PT articula MDB na vice de Lula e Alckmin governador de São Paulo
Os ventos da política sopram a todo momento para todos os lados. Por isso, o que há pouco era fato consumado, de repente não é bem assim. Nesta tarde de quinta-feira (5), circulou no meio político de Brasília que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia articulações para ter o MDB como vice. O que motiva essa troca de partido na chapa de vice são os sinais de que o PSD caminha para construir uma terceira via presidencial. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, conta com três candidatos na corrida presidencial: os governadores em final de mandato Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite.
Do outro lado, embora parte do MDB resista em apoio total a Lula, o partido ocupa três ministérios no governo petista e, como de sempre, a ala nordestina está alinhada com o presidente. De acordo com O Globo, os possíveis nomes cotados para vice de Lula são o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho. Até onde as vistas alcançam, eles têm planos eleitorais em seus Estados, mas, desde a derrota de Ulisses Guimarães em 1989, o MDB nunca mais se uniu. No entanto, Lula daria uma grande tacada se conseguir deslocar Geraldo Alckmin para disputar o governo de São Paulo.
Resta saber se o PSB não vai espernear, mas esse arranjo ajudaria Lula com um generoso tempo de TV, rádio e milhões de votos de centro para compensar a perda do PSD. Alckmin candidato a governador de São Paulo forçaria um segundo turno e Tarcísio de Freitas não teria como ajudar Flávio Bolsonaro fora do Estado. Se esse arranjo for concretizado por Lula, o pré-candidato a governador de Goiás pelo MDB, Daniel Vilela, assim como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, hoje não apoiam Lula. Mas em um eventual segundo turno tudo é possível.
PSD antipetista e não bolsonarista
Ao reunir Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite como pré-candidatos a presidente da República, Gilberto Kassab quer consolidar o PSD como antipetista, mas não bolsonarista. A estratégia é demarcar território e mostrar ao eleitor que não simpatiza com Lula (PT), que existe vida inteligente além do bolsonarismo. Desde a redemocratização, com o PT se tornando o principal partido do País, a política brasileira passou a se organizar entre petismo e antipetismo, sendo esse segundo bloco representado na maior parte do tempo pelo PSDB. E é justamente aqui que Gilberto Kassab tenta posicionar o PSD: um partido antipetista, de centro-direita, com perfil moderado e menos vinculado ao bolsonarismo.
Bloco de votos
O cálculo político de Kassab parte de uma leitura de blocos: cerca de 30% votam em Lula em qualquer cenário, outros 30% votam no nome indicado por Bolsonaro, hoje Flávio, o filho 01, e há um contingente de aproximadamente 40% que oscila conforme o contexto. A aposta é que, se chegar ao segundo turno, o candidato do PSD se tornaria competitivo em qualquer combinação.
Desafio de chegar
O desafio está no primeiro turno. Não é fácil reunir esse eleitorado intermediário, pois, diferente do petismo e do bolsonarismo, é amplo e heterogêneo, reunindo gente de todas as cores, classes e crenças, o que torna difícil unificar tudo sob um único discurso. É uma aposta de risco, mas que reflete a decisão de Kassab de tirar o PSD da posição de satélite e colocá-lo como protagonista nacional.
SD federal
Ainda sobre a nominata para deputados federais do Solidariedade, coordenada pelo presidente da legenda em Goiás, Denes Pereira, que aglutina nomes com densidade eleitoral. Encabeça a lista Denes Pereira, craque em montagem de chapa legislativa, o ex-candidato a deputado estadual por Luziânia, Ariel Júnior (20.510 votos), Dra. Cristina, ex-vereadora por dois mandatos em Goiânia, deputado estadual Lincoln Tejota (41.456 votos) e a ex-candidata a prefeita de Valparaíso, Maria Yvelonia. Esse é o time do Solidariedade comandado por Denes Pereira para disputar vaga de deputado federal.
Bom para Izalci
No Distrito Federal, o Senador Izalci Lucas deve ter ficado animado com a meta de Flávio para que o PL tenha candidatos ao governo em toda a federação. Para quem se lembra bem, ele trocou o PSDB pelo PL justamente com a promessa de ser o candidato do partido ao Palácio do Buriti.
Liberar geral – Esse foi o sentimento dos operadores do direito não engajados e a maioria que pensa seriamente no País. Interpretaram o discurso como ‘liberou geral” dos ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ao se posicionarem contra normas éticas na Corte.