Quase 12,0 milhões de trabalhadores deixam subemprego em mais de 6 anos
Para uma economia que não cresce, na visão de alguns analistas mais alinhados ao setor financeiro do País, o mercado de trabalho continua oferecendo evidências em contrário, com quebra de recordes para o total de trabalhadores ocupados e para a massa total de rendimentos reais, entre outras marcas igualmente relevantes. A taxa de desocupação manteve-se, no terceiro trimestre, entre as mais baixas da série histórica, atingindo 5,2% – índice muito próximo daquele registrado no quarto trimestre do ano passado, quando o desemprego havia alcançado 5,1% da força de trabalho em todo o País, a menor taxa desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) começou a ser divulgada na versão atual pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012.
O nível de ocupação igualmente foi o mais elevado da série para o trimestre, algo próximo de 59%, praticamente empatado com o indicador registrado no trimestre finalizado em novembro de 2025. Isso significa que quase seis entre 10 pessoas com 14 anos ou mais estavam ocupadas no terceiro trimestre deste ano. Para comparação, o nível de ocupação havia alcançado 55,76% no trimestre finalizado em fevereiro de 2020, antes da pandemia de Covid-19, e registrou, portanto, uma elevação de 3,22 pontos percentuais desde lá.
As estatísticas apuradas pelo IBGE por meio da PNADC ao longo de todo aquele período mostram, por exemplo, que a reação do mercado foi mais notável no intervalo entre o trimestre final de 2022 e o terceiro trimestre deste ano. Indicam, ainda, forte redução no número de trabalhadores “subutilizados” – contingente que inclui desempregados; aqueles ainda ocupados, mas com carga horária inferior à necessária para fazer frente às necessidades de sua família; desalentados por falta de empregos mais qualificados e de salários mais dignos ou ainda outros fora da força de trabalho, mas que desejariam trabalhar. Desde o trimestre concluído em fevereiro de 2020, a “subutilização” sofreu baixa de 44,40%, o que correspondeu à saída de 11,857 milhões de trabalhadores da condição de “subutilizados”.
Menor oferta
Essa redução ajuda a explicar, por exemplo, uma aparente perda de velocidade no crescimento do emprego, numa tendência mais recente, e ainda as dificuldades enfrentadas por alguns setores da economia para contratar pessoal, possivelmente relacionada à menor oferta de mão de obra, como sugerem os dados da PNADC. A tendência talvez explique, da mesma forma, a manutenção do rendimento real médio dos trabalhadores em níveis historicamente elevados.
Balanço
A PNADC registrava 26,703 milhões de pessoas “subutilizadas” no trimestre entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020. O dado soma trabalhadores desempregados, aqueles ainda ocupados mas com deficiência de horas trabalhadas (quer dizer, trabalhando por um número de horas insuficiente para assegurar seu sustento) e pessoas na força de trabalho potencial – incluindo desalentadas ou outras disponíveis para trabalhar, mas circunstancialmente fora do mercado.
Aquele total caiu para 14,846 milhões no terceiro trimestre deste ano (quer dizer, apenas para reforçar, nada menos do que 11,857 milhões a menos). Mais da metade dessa queda ocorreu a partir do final de 2022. Para comparar, o número de “subutilizados” somava perto de 20,934 milhões no quarto trimestre de 2022, caindo em mais 6,088 milhões até o terceiro trimestre deste ano, num tombo de 29,10% no período.
A taxa composta de subutilização baixou de 23,6% em fevereiro de 2020 para 18,5% ao final de 2022, com a pandemia já praticamente controlada e a atividade econômica retomando aos poucos seu ritmo, baixando para 13,0% na aferição mais recente – um índice ainda elevado, mas 10,6 pontos abaixo dos níveis prevalecentes antes da pandemia.
Em pouco mais de cinco anos e meio, a queda no total de desempregados respondeu por 57% da redução no número de “subutilizados”. Em fevereiro de 2020 e setembro deste ano, sempre tomando trimestres finalizados em cada um daqueles meses, o número de trabalhadores desempregados desabou 54,58%, saindo de 12,392 milhões para 5,628 milhões, ou seja, perto de 6,764 milhões a menos. Em termos absolutos, aquele total foi o segundo mais baixo da série, acima apenas dos 5,503 milhões de desempregados computados no quarto trimestre de 2025.
O total de desalentados desabou 46,87% desde fevereiro de 2020, baixando de 4,628 milhões para 2,459 milhões, algo como 2,169 milhões a menos. Aqueles trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas foram reduzidos em um terço, de 6,434 milhões para 4,288 milhões, mais precisamente uma baixa de 33,35% (ou 2,146 milhões a menos).
A população ocupada cresceu 11,35% considerando o mesmo intervalo, saindo de 93,076 milhões para 103,638 milhões, agregando mais 10,562 milhões de trabalhadores e atingindo seu número mais elevado em toda a série histórica. Esse desempenho veio acompanhado, como visto, de uma redução a menos da metade do total de desempregados.
Igualmente relevante, entre dezembro de 2022 e setembro de 2026, mais 3,339 milhões de trabalhadores passaram a compor a força de trabalho, que avançou de 105,927 milhões (praticamente o mesmo número registrado em fevereiro de 2020) para 109,266 milhões. Ao longo daquele período, quase 70 a cada 100 novos trabalhadores acrescentados à população em idade ativa, ou seja, com 14 anos ou mais de idade, passaram a integrar a força de trabalho. Para comparação, entre 2020 e 2022, foram menos de 12 a cada 100 novos participantes da população em idade ativa.
A retomada do mercado foi amplamente dominado pelo aumento das contratações de trabalhadores “formais”, quer dizer, empregados com registro em carteira, trabalhadores por conta própria e empregadores com registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Esse número subiu de 53,318 milhões no trimestre entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020 para 61,233 milhões de pessoas no terceiro trimestre deste ano, variando 14,80%. O incremento correspondeu à entrada no mercado formal de mais 7,915 milhões de trabalhadores e empregadores, significando praticamente 74,9% do aumento no total de ocupados no mesmo período.
Com o rendimento real atingindo R$ 3.790 no terceiro trimestre deste ano, o segundo mais alto da série, a massa de rendimentos atingiu o recorde histórico de R$ 387,496 bilhões, num salto de 25,96% frente a fevereiro de 2020, crescendo R$ 79,859 bilhões – dos quais em torno de R$ 68,962 bilhões (86,35%) foram agregados à massa entre 2022 e setembro de 2026.
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