de várzea, aquela em que se joga na lama.
É ruim para todo mundo quando todo mundo considera ruins os guardiões da Constituição da República. Pior ainda porque os críticos têm razão, o STF dá margem aos palavrões que lhe são dirigidos. Assim, o prestígio intelectual, sobretudo na expectativa de conhecimento jurídico e liberdade de voto, se esvaiu. Tem a ver com o ego de alguns integrantes que adoram aparecer, mas principalmente porque o Tribunal perdeu a sua aura de incorruptível. Os negócios lícitos ou não em que alguns ministros aparecem envolvidos demolem a possibilidade de serem isentos.
Tudo estava péssimo até aparecerem o Banco Master e suas ramificações. O troço desceu tanto de nível que fica difícil prever o futuro do STF, difícil saber até se haverá futuro. Não resta mais que a esperança de que haja, pois a democracia depende do Poder Judiciário, mais que do Executivo e do Legislativo. Afinal, os juízes estariam alheios a compromissos externos a suas togas, já que independem de votos populares, em troca dos quais se realizam atrocidades indizíveis. Ainda está em tempo de recuperar sua tarefa única, ou seja, voltar a ser apenas a guardar a Constituição. Parece pouco, mas é tudo.
O restante é ministro querendo holofote, dinheiro e prazer, três entregas que Daniel Vorcaro fazia. A quarta será a lista de quem dali recebia do Master. Torce-se para que a incisão de que o STF tanto precisa devolva-lhe a aura de ser uma corte sã, não uma cortesã. Assim, o jogo democrático vai ganhar de goleada. (Especial para O HOJE)