sexta-feira, 19 de junho de 2026

Prefeitos querem mais atenção para os problemas do Brasil real

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 23 de maio de 2026
Prefeitos querem mais atenção para os problemas do Brasil real
Ilustração: Takeshi Gondo

A 27ª Marcha dos Prefeitos terminou em Brasília deixando uma reclamação que já atravessou governos de diferentes matizes ideológicos sem solução: a conta dos municípios brasileiros não fecha. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que 54% das prefeituras encerraram o último exercício com déficit primário. Em Goiás, a fotografia é a mesma. Mais da metade das 246 cidades também fecharam no vermelho. O Brasil real vive nos municípios e não nos palácios ou nas salas dos poderosos de plantão.

Diante desse cenário, a CNM defende medidas para ampliar receitas. Entre elas, mudanças na divisão dos royalties do petróleo e um adicional de 1,5% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mês de março, período marcado pela queda dos repasses. Para o advogado Nayron Toledo, mestre em Direito Constitucional Econômico, essas medidas “se tratam apenas de remendos, pois aliviam a falta de caixa no curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural”. E muitos prefeitos já começaram a ter a mesma percepção. Não basta mais recursos. É necessário um novo pacto federativo.

Uma visão compartilhada também pelo advogado Anderson Rosa. Ele lembra que esse centralismo não é de ontem. A Constituição Federal carrega vícios herdados do Império. As capitanias hereditárias, que serviram de referência para a formação dos Estados, sempre estiveram subordinadas à Monarquia. Apesar de termos trocado a Monarquia pela República, o centralismo continuou.

Os dados da Receita Federal ajudam a entender a irritação dos prefeitos. Hoje, 67,8% de tudo que se arrecada no País fica com a União e os Estados, com 27,2%. Aos municípios restam apenas 7,2%. Justamente o ente mais próximo do cidadão e que é responsável pela zeladoria do interesse coletivo. Entre essas demandas, uma das mais importantes é a educação básica. Além disso, em boa parte dos municípios, uma grande parcela dos alunos é da zona rural, o que amplia ainda mais os custos com transporte escolar. E segundo dados da CNM, só o piso salarial dos professores já compromete 88% dos recursos do Fundeb. Somam-se a isso outras responsabilidades dos prefeitos, como manutenção asfáltica, coleta de lixo, poda de árvores, jardinagem e outros serviços. A sensação geral é a de que Brasília arrecada, cria obrigações e, no final do dia, é o prefeito que tem que explicar para a população por que o serviço público não funciona.

Revisão do pacto federativo
Entre os presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) já assumiram o compromisso de rever o pacto federativo caso cheguem ao Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro (PL) passou ao largo do tema. Já Lula (PT) preferiu não comparecer, delegando ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a missão de representar o governo. Embora o tema seja antigo, agora tem ganhado tração devido à penúria em que se encontra a maioria dos municípios.

Dança das cadeiras
De acordo com informações repassadas à coluna, dos 12 partidos que estão na base de sustentação política da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), o MDB é o que ocupa a maioria dos cargos comissionados. E são muitos, mas “proporcionais à importância da legenda, que tem um deputado federal, quatro distritais, um ex-governador e o comando da Câmara Legislativa”, pondera um aliado de Celina. No entanto, a governadora precisa formatar o governo a seu estilo de trabalho, por isso, a troca de alguns cargos.

Sem surpresas
Não causou surpresas aos operadores do direito que atuam em Brasília, principalmente nos tribunais superiores, STJ e STF, o parecer da ministra Cármen Lúcia, relatora das alterações aprovadas pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa. Agora os ministros têm até o dia 29 deste mês para julgar a constitucionalidade da lei. O julgamento é virtual e o resultado só deve sair lá pelo meio da próxima semana.

Aqui é meu lugar – Depois de cumprir agendas dia sim, outro também no Entorno do DF, nas cidades de Formosa e Luziânia, o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), aterriza em Santo Antônio do Descoberto neste sábado (23), onde será recebido pela prefeita Jéssica do Premium (UB).

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