Preços mais altos explicam avanço de exportações (e de importações)
A alta dos preços das commodities agrícolas e minerais e ainda a valorização dos principais produtos importados por Goiás explicam o crescimento das vendas externas assim como das importações realizadas ao longo dos seis primeiros meses deste ano. Os volumes embarcados pelos exportadores goianos registrou forte baixa, refletindo principalmente o tombo nos embarques de soja em grão, explicado pelo corte nas compras da commodity pela China. No lado das importações, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram discreto recuo, puxado pela redução nos volumes importados de produtos químicos orgânicos, combustíveis e produtos de ferro e aço.
Como já registrado neste espaço (O Hoje, 07.07.2026), as exportações realizadas a partir de Goiás no primeiro semestre deste ano atingiram US$ 7,059 bilhões, no segundo melhor resultado para o período na série histórica da Secex, crescendo 7,36% em relação ao total exportado nos mesmos seis meses do ano passado, algo ao redor de US$ 6,575 bilhões. Entre os dois períodos, houve um ganho de US$ 484,173 milhões. Mas os volumes destinados pelas empresas do Estado a outros mercados fora do Brasil encolheram de 12,078 milhões para pouco mais de 10,779 milhões de toneladas, correspondendo a uma redução de 10,76% e aproximadamente 1,299 milhão de toneladas a menos.
O ganho na soma geral das receitas cambiais anotadas pelos exportadores veio exclusivamente do aumento de 17,06% registrados pelos preços médios de bens e produtos destinados ao mercado internacional, que tem reagido ao avanço de custos impulsionado pelos custos mais elevados do petróleo, fertilizantes e outros insumos, com destaque mais relevante para o agronegócio no caso goiano – considerando a participação de quase 82% das vendas externas do setor no valor total das exportações goianas.
Alta menor
As compras externas seguiram roteiro muito próximo, com os gastos em dólar avançando de US$ 2,692 bilhões para US$ 2,846 bilhões, num incremento de 5,74% (quer dizer, uma variação absoluta de aproximadamente US$ 154,001 milhões). Mas os volumes importados pelo Estado recuaram 0,68% entre o primeiro semestre do ano passado e idêntico intervalo deste ano, saindo de 1,177 milhão para 1,169 milhão de toneladas, em valores arredondados, o que correspondeu a 8,019 mil toneladas a menos, vale dizer, uma redução bastante modesta, praticamente uma estagnação. O custo médio em dólar dos bens e insumos importados pelo Estado, a se considerar os números trazidos pela Secex, experimentou uma elevação média de 6,45% ao longo do período analisado, portanto, abaixo do salto registrado pelos preços médios dos produtos exportados, o que se refletiu em uma ligeira melhora nos termos de troca. Mais claramente, houve um “barateamento” relativo dos custos dos importados dada a maior valorização comparativa das exportações, com ligeira baixa na renda transferida pelo Estado para o restante do mundo.
Balanço
A redução dos volumes embarcados pelo Estado na primeira metade do ano foi decisivamente influenciada pelo tombo de 15,25% nos embarques de soja em grão, que baixaram de 8,550 milhões para qualquer coisa em torno de 7,247 milhões de toneladas, ou seja, perto de 1,304 milhão de toneladas deixaram de ser exportadas pelo setor.
A China foi responsável integral pelas perdas nas exportações goianas de soja em grão, já que os embarques com destino final àquele mercado asiático encolheram 19,95% entre os dois semestres analisados, caindo de 7,129 milhões para 5,707 milhões de toneladas (ou seja, 1,422 milhão de toneladas a menos). A alta de 7,62% nos preços médios negociados com os chineses não foi suficiente para compensar a perda em volume, levando as exportações a uma redução de 13,85%, de US$ 2,778 bilhões para US$ 2,393 bilhões. Mas a China continuou respondendo por 78,75% de toda a exportação goiana do grão.
As vendas externas de soja para o resto do mundo, China excluída, até avançaram com certo vigor, mas evidentemente não compensaram as perdas geradas pelos compradores chineses. O restante dos países compraram quase 1,540 milhão de toneladas entre janeiro e junho deste ano, diante de 1,421 milhão de toneladas nos mesmos seis meses do ano passado, correspondendo a uma elevação de 8,37%.
Combinado com a alta de 7,25% nos preços médios de exportação, as vendas externas de soja em grão, ainda com a exclusão dos chineses, aumentaram de US$ 557,177 milhões para US$ 647,593 milhões, numa avanço de 16,23%.
A segunda maior contribuição negativa deve ser atribuída ao milho, que teve suas exportações reduzidas de 828,469 mil para 697,206 mil toneladas, caindo 15,83%, quase 131,263 mil toneladas a menos. Os preços do grão não ajudaram, mantendo-se praticamente nos mesmos níveis do ano passado, levando a uma diminuição de 15,88% nas receitas, reduzidas de US$ 188,094 milhões para US$ 158,232 milhões.
Milho e soja, nas estatísticas da Secex, definiram a redução dos volumes embarcados pelo Estado. Quando desconsiderados aqueles dois produtos, as exportações nos demais setores registram elevação de 5,02% em volume, crescendo de pouco menos de 2,700 milhões para 2,835 milhões de toneladas, algo como 135,572 mil toneladas a mais.
Os preços das principais commodities exportadas pelo Estado registraram valorização no primeiro semestre deste ano, com destaque para produtos do setor de extração mineral. As cotações do ouro, destaque absoluto na pauta goiana de exportações, saltaram 56,59% no semestre, num reflexo da onda de incertezas em toda a economia global, o que provocou uma verdadeira corrida nas compras do metal no mercado internacional.
Os minérios de cobre e seu concentrados, na média, anotaram alta de 42,63% nos preços de venda e responderam por 41,4% do crescimento das exportações totais do Estado. A carne bovina, nas variedades fresca e congelada, anotou elevação de 18,24% nos preços de exportação, tornando-se a principal influência para o avanço as exportações totais, com alta ainda de 12,26% nos volumes embarcados.
A indústria de exportação de óleo de soja conseguiu negociar o produto a preços 12,89% mais elevados, mas reduziu os volumes embarcados em 25,52%. O resultado foi ima receita 15,92% mais baixa, encolhendo de US$110,902 milhões para US$ 93,242 milhões.
Seguindo tendência inversa à média geral, o farelo de soja elevou os volumes em embarcados em 13,60% diante de uma elevação mais modesta dos preços, que avançaram 1,64%. Impulsionadas pelo maior volume vendido, as exportações do setor subiram de US$ 465,072 milhões para US$ 536,949 milhões, crescendo 15,46%.
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