Preços médios das exportações em Goiás crescem 23,7% no trimestre
A alta nos preços médios dos metais exportados pelo Estado, com destaque para ouro e minérios de cobre, assim como da carne bovina e mesmo da soja em grão, contribuiu para produzir uma melhora relevante nos chamados termos de troca, quer dizer, na relação entre os preços de bens e mercadorias exportadas por Goiás e os custos das importações, na média geral. Essa melhoria corresponde a uma menor transferência da renda gerada aqui dentro para fora do Estado, favorecendo, em princípio, o nível da atividade na economia internamente.
Os resultados das exportações, conforme já detalhado neste espaço (O Hoje, 09/04/2026), mostraram queda de 9,65% no acumulado do trimestre, explicado pelo tombo de quase 27% nos volumes embarcados, concentrado nas vendas externas de soja, reduzidas em quase 39% também em volume. Como parece nítido, a redução das receitas de exportação não acompanharam a retração nos volumes, o que se explica pela alta de 23,75% nos preços médios de tudo o que o Estado exportou nos primeiros três meses deste ano.
As perdas nas vendas para o mercado internacional, abrindo um rápido parêntese, ainda no primeiro trimestre, estiveram concentradas em março, com uma redução de 21,5% na comparação com o terceiro mês do ano passado. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em março deste ano, o Estado exportou US$ 1,164 bilhão, diante de US$ 1,483 bilhão em março do ano passado, significando US$ 318,890 milhões a menos. Para comparar, a perda em todo o primeiro trimestre havia alcançado US$ 282,153 milhões. Em volume, as exportações recuaram de quase 2,910 milhões para 1,914 milhão de toneladas entre março de 2025 e o mesmo mês deste ano, correspondendo a 995,599 mil toneladas a menos (ou seja, algo como 71,5% de toda a redução observada na comparação entre o primeiro trimestre do ano passado e os três meses iniciais deste ano). Fecha parêntese.
Compras externas
As importações sofreram menos, relativamente, apresentando baixa de 2,55% em valores e de 5,54% em volume. Os preços médios dos bens importados apresentaram variação bem menos intensa do que nas exportações, numa elevação de 3,16%. A relação entre preços médios de exportações e importações sugere uma melhora em torno de 20% no termos de troca, mas preservando uma distância considerável entre as duas pontas, já que as importações realizadas pelo Estado concentram-se em bens e insumos de valor agregado muito mais alto. Para registro, as compras de produtos e insumos farmoquímicos e farmacêuticos, veículos, tratores, peças e acessórios, caldeiras, máquinas e equipamentos mecânicos, máquinas e aparelhos elétricos e instrumentos e aparelhos de ótica e equipamentos médicos responderam por algo em torno de 73% de tudo o que o Estado comprou lá fora.
Balanço
A melhora está refletida numa redução relativa na relação entre preços nas exportações e custos nas importações. Na média, os preços dos bens exportados passaram a corresponder a 30,9% do valor médio das mercadorias importadas no primeiro trimestre deste ano. Para comparação, entre janeiro e março do ano passado, aquela relação variava em torno de 25,8%. Como se percebe, há uma distância ainda abissal entre as duas pontas, muito embora as diferenças tenham cedido neste começo de ano, em proporções não desprezíveis.
Em termos proporcionais, o ouro apresentou um dos ganhos mais importantes, com alta de 80,18% na comparação trimestral. A cotação do metal tem disparado no mercado internacional, refletindo a fuga dos investidores para ativos supostamente mais seguros (a exemplo do ouro), diante dos níveis crescentes de incertezas e de insegurança, acirrados pela guerra movida por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Minérios de cobre, na média, apresentaram alta de 35,24% na mesma comparação, ajudando a elevar as receitas de exportação no setor em 42,05% ao longo do trimestre analisado aqui. Os preços médios recebidos pelos exportadores de carne bovina cresceram em torno de 14,8% em idêntico período, com alta de 16,03% em volume e uma elevação de 33,25% nas receitas totais. No caso da soja, os preços experimentaram valorização de 4,90%, mas os volumes embarcados caíram quase 39% por conta de uma retração de 43,9% nos volumes destinados à China.
Em conjunto, aqueles quatro itens responderam por 59,1% de tudo o que o Estado exportou, com larga vantagem para a soja em grão (30,73% dos valores exportados por Goiás), seguido pelas carnes de bovino frescas e congeladas (18,81% do total). Se acrescentada à lista o óleo de soja, que teve seu preços elevados em 9,84%, a participação nas vendas externas totais sobe para qualquer coisa ao redor de 61%.
Alguns outros itens apresentaram igualmente ganhos nos preços médios de venda, mas em proporções mais modestas. Enquadram-se nesses casos os preços dos ferroligas, com variação de 2,80%, e das carnes de aves, que tiveram um incremento de 1,23%.
Os dados do trimestre da balança comercial goiana acrescentaram uma mudança relativa de tendência neste ano, quando tomado como parâmetro o perfil do saldo comercial em 2025, com ampla predominância chinesa. As exportações goianas para a China sofreram baixa de 34,64% no primeiro trimestre deste ano, saindo de US$ 1,443 bilhão para US$ 943,360 milhões – o que fez a dependência frente àquele mercado baixar de 49,37% para 35,72%.
As importações, ao contrário, avançaram ligeiramente, variando 6,60% e passando de US$ 306,098 milhões para US$ 326,312 milhões. Se as exportações sofreram perda de US$ 499,904 milhões, explicando com sobras toda a retração registrada pelas vendas externas totais do Estado, as importações chinesas elevaram-se em US$ 20,214 milhões.
A consequência mais óbvia foi uma redução vigorosa no saldo comercial goiano em relação aos chineses, despencando de US$ 1,137 bilhão (ou 72,23% do superávit goiano total) para US$ 617,048 milhões (ainda assim, com uma participação de 46,51% no total). Houve uma piora, no caso chinês, de US$ 520,119 milhões (lembrando que o superávit total de Goiás com o resto do mundo chegou a ser reduzido em US$ 247,706 milhões).
Com a exclusão da China da balança comercial, as exportações do Estado para os demais países cresceu 14,71% (de US$ 1,480 bilhão para US$ 1,698 bilhão), levando a um salto de 62,30% no superávit, que subiu de US$ 437,286 milhões para US$ 709,699 milhões, compensando parcialmente as perdas no mercado chinês.