Preços dos bens exportados por Goiás sobem 16,8% no primeiro quadrimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 13 de maio de 2021

O avanço experimentado pelas exportações realizadas pelo Estado nos quatro primeiros meses deste mês foi impulsionado principalmente pelo ciclo de alta das commodities minerais e agrícolas no mercado internacional, numa tendência observada desde a segunda metade do ano passado e intensificada neste começo de ano. Os preços médios das vendas externas estaduais registraram aumento de 16,78% no acumulado entre janeiro e abril deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. O valor de cada tonelada exportada evoluiu de US$ 552,93 para US$ 645,71 e mais do que compensou a variação de apenas 0,49% registrada pelos volumes embarcados, que saíram de 4,234 milhões para pouco menos de 4,255 milhões de toneladas (dos quais a soja em grão respondeu por praticamente dois terços, com 2,821 milhões de toneladas exportadas).

O crescimento no preço médio das exportações em geral contribuiu para uma melhoria relativa nos chamados “termos de troca”, excluídos, no caso os custos da energia importada por Goiás, que respondeu por 30,0% do total das importações registradas entre janeiro e abril deste ano – nada menos do que 100 vezes a fatia de 0,3% anotada nos quatro primeiros meses de 2020. Sem a energia elétrica comprada da Argentina e do Uruguai, os preços médios dos bens importados apresentaram variação de 1,24% frente ao primeiro quadrimestre de 2020, passando de US$ 1.020,94 para US$ 1.033,66 por tonelada.

Os termos de troca (quer dizer, a relação entre o custo médio das importações e o preço médio das exportações) continuaram ainda muito negativos, mas houve alguma melhoria. No ano passado, até abril, o preço médio dos bens importados havia sido 84,6% mais elevado do que o valor recebido pelo Estado por tonelada exportada. A diferença foi reduzida para 60,1% neste ano. A redução do custo por tonelada importada pode estar associada a uma redução nas importações de bens de maior valor agregado, a exemplo das compras de produtos farmacêuticos, ao mesmo tempo em que importações de produtos de custo mais baixo apresentaram maior crescimento.

Maiores altas

Entre os principais bens exportados, os produtos do complexo soja entraram em forte alta neste ano, na comparação entre os preços médios registrados nos primeiros quatro meses de 2020 e o mesmo intervalo deste ano. Em médio, os preços da soja em grão, do farelo e do óleo de soja anotaram aumentos, respectivamente, de 16,4%, 28,1% e de 33,9%. As altas, neste caso, refletem a demanda externa ainda aquecida, a despeito da pandemia, sob a liderança da China, e baixos estoques do grão nos mercados internacionais.  O valor médio do minério de cobre saltou 51,0% na mesma comparação, mas sua participação na pauta de exportações limitou-se a 4,1% (e, em consequência, o impacto da alta foi menos relevante do que a do grupo soja). As exportações de milho sofreram baixa de 11,7% em valor, para US$ 51,937 milhões, enquanto os volumes despachados para o mercado externo despencaram 26,5% (para 228,217 mil toneladas). A elevação de 20,2% nos preços médios evitou uma retração ainda mais forte nas receitas. Os preços médios do couro exportado subiram 34,6%, turbinando o salto de 40,2% no valor total exportado pelos curtumes goianos, que atingiu US$ 33,184 milhões.

Balanço

  • Divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados do setor de serviços mostraram recuo na saída de fevereiro para março no País e em Goiás, com queda de 4,0% no primeiro caso e recuo de 0,7% no segundo. Diante da base já reduzida pelas medidas de isolamento social adotadas a partir da segunda quinzena de março do ano passado, a atividade apresentou crescimento de 4,5% em todo o País, a primeira taxa positiva em 13 meses, e um salto de 13,3% em Goiás.
  • Para comparação, em março do ano passado, os serviços haviam sofrido baixa de 6,0% no Estado, caindo 2,8% no restante do País, na comparação com igual mês de 2019.
  • O crescimento vigoroso registrado em março, mas igualmente enganoso diante de resultados muito negativos no ano passado, foi puxado pelos setores de transportes, armazenagem e correios, com avanço de 28,6%, e de serviços administrativos (que, além de outros, incluem locação de mão de obra, roupas, embarcações e maquinário agrícola, vigilância e segurança, limpeza e teleatendimento), com crescimento de 23,9%.
  • Os serviços prestados às famílias, diante das medidas de restrição à mobilidade das pessoas, despencaram 14,8% em março e fecharam o primeiro trimestre com perdas de 19,6% em Goiás. Esse tipo de serviço envolve restaurantes, lanchonetes, bares e hotéis, cinemas, casas de eventos e recreação, atividades mais afetadas pelas restrições impostas na tentativa de conter a disseminação do novo coronavírus.
  • A aceleração em março, antes de as restrições tornarem-se mais severas, levou o setor a acumular um avanço de 3,8% no primeiro trimestre, mas com perdas ainda de 5,7% em 12 meses. Na média brasileira, os serviços recuaram 0,8% no primeiro trimestre, marcando o quinto trimestre consecutivo de perdas para os serviços em geral, que não conseguiram ainda retomar sequer os níveis de fevereiro de 2020, registrando redução de 2,8% até março deste ano.
  • Em Goiás, a pesquisa do IBGE mostra que o nível de atividade dos serviços havia alcançado em março deste ano elevação de 6,2% em relação a fevereiro do ano passado. Parece muito, mas se comparado a fevereiro de 2014, quando o setor havia anotado seu melhor resultado, persiste uma retração de 22,3%. Para comparação, os serviços em todo o País estavam, em março passado, em torno de 13,6% abaixo de seu nível mais elevado, registrado em novembro de 2014.
  • Diante dos indicadores mais recentes, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) observa o cenário econômico com preocupação. “Em muitos aspectos, não fosse o atual número de vítimas da pandemia, março de 2021 parece uma reedição de 2020: surto de Covid-19, ausência de políticas emergenciais para lidar com seus efeitos econômicos e perdas importantes nos maiores setores da economia”. As perdas, prossegue o instituto,“só não foram tão graves quanto às do ano passado porque não se conseguiu avançar muito no lockdown e porque houve algum aprendizado, que permitiu o desenho de protocolos de segurança sanitária e um quadro menos intenso de incerteza”.
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