Quem troca de partido pode dar tiro no pé da orelha, diz a História
Ao bipartidarismo do regime militar, os civis responderam com as atuais 30 e tantas siglas. E contando. O resultado tem sido algo tipicamente brasileiro, pois o que em outros países é sustentáculo da democracia, aqui virou balbúrdia. Por isso, o eleitor criterioso fica atento ao vira-folha. Mesmo fiel, nota que a cada eleição seu candidato apresenta um nº diferente. Na janela da infidelidade, políticos com e sem mandato trocaram de casa como quem troca de agulha para injetar Ozempic.
Herança da polarização PSD-UDN, diz a História, ainda tem quem só vote no MDB ou na Arena e seus substitutos. E quem não vote neles nem com reza braba. O sujeito sai de um partido com nome lindo como Cidadania, Novo, União e Solidariedade e vai para sopa de letrinhas. Perguntou a seu público o que acha disso? A importância dos partidos é pequena, mas ainda existe.
Observe-se o caso do MDB de Daniel Vilela e do PL de Wilder Morais. Quem sai dessas siglas aquele voto grátis, digitado por escolha, não em troca de benesses. O morador lá do Sudoeste e do Sul diz: “Vou votar no 22 de cima até embaixo”. E não há quem o mude de ideia. O nortista diz em Porangatu e Goianésia: “Só voto no 15”. O lulista de Goiânia e Aparecida: “Sou 13 pro que der e vier”. E o marconista do Entorno de Brasília: “45. E o outro lado? O outro lado é tremedeira”.
Talvez não sejam tantas, mas ainda existem pessoas sérias, inclusive para compreender quando se muda de partido por perseguição, foi o caso de Ronaldo Caiado, que o enrolado Antônio Rueda não queria candidato a presidente.