Preços de bens exportados sobem e custo de importações sofre baixa
Sob efeito das mudanças observadas no mercado internacional desde a deflagração dos ataques e bombardeios comandados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e o Líbano, com consequente fechamento do estreito de Ormuz, os preços internacionais dos principais produtos exportados por Goiás subiram nos cinco primeiros meses desse ano em relação ao mesmo período do ano passado. Paradoxalmente, no outro prato da balança comercial goiana, as importações ficaram mais baratas, como resultado aparentemente de alguma alteração na composição e no valor agregado dos bens importados e ainda com a contribuição do barateamento dos produtos e insumos importados pela indústria farmacêutica instalada no Estado.
Essa combinação de tendências favoreceu a melhora nos chamados termos de troca, embora a relação tenha se mantido ainda muito desfavorável ao setor exportador no Estado, consolidando uma tendência histórica de transferência de rendas daqui para fora do País. Esse processo parece decorrer da própria estrutura da economia estadual, concentrada em bens de base agropecuária e mineral, neste último caso, em menor escala, de baixo valor agregado, em contraposição a importações de insumos e produtos comparativamente de maior conteúdo tecnológico.
Embora os volumes embarcados pelo Estado em direção a outros países tenha experimentado queda de 14,1% na comparação entre os cinco meses iniciais deste ano e igual intervalo de 2025, com contribuição negativa mais intensa da soja em grão, houve certa estabilidade nas receitas totais geradas em dólares pelos exportadores (conforme anotado na edição de ontem). Os volumes foram reduzidos de 9,974 milhões para 8,569 milhões de toneladas, em torno de 1,405 milhão de toneladas a menos, enquanto as receitas saíram de US$ 5,531 bilhões para US$ 5,586 bilhões, variando 0,99% – mas registrando, de todo modo, o segundo valor mais elevado para o período na série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Dólar também em baixa
Esse ligeiro ganho deveu-se um uma valorização de 17,55% nos preços médios dos bens exportados, em dólares. Deve-se relembrar que a cotação média do dólar, quando transcrita em reais, anotou baixa de 11,05% nos cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Na conversão para reais, os preços de exportação indicaram elevação de 4,56%. As importações, ao contrário, apontaram elevação de 3,96% nos volumes totais, avançando de 920,735 mil para 956,814 mil toneladas, mas os importadores baseados no Estado tiveram seu gasto com aquelas compras elevados em apenas 1,03%, passando de US$ 2,219 bilhões para US$ 2,242 bilhões – terceiro valor mais alto na série da Secex. Os preços médios em dólares recuaram 2,81%. Convertidos em reais, observou-se uma redução média de 13,55%, já que o dólar ficou mais barato no percurso.
Balanço
Os chamados “termos de troca”, que indicam a relação entre o valor dos produtos exportados e os custos dos importados, de fato observaram alguma melhora. O indicador que mede a relação entre aqueles dois valores avançou quase 21,0%. Ainda assim, o preço médio das exportações ainda representava 27,8% do gasto realizado a cada tonelada importada. Nos mesmos cinco meses do ano passado, aquele percentual havia sido ainda mais desfavorável às exportações, numa relação próxima de 23,0%.
Isso significa que houve uma modesta na redução no tamanho da renda transferida de Goiás para outros países, remunerando importadores lá fora. Esse tem sido o lado mais perverso da balança comercial em Goiás, estruturalmente. O dado sugere ainda que os bilhões de reais transferidos pelos contribuintes goianos sob a forma de incentivos e subsídios a grupos empresariais têm mostrado baixa efetividade na promoção de maior agregação de valor e na atração de setores de maior complexidade tecnológica.
O saldo entre exportações e importações, como reflexo do baixo crescimento das vendas, assim como das compras lá fora, mostrou leve avanço em Goiás, variando de US$ 3,313 bilhões nos cinco primeiros meses do ano passado para US$ 3,344 bilhões em igual intervalo deste ano, algo como 0,95% a mais. O incremento discreto levou o superávit comercial goiano para o terceiro valor mais alto nos dados da Secex.
A baixa de 4,15% nas exportações do agronegócio reduziu o superávit comercial do setor quase na mesma proporção, diminuído o saldo de US$ 4,708 bilhões para US$ 4,513 bilhões (perto de 4,2% a menos). Os demais setores da economia continuaram registrando déficit entre compras e vendas externas, num comportamento já histórico. Desta vez, no entanto, o salto de quase 33,0% nas exportações (O Hoje, 23.06.2026) e ainda a variação muito menor das importações, oscilando 1,15% entre os dois períodos analisados derrubaram o saldo negativo nesta área de US$ 1,396 bilhão para US$ 1,168 bilhão – uma retração de 16,31% (ou US$ 227,688 milhões a menos).
As exportações goianas ficaram concentradas em torno de uma dezena de itens ou produtos, predominantemente grãos e derivados, carnes e minérios. Esse conjunto de itens, incluindo soja em grão, carne bovina, farelo de soja, ferroligas, minérios de cobre, carne de frango, ouro, milho, açúcar e óleo de soja, respondeu por 92,52% das exportações totais, com concentração mais relevante na soja.
As vendas externas totais daquele grupo registrou avanço de 1,09% no acumulado entre janeiro e maio deste ano frente aos mesmos meses de 2025, evoluindo de menos de US$ 5,113 bilhões para US$ 5,168 bilhões.
Com a China respondendo por 73,0% de seus embarques neste ano, as exportações de soja em grão sofreram baixa de 12,81% em receitas e 18,67% em volume, caindo, pela ordem, de US$ 2,714 bilhões para US$ 2,367 bilhões e de 6,997 milhões para 5,691 milhões de toneladas. A queda ficou concentrada no mercado chinês, que reduziu suas compras da soja goiana em 18,86%.