quarta-feira, 17 de junho de 2026

Preços no atacado anotam baixa nos dez primeiros dias de junho

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 17 de junho de 2026

A perspectiva de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, até aqui ainda apenas mera expectativa alimentada sobretudo pelo histrionismo do presidente estadunidense, ainda não estava de fato “no ar” quando a equipe de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) saiu a campo para pesquisar o comportamento dos preços nos mercados de atacado e varejo, cobrindo também o setor da construção civil. O levantamento ocorreu entre os dias 11 de maio e 10 de junho, com os resultados consolidados no Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), que passou a apontar um recuo de 0,30% na média geral, depois de uma alta de 0,89% na aferição realizada entre 11 de abril e 10 de maio.

Até àquela altura, os preços do barril do petróleo tipo Brent ainda rondavam a casa dos US$ 93,10 – já abaixo dos níveis alcançados no final de abril, mais próximos de US$ 118, numa redução de 21,1%, mas 39,2% mais altos do que no mesmo período do ano passado. No fechamento de ontem, o barril já demonstrava queda de 14,66%, para US$ 79,45, reduzindo a diferença para as cotações alcançadas um ano antes, mas numa elevação ainda de 10,4%.

Certamente, os efeitos do encarecimento do petróleo e das incertezas agudas detonadas pelo conflito no Oriente Médio ainda continuarão pressionando a economia global por um tempo mais longo, a depender do sucesso (ou malogro) das negociações em curso, esfriando o comércio e a atividade econômica ao redor do planeta e gerando pressões de custos e mais inflação.

 

Copom e juros

De qualquer maneira, a leitura dos dados neste momento sugere um alívio evidente no ritmo de alta dos custos no mercado atacadista aqui dentro, o que pode antecipar pressões inflacionárias decrescentes sobre os preços cobrados dos consumidores na ponta final do varejo, trazendo a inflação para níveis mais reduzidos. Essa combinação de fatores poderia, por exemplo, influenciar nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), já que a reunião a ser concluída hoje, 17, deverá trazer uma redução bastante tímida dos juros básicos, repetindo a rodada anterior, quando a taxa foi cortada em apenas 0,25 pontos percentuais, para 14,50% ao ano, algo como pouco mais de 9,0% ao ano em termos reais. As apostas do mercado financeiro indicam um recuo da taxa básica para 14,25%, o que manterá os juros reais não muito distantes de 8,5% ao ano, a se considerar a projeção mediana do setor financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano, atualmente em 5,30% em 12 meses.

 

Balanço

O principal fator por traz da queda do IGP-10 em junho veio do comportamento baixista dos preços no atacado, com pressões de queda vindo de matérias primas brutas, que caíram 2,39% entre 11 de maio e 10 de junho. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que entra com peso de 60% na composição do IGP, saiu de uma alta de 0,95% na medição anterior para queda de 0,71%, levando a taxa acumulada em 12 meses até 10 de junho deste ano para 0,99%. O resultado contribuiu ainda para limitar a variação do IPGP-10 em 12 meses a 2,15%.

Dentro do IPA, foi registrada ainda desaceleração no ritmo de alta dos bens finais, saindo de 0,81% para 0,49% (respectivamente entre 11 de abril a 10 de maio e de 11 de maio a 10 junho), e dos preços de bens intermediários, passando de 2,41% para 0,57%. Considerando a origem de insumos e matérias primas, os produtos agropecuários já haviam recuado 0,26% no levantamento imediatamente anterior e anotaram baixa de 0,09% em junho, neste caso, numa tendência de desaceleração na queda.

No caso dos produtos industriais, a alta de 1,34% cedeu espaço para uma queda de 0,91%. Nas séries especiais do IPA, os preços dos bens finais, com exclusão de alimentos in natura e de combustíveis destinados ao consumo, recuaram 0,14% em junho (na verdade, entre 11 de maio a 10 de junho), depois de alta de 0,79% na pesquisa anterior.

Entre os bens intermediários, quando excluídos combustíveis e lubrificantes destinados à indústria, os preços passaram a subir 0,24% nas quatro semanas terminadas em 11 de junho depois de alta de 1,98% nos 30 dias imediatamente anteriores.

Entre as maiores influências negativas, o acompanhamento do Ibre/FGV relaciona quedas de 9,51% nos preços do café, de 4,51% para a cana de açúcar e de 1,30% para bovinos, com baixas ainda de 7,60% para o etanol anidro e de 3,09% nos preços do diesel. Mas houve pressões altistas também: os preços da batata inglesa, do leite in natura, do feijão, soja e óleos lubrificantes registraram aumentos, respectivamente, de 51,23%, 4,74%, 18,14%, 1,26% e de 21,55%.

Os preços no varejo igualmente passaram a anotar alguma desaceleração, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no cálculo do IGP, saindo de 0,68% para 0,56%. No acompanhamento realizado pelo instituto para aferir a variação do IPC-S, que acompanha as variações de preços a cada quadrissemana, o índice saiu de uma variação de 0,64% nos 30 dias encerrados ao final da primeira semana de junho para 0,57% na quadrissemana terminada no dia 15 passado, sugerindo uma estabilidade virtual no índice ao se considerar a variação registrada no período de quatro semanas até 10 de junho.

Ainda no caso do IPC-S, os preços médios do grupo alimentação, que haviam subido 1,57% até o final da primeira semana do mês em curso, anotaram variação de 1,30%. Os custos de transportes, sob efeito das quedas de 1,50% nos preços da gasolina e de 6,41% para o etanol, recuaram 0,44%. No grupo habitação, a variação média dos preços passou de 1,0% para 0,82%, principalmente devido à menor variação observada para as tarifas de energia elétrica residencial, com o aumento saindo de 3,07% para 2,34%.

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