Preços do petróleo oscilam, mas já acumulam salto de 58,5% no ano

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 25 de julho de 2026 às 08:03

Os preços do petróleo continuam oscilando dia a dia ao sabor dos confrontos no Oriente Médio e da irracionalidade do líder estadunidense, no momento mais ocupado em preservar pela força, econômica e militar, o que resta da influência e da supremacia dos Estados Unidos ao redor do globo. A escalada mais recente trará, muito evidentemente, impactos para custos e preços em toda a economia global, com impactos ainda sobre balanço das empresas e sobre a renda das famílias, afetando a capacidade de investimento e de consumo especialmente nas economias mais dependentes de importações de petróleo e insumos derivados.

Depois de encerrar a sessão de quinta-feira ao redor de US$ 100,69 no mercado futuro, o barril do petróleo tipo Brent (mais leve, associado aos óleos brutos extraídos no Mar do Norte) anotou alguma acomodação no fechamento de sexta-feira, 24, recuando 4,2%, para US$ 96,47 – aproximando-se dos valores praticados nos primeiros dias de junho deste ano. Na verdade, o movimento não representou qualquer alívio, considerando que a cotação do barril encerrou a semana em alta de 9,50%, saltando ainda 30,8% em 30 dias e nada menos do que 58,5% entre o final de dezembro do ano passado e a última sexta-feira.

O frágil cessar-fogo proposto de forma ardilosa pelo governo dos EUA teve curtíssima duração, dado seu alto nível de irrealismo, e foi literalmente detonado pela retomada do confronto com o Irã ainda na primeira semana deste mês. Jamais reaberto em sua integridade, o estreito de Ormuz continuou no centro do conflito, mantendo o sistema logístico de produção e escoamento de petróleo sob pressão, numa região crítica para o suprimento global do insumo.

Somam-se às turbulências geradas por uma guerra injustificada, os ataques mais frequentes e insanos do líder estadunidense na esfera comercial, reflexo de uma “fúria tarifária” destinada a gerar instabilidades e agravar o isolamento de um país autoproclamado como líder do “mundo livre”, qualquer que seja o sentido da expressão, ontem e, muito especialmente, nos dias que correm.

 

Custos em alta

Os impactos da ação deletéria da administração Trump sobre o resto do mundo espalham-se por setores diversos da economia, submetendo o sistema internacional de custos e preços a novas ondas de alta. O cloreto de potássio, destinado à produção de fertilizantes, teve seus preços médios elevados em 18,8% no primeiro semestre deste ano – lembrando que o Brasil importa entre 95% e 97% do insumo que utiliza para adubar suas safras. Os preços do enxofre, utilizado para solubilizar rochas de fosfato e essencial na produção de fertilizante, subiram 3,90% em junho, mas acumularam, no ano, um salto de 160,47%. Em 12 meses, o custo do insumo mais do que quadruplicou. A tonelada da ureia no mercado externo saltou 21,34% nos primeiros 24 dias de julho, embora tenham anotado variação de 16,95% desde o começo do ano.

 

Balanço

Os preços internacionais do fósforo mantiveram-se praticamente sem alterações ao longo do ano, mas a baixa disponibilidade de enxofre, diante de uma oferta reduzida pela guerra contra o Irã e por dificuldades de escoamento nas principais rotas marítimas, tem afetado a produção e, portanto, a oferta doméstica de fertilizantes fosfatados.

O enxofre é utilizado pela indústria para a produção de ácido sulfúrico, aplicado, por sua vez, na solubilização da rocha fosfática. Ao longo do primeiro semestre, as compras brasileiras de enxofre lá fora desabaram quase 42,0%, saindo de praticamente 1,222 milhão de toneladas nos seis meses iniciais de 2025 para 709,36 mil toneladas. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), os estoques de enxofre teriam alcançado níveis considerados “alarmantes”, levando a indústria a antecipar problemas no abastecimento para a próxima safra, que começa a ser plantada entre setembro e outubro.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a baixa oferta e os custos mais elevados levaram a gigante multinacional Mosaic, com sede em Tampa, na Flórida, a suspender temporariamente as operações nas plantas de Catalão, no sul goiano, Araxá (MG) e Candeias (Bahia), assim como da unidade da Fospar, no Paraná.

Com preços mais baixos e margens ainda mais restritas, a agricultura passa a enfrentar custos mais elevados. Segundo acompanhamento regularmente feito pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), os custos operacionais para o plantio de um hectare de soja transgênica e milho de alta tecnologia naquele Estado, maior produtor de grãos do País, subiram respectivamente 3,95% e 14,30%.

Os dados mais desagregados aferidos pelo Imea mostram altas de 5,74% e de 10,72% para os custos médios de fertilizantes e corretivos, no primeiro caso, e de defensivos utilizados nas lavouras de soja, com aumento ainda de 22,74% nos custos de óleo diesel e lubrificantes consumidor nas operações mecanizadas. No caso do milho, as altas chegaram a 7,79% para fertilizantes e corretivos do solo e a 23,76% para os defensivos, com aumento ainda de 12,11% nos custos das operações com máquinas agrícolas.

Mais recentemente, o País passou a anotar alguma alteração nas despesas com o pagamento de fretes internacionais, segundo dados do Banco Central (BC), que entre outros afazeres também acompanha a evolução da conta de transações correntes do Brasil com o resto do mundo. No bimestre abril e maio, as remessas de dólares para fazer frente às despesas de frete cresceram 7,71%, de US$ 1,703 bilhão para US$ 1,835 bilhão. Nos dois primeiros meses do ano, antes do início da guerra, aqueles pagamentos haviam sido reduzidos em 27,34%.

A escalada dos preços do barril, de toda maneira, tenderá a favorecer a balança comercial brasileira, considerando-se o impacto daquela alta sobre as exportações de petróleo e seus derivados. No primeiro semestre, as vendas externas naquele setor subiram 28,39%, avançando de US$ 27,015 bilhões para US$ 34,684 bilhões. As vendas nesta área responderam por 18,77% do total exportado pelo Brasil no primeiro semestre deste ano, diante de 16,35% em igual período de 2025. Mais relevante: o ganho de quase US$ 7,670 bilhões nessa comparação significou uma contribuição de 40,26% do setor de petróleo para o crescimento das exportações totais.

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