quinta-feira, 15 de outubro de 2026

PT depende do PSOL para mobilizar jovens de esquerda

Wilson Silvestrepor em
PT depende do PSOL para mobilizar jovens de esquerda
Incapaz de atrair o eleitorado de centro, hoje de namoro declarado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), restou ao PT radicalizar o discurso para manter a militância engajada, seja nas redes sociais ou nas ruas Ilustração: Takeshi Gondo

O lulopetismo, portanto, não só envelheceu, como se afastou das próprias bases

Legenda: Incapaz de atrair o eleitorado de centro, hoje de namoro declarado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), restou ao PT radicalizar o discurso para manter a militância engajada, seja nas redes sociais ou nas ruas

Depois de superar Leonel Brizola (PDT) e levar Fernando Collor (então no PRN) ao segundo turno da eleição presidencial de 1989, mesmo com a derrota, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou a maior figura política não só da esquerda, mas da própria Nova República. Agora caminha para sua última eleição sem deixar herdeiro, apesar das tentativas, todas frustradas, de Ciro Gomes (PSDB-CE) e Marina Silva (Rede-SP), de herdar o posto.

Incapaz de atrair o eleitorado de centro, hoje de namoro declarado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), restou ao PT radicalizar o discurso para manter a militância engajada, seja nas redes sociais ou nas ruas. Não é coincidência, portanto, que em muitas agendas quem tem representado o petista é Guilherme Boulos, ex-PSOL-SP e hoje no PT. Isso porque nomes tradicionais do partido, como José Dirceu (PT-SP) e Delúbio Soares (PT-GO), envelhecidos, são mais vistos em reuniões fechadas do que em palanques. É que são os psolistas que têm mais trânsito entre os jovens, eleitorado com tempo de sobra para militar no X (antigo Twitter) e ocupar a Avenida Paulista. O trabalhador, esse, está preso em um ônibus lotado ou em um almoço de família no domingo.

O lulopetismo, portanto, não só envelheceu, como se afastou das próprias bases. Resta agora se ‘psolizar’, na esperança de ter o voto do eleitorado jovem, já que o trabalhador, esse mesmo que o PT diz representar, migrou para a direita em busca de menos imposto e mais liberdade. A esquerda pós-Lula caminha, assim, para ter muito mais cara de Erika Hilton (PSOL-SP) e Jones Manoel (PSOL-PE) do que de Tabata Amaral (PSB-SP) e João Campos (PSB-PE).

Celina não baixa a guarda

“Não é hora de parar. É hora de a gente continuar engajado. Toda a nossa militância nas ruas e levando o nosso projeto, que a gente não tem dúvida que é o melhor”, resumiu a governadora do DF, Celina Leão (PP), ao Correio Braziliense. Sua mensagem mostra sua disposição e de seus apoiadores na disputa do segundo turno. Celina não quer ver nenhum aliado de “salto alto”.

Prestação de contas

O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, encaminhou à Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof) da Câmara Legislativa o Relatório de Avaliação do Cumprimento das Metas Fiscais referente ao 2º quadrimestre de 2026. O documento apresenta um panorama das contas públicas da gestão da governadora Celina Leão (PP) de janeiro a agosto deste ano. Nesta quinta-feira (15), pela manhã, técnicos da Seec vão apresentar o relatório em audiência pública que acontece a partir das 11h.

Sem oposição

As constantes aparições do governador Daniel Vilela (MDB) ao lado do senador eleito pelo PL Gustavo Gayer, partido que teve o senador Wilder Morais como candidato a governador pela oposição, sugere que a legenda vai se alinhar com o Palácio das Esmeraldas. Caso ocorra esse arranjo, Daniel repete o antecessor, Ronaldo Caiado (PSD), que governou sem oposição. Pelas notas plantadas na mídia, Gayer tem o maior interesse em assumir o controle do PL goiano e transformar o partido em um ‘puxadinho’ do MDB.

Centrão se movimenta

O Centrão se movimenta antes da próxima legislatura e marca território com força ao unir o União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos em um bloco. Após reunião nesta quarta (14), essas legendas falaram em uma “Câmara plural, independente e aberta ao diálogo com todas as correntes políticas, garantindo espaço a todos os 513 deputados”. A nota diz que o bloco “caminhará unido na eleição da Mesa Diretora e o presidente Hugo Motta terá nosso apoio para iniciar o diálogo em busca de convergência”.

Teste de força – O ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcado para sábado (17), em Salvador (BA), será um teste de popularidade e força política decisivo para saber se o baiano merece uma cadeira na eventual Esplanada dos Ministérios de Flávio.

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