Prefeitura multiplica investimentos em 14 vezes no segundo bimestre
A prefeitura de Goiânia decidiu pisar fortemente no acelerador dos investimentos no segundo bimestre deste ano, numa tentativa de compensar a letargia relativa observada nesta área principalmente nos meses iniciais do ano passado. Em março e abril do ano passado, os investimentos municipais haviam se limitado a R$ 12,283 milhões, correspondendo a apenas 0,89% da receita corrente líquida realizada naquele bimestre. Neste ano, considerando os mesmos dois meses, a prefeitura despejou em torno de R$ 173,604 milhões na conta do investimento, num salto de 14,13 vezes em relação a igual bimestre do ano passado. Aqueles valores passaram a representar 11,90% da receita líquida do bimestre.
O incremento refletiu-se no total do investimento efetivamente pago ao longo dos quatro primeiros meses deste ano, que aumentaram em quase dez vezes diante do primeiro quadrimestre do ano passado, saltando de meros R$ 33,925 milhões para R$ 326,757 milhões – uma alta de 863,17%. A elação entre investimento e receita corrente líquida, em igual intervalo, avançou de 1,07% para 9,93%. Aqueles valores correspondem a investimentos pagos, somados a restos a pagar processados e não processados também pagos no período, correspondendo a compromissos contratados em exercícios anteriores e que ainda não haviam sido pagos.
De volta aos dados do segundo bimestre, segundo o relatório resumido da execução orçamentária municipal, a receita primária experimentou perda de fôlego ao cair 19,53% frente ao primeiro bimestre e avançar 5,01% em relação ao segundo bimestre do ano passado, atingindo R$ 1,583 bilhão em igual bimestre deste ano. Mas as despesas primárias pagas cresceram 17,66% sobre o bimestre março e abril de 2025, saindo de R$ 1,435 bilhão para praticamente R$ 1,689 bilhão.
Descompasso
O descompasso entre receitas e despesas levou a uma mudança intensiva de sinais no resultado primário, que havia indicado um superávit de R$ 72,587 milhões na soma de março e abril de 2025. No segundo bimestre deste ano, as despesas superaram as receitas primárias, deixando um déficit de R$ 105,398 milhões, equivalente a 7,22% da receita corrente líquida. Para comparação, no primeiro bimestre deste ano, a prefeitura havia anotado superávit primário na faixa de R$ 374,965 milhões em valores nominais, o que, na verdade, não foi precisamente um grande feito quando se considera que as contas primárias, excluindo gastos com amortizações e juros, haviam sido superavitárias em R$ 638,832 milhões nos primeiros dois meses de 2025 – o que significa dizer que o saldo havia encolhido 41,3% no bimestre inicial deste ano, numa redução de R$ 263,867 milhões. As estatísticas mais recentes parecem configurar, desta forma, uma tendência de piora relativa, embora os números estejam longe de apontar um cenário de gravidade maior.
Balanço
Nos quatro primeiros meses deste ano, as receitas e despesas primárias atingiram, respectivamente, R$ 3,551 bilhões e R$ 3,282 bilhões, o que se compara, na mesma ordem, com R$ 3,445 bilhões e R$ 2,733 bilhões em igual quadrimestre do ano passado. Nessa comparação, as receitas apresentaram variação muito mais tímida, numa evolução nominal de apenas 3,10% (algo como R$ 106,662 milhões a mais). A variação não repõe sequer a desvalorização causada pela inflação, que em Goiânia acumulou variação de 5,01% nos 12 meses terminados em abril deste ano. Ao descontar a inflação, restaria uma perda de 1,82% em termos reais.
No caso das despesas, os dados do relatório resumido da execução orçamentária apontam um salto de 20,07% (algo como 14,3% a mais em termos reais), num acréscimo de R$ 548,514 milhões, ainda em termos nominais. O resultado dessa combinação foi um tombo severo no resultado primário, embora este tenha se mantido positivo.
De fato, o superávit primário desabou de R$ 711,419 milhões, em torno de 22,49% da receita corrente líquida, para aproximadamente R$ 269,567 milhões, derrubando a relação com a receita líquida para 8,19%.
Ainda no lado das despesas primárias, os gastos com a folha de servidores municipais apresentaram variação de 6,96% entre os quatro meses iniciais do ano passado e igual quadrimestre deste ano, variando de R$ 1,369 bilhão para R$ 1,464 bilhão, numa variação muito próxima de R$ 95,346 milhões.
As demais despesas correntes, que incluindo gastos com manutenção, limpeza, segurança, materiais de escritório e toda sorte de gastos para sustentar a operação dos serviços públicos municipais, cresceram em velocidade relativamente mais acentuada. Aquelas despesas subiram de R$ 1,034 bilhão no acumulado entre janeiro e abril do ano passado para R$ 1,191 bilhão neste ano, demonstrando um avanço de 15,20% em termos nominais.
Como resultado, as despesas primárias correntes cresceram de R$ 2,403 bilhões para R$ 2,656 bilhões, num incremento de 10,51% (em torno de R$ 252,513 milhões a mais, dos quais praticamente dois terços vieram do salto nas demais despesas correntes).
As principais receita observaram um desempenho comedido, com exceção para o Imposto Sobre Serviços e Qualquer Natureza (ISS) e para o grupo “outros impostos, taxas e contribuições de melhoria”, que concentraram as maiores altas entre as fontes próprias de arrecadação.
O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que havia sofrido recuo de 1,08% no primeiro bimestre, passou a registrar tímida variação nominal de 0,17% no fechamento do primeiro quadrimestre, saindo de R$ 661,832 milhões no ano passado para R$ 662,968 milhões. Na prática, o imposto continuou em baixa quando descontada a inflação, indicando uma queda real de 4,6%.
A arrecadação do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) chegou a crescer 5,45%, de 115,219 milhões para R$ 121,50 milhões. Mas o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), incidente sobre a folha de salários do município, que já havia desabado 56,12% no primeiro bimestre, encerrou o quadrimestre com perda de quase 30,0% ao desabar de R$ 242,651 milhões para R$ 169,987 milhões.
O ISS e o grupo “outros impostos” apresentaram, respectivamente, altas de 12,13% e de 114%, atingindo, na mesma ordem, R$ 541,864 milhões e R$ 148,427 milhões.
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