Psicanalista Lucas Lujan pensa o amor além da idealização romântica em nova obra
Se o mundo contemporâneo parece insistir em relações cada vez mais utilitaristas, o psicanalista Lucas Lujan publica Amar para não ser em vão – Notas para pensar o amor como um convite para pensar o afeto distante das lentes da produtividade. Frente a um contexto que exige pressa, performance e eficiência até mesmo nos relacionamentos, o que significa continuar amando com calma, com tempo e apesar das dores?
No livro, o autor desenvolve dois conceitos: o “amor nascente”, ligado ao desejo de completude e à idealização, e o “amor poente”, relacionado ao cuidado, à liberdade e à capacidade de sustentar a falta em si e no outro. Para atravessar esses temas, ele aproxima as reflexões filosóficas da literatura e da música ao referenciar nomes como bell hooks, Adélia Prado, Manoel de Barros, Mia Couto, Carlos Drummond de Andrade, Milton Nascimento e Tulipa Ruiz.
Entre observações sobre o amor em diferentes âmbitos, como o romântico, o familiar, o fraternal e o filial, a obra propõe aos leitores ponderar sobre as próprias experiências pessoais e entender como esse sentimento não elimina a solidão. Ele, na verdade, é capaz de construir sentido, intimidade e presença — elementos necessários para a vida em sociedade.
A publicação é dividida em nove capítulos cujos títulos trazem múltiplos significados para o sentimento: existir, representar, comungar, entrelaçar, brincar, encorajar, desfrutar, amar e perder. Lucas Lujan não tenta reduzir o amor em algumas palavras, nem se atreve a tarefa impossível, porque busca entender o tema enquanto permanece diante de seu mistério inerente.
“Percebi, tanto na clínica quanto na vida, que muitas pessoas sofrem tentando transformar o amor em uma experiência de completude, como se amar fosse encontrar alguém capaz de preencher todos os vazios, eliminar as faltas e encerrar a solidão. Quis escrever um livro que ajudasse a pensar o amor para além dessa idealização romântica, não como promessa de perfeição, mas como presença, liberdade e companhia”, explica o escritor.
Apesar de estar entrelaçada à psicanálise e a alguns de seus conceitos fundamentais, Amar para não ser em vão é uma obra híbrida que circula entre o ensaio, a ficção e a reflexão existencial. Ao percorrer diferentes formatos, apresenta uma linguagem próxima ao cotidiano para alcançar as pessoas com interesse em temas como as relações humanas, o sofrimento na contemporaneidade, a saúde emocional e a filosofia do dia a dia.
O autor
Lucas Lujan é psicanalista, escritor e pesquisador. Mestrando em Psicologia Social pela PUC-SP, é pós-graduado em Saúde Mental e em Filosofia Contemporânea e História, além de bacharel em Teologia e formado em Psicanálise pelo CEP. Pesquisa nas áreas de teoria social, filosofia, religião e psicanálise, com atuação em grupos vinculados à USP e à PUC-SP. É autor dos livros Amar para não ser em vão: notas para pensar o amor e Tamanho de Flor, além de coautor de obras sobre teoria e prática psicanalítica.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.