Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Coluna

Queda nas vendas de produtos básicos e manufaturas derruba exportação goiana

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 12 de novembro de 2019

O
desempenho negativo das exportações goianas ao longo deste ano tem sido
determinado sobretudo pela retração observada nas vendas externas de produtos
básicos, com destaque para o complexo soja (aqui, sob impacto da redução na
demanda chinesa, principal mercado de destino da soja em grão), e também pela
queda nos embarques de bens manufaturados. A velocidade da queda tem se reduzido
nos últimos dois meses, em função principalmente do vigoroso crescimento das
vendas de milho em grão, mas os números da balança comercial do Estado
mantêm-se negativos e tendem a encerrar o ano em baixa.

Entre
janeiro e outubro deste ano, Goiás exportou algo
ligeiramente abaixo de US$ 5,737 bilhões, no pior resultado desde meados da
década, correspondendo a queda de 11,24% em relação aos US$ 6,463 bilhões
exportados nos primeiros 10 meses do ano passado. As importações somaram US$
2,999 bilhões, mantendo-se em estabilidade virtual frente aos US$ 2,992 bilhões
importados entre janeiro e outubro de 2018 (a variação, quase nula, ficou em
0,24%). O saldo comercial (exportações menos importações) baixou de quase US$
3,472 bilhões para US$ 2,738 bilhões, num recuo de 21,14%, de acordo com dados
da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior
e Serviços (Secex/Mdic).

As
vendas externas de produtos básicos experimentaram retrocesso de 13,7% em
grandes números, saindo de R$ 4,89 bilhões para US$ 4,22 bilhões. Sua
participação no total vendido lá fora pelas empresas goianas recuou de 75,7%
para 73,6%, preservando um espaço relevante ainda, confirmando a baixa
capacidade de produção e de exportação de bens mais elaborados, com maior
conteúdo tecnológico e maior nível de complexidade. Nesta linha, as exportações
de bens manufaturados despencaram 24,9% no acumulado até outubro, caindo de US$
333,45 milhões para US$ 250,58 milhões – o que achatou a fatia ocupada pela
indústria de manufaturas nas exportações goianas de 5,16% para 4,37

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Peso nada doce

Mesmo
entre bens manufaturados, registra-se forte presença de produtos de origem
agrícola na pauta de exportações. Neste ano, por exemplo, uma parte relevante
do tombo nas vendas externas do setor deveu-se ao desempenho muito negativo dos
embarques de açúcar refinado, reflexo, de outro lado, da maior oferta global e
do aumento nos estoques mundiais, o que tem contribuído para deprimir os preços
e os volumes de venda. No caso goiano, as vendas externas de açúcar refinado
desabaram 61,4% entre 2018 e 2019, sempre considerando os 10 primeiros meses de
cada período. Em valores, as exportações encolheram para US$ 48,58 milhões,
saindo de US$ 125,70 milhões no ano passado (quando o produto havia sido
responsável por quase 38% de todas as vendas de bens manufaturados). Neste ano,
o açúcar refinado teve sua participação reduzida para 19,4% (embora tenha
respondido por 93,0% da queda observada para o total de manufaturas vendidas no
exterior).

Balanço

·  
A
contribuição (negativa) do complexo soja (grão, farelo e óleo, com largo
destaque para o primeiro) explica praticamente toda a redução observada para as
exportações goianas até outubro, com a “ajuda” da China, que tem reduzido suas
compras da oleaginosa.

·  
As
exportações do complexo murcharam de US$ 3,283 bilhões entre janeiro e outubro
de 2018, quando chegaram a representar 50,79% do total exportado por Goiás,
para US$ 2,149 bilhões em igual intervalo deste ano (37,46% do total). A queda
foi de 34,5% entre um período e outro, significando US$ 1,134 bilhão a menos.

·  
Sem
o complexo soja, as demais exportações realizadas a partir de Goiás cresceram
12,8% na comparação entre aqueles mesmos dois períodos, elevando-se de US$
3,181 bilhões para US$ 3,588 bilhões em números arredondados. Mas 96,5% do
ganho registrado aqui veio exclusivamente de um único produto: o milho em grão.

·  
O
Estado exportou 3,554 milhões de toneladas de milho entre janeiro e outubro
deste ano, o que se compara a apenas 1,116 milhão de toneladas no ano passado,
o que correspondeu a uma elevação de 118,5%. Como os preços de venda subiram,
as receitas com os embarques do grão aumentaram mais do que proporcionalmente,
saindo de US$ 209,409 milhões para US$ 601,867 milhões, num salto de 187,4%.

·  
As
exportações de soja em grão, no entanto, anularam esse esforço ao produzir uma
retração de US$ 904,221 milhões nas receitas de exportação neste ano. As vendas
externas do produto baixaram de US$ 2,347 bilhões para US$ 1,443 bilhão, num
retrocesso de 38,5%. A China manteve-se como principal mercado para a soja
goiana, comprando 83,8% de toda a exportação do grão.

·  
Mas
foram os chineses também os principais responsáveis pela queda no saldo
comercial do Estado com o restante do mundo ao combinar exportações mais baixas
e importações em alta acelerada. Goiás exportou US$ 2,072 bilhões neste ano
para o mercado chinês, diante de US$ 2,623 bilhões entre janeiro e outubro de
2018 (queda de 21,0%). E importou 55,63% a mais, já que as compras de produtos
chineses avançaram de US$ 248,299 milhões para US$ 386,439 milhões
(especialmente por conta do salto nas compras de veículos, partes e acessórios,
multiplicadas em 30,5 vezes, para US$ 80,280 milhões).

O resultado foi uma queda de 29,0% no saldo
comercial entre o Estado e a China, saindo de US$ 2,374 bilhões (68,39% do
superávit total) para US$ 1,685 bilhão (61,56%). A redução de US$ 688,995
milhões representou 93,9% da retração acumulada pela balança comercial goiana
como um todo.