Preços no atacado aceleram queda em julho (mas guerra complica cenário)
O cenário geopolítico global complicou-se a partir da segunda semana de julho, com a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, causando novo fechamento do Estreito de Ormuz e turbulências em cadeia nos mercados – o que tende a afetar em algum ponto os preços também no Brasil, que vinham ainda muito bem-comportados, levando as taxas de inflação para baixo. A complicação tem se agravado com a ofensiva premeditada e, portanto, arquitetada com evidente antecedência pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil, numa tentativa de subjugar a nação aos interesses de uma potência decadente e que reage erraticamente para evitar seu declínio.
Os preços do barril do petróleo tipo Brent fecharam a sexta-feira, 17, em US$ 88,13, valor mais alto desde 11 de junho, enquanto o petróleo tipo West Texas Intermediate (WIT) atingia US$ 82,47 – neste caso, a maior cotação desde 12 de junho, considerando apenas as últimas semanas. Em uma semana, os mercados registraram altas respectivamente de 16,13% e de 15,33%, deixando para trás a calmaria virtual observada entre o final de junho e o começo deste mês. Os preços não voltaram aos níveis registrados entre o final de março e começo de abril, quando as cotações haviam batido em US$ 118,34 no caso do Brent e em US$ 112,95 para o WTI, mas retomaram a tendência de alta estimulados mais uma vez pelos conflitos no Oriente Médio.
Até o momento, de toda forma, a tendência observada sobretudo nos mercados atacadistas continua sendo de baixa para a média dos preços, conforme mostram as pesquisas realizadas regularmente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). A mais recente, divulgada na sexta, 17, mostrou redução de 1,13% para o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) deste mês, medido entre 11de junho e 10 de julho. Trata-se de uma intensificação no ritmo de queda dos preços, conforme anota o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, já o IGP-10 de junho, aferido entre 11 de maio e 10 de junho, havia apontado recuo de 0,30%.
Baixas em sequência
Como mostram aqueles dados, o Ibre/FGV vinha observando uma sequência de resultados negativos desde a quadrissemana encerrada em 10 de junho, ampliada no fechamento daquele mês com baixa de 0,79% na medição do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), seguido por nova baixa, agora de 1,13% conforme já anotado, nas quatro semanas terminadas em 10 de julho. “Esse resultado foi consequência direta da redução das tensões entre os Estados Unidos e o Irã no Estreito de Ormuz, o que contribuiu para a queda dos preços do petróleo e de seus derivados, sobretudo dos combustíveis. Esses produtos têm reagido, com curta defasagem, às oscilações no preço do barril de petróleo, tanto no IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) quanto no IPC (Índice de Preços ao Consumidor)”, comenta o economista.
Balanço
Dias observa, no entanto, que em alguns casos o recuo “não ocorreu de forma imediata”, já que “há itens da cadeia petroquímica cuja dinâmica é distinta e que operam com defasagens mais longas”. Ele cita como exemplo os preços dos óleos lubrificantes, que apresentam uma “dinâmica distinta e que operam com defasagens mais longas”. Neste caso, foram registradas altas de 21% em junho e de 13% nos 30 dias concluídos no dia 10 de julho.
O economista do Ibre/FGV considera ainda que a “elevada incerteza observada no período tem provocado pressões na cadeia global de suprimentos, com escalada dos fretes marítimos, volatilidade cambial e alta dos óleos básicos”, o que gera “aumento de custos nos contratos”.
A escalada recente das tensões entre EUA e Irã, prossegue Dias, e a “persistência de seus impactos sobre os preços do petróleo” geram a expectativa de “manutenção da pressão sobre os óleos derivados ao longo do mês, com consequente repasse de custos em diferentes etapas da cadeia produtiva”.
Ainda não há clareza, no entanto, sobre quando e em que intensidade aquelas pressões tenderão a mexer em custos e preços na economia, já que esses movimentos dependerão de um fator imponderável, a saber, o comportamento e as reações de um governo notoriamente errático e os rumos da guerra daqui para frente.
Os dados disponíveis até mostram que o IPA, que entra com peso de 60% no cálculo dos IGPs, tem sido o principal fator para a redução das pressões inflacionárias. No IGP-10, o índice que acompanha os preços ao produtor saiu de uma queda de 0,71% em junho para 1,76% em julho, considerando o período entre os dias 11 de junho e 10 deste mês. Para comparar, nos 30 dias de junho, o IPA havia recuado 1,36% (o que significa que a tendência de baixa continuou ganhando fôlego nos 10 primeiros dias de julho).
Dentro do IPA, as maiores baixas em julho vieram das matérias-primas brutas, que tiveram os preços reduzidos em 4,47%, e de produtos industriais, em baixa de 2,21%. Minério de ferro e óleo diesel tiveram os preços reduzidos em 5,02% e 6,69% respectivamente.
O IPC, que havia registrado elevação de 0,56% em junho (na verdade, entre 11 de maio e 10 de junho), passou a anotar variação de 0,23% na aferição realizada entre 11 de junho e 10 de julho. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que segue a mesma metodologia, mostrou que a alta de preços nesta área continuou a perder força em julho, já que a taxa de variação recuou para 0,20% nas quatro semanas concluídas em 15 de julho.
Nesse acompanhamento mais recente, igualmente realizado pelo Ibre/FGV, os preços dos alimentos registram baixa de 0,33%, com quedas de 10,14% para os preços do tomate, de 6,51% para a batata inglesa, de 8,33% para o mamão papaya e de 2,60% nos preços do café cobrados do consumidor final. Os preços do vestuário, que já vinham caindo desde o final de junho, voltaram a apresentar baixa, agora de 0,80%.
Entre os oito grupos de despesas acompanhados pelo Ibre/FGV dentro do IPC-S, seis registram desaceleração na velocidade das altas ou queda mesmo e apenas dois tiveram os aumentos acelerados – casos dos grupos “educação, leitura e recreação”, que saíram de 0,58% na primeira quadrissemana de julho para 0,69% na segunda (com aumentos de 7,62% para as passagens aéreas e de 4,63% para combos de telefonia, internet e tevês por assinatura); e ainda da comunicação, que teve custos elevados em 1,73%.
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