Coluna

Receita bruta do campo em Goiás chega a R$ 49,0 bilhões

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 29 de novembro de 2019

Com
“ajuda” dos preços do milho e do frango, a receita bruta dos produtores em
Goiás deverá alcançar, em 2019, o valor mais elevado na década, segundo
estimativa da Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 
As projeções para este ano, a valores corrigidos até outubro deste ano,
colocam o valor bruto da produção agropecuária no Estado próxima a R$ 48,968
bilhões, o que corresponde a uma elevação de 3,5% em relação a 2018, quando o
faturamento bruto no campo havia alcançado R$ 47,307 bilhões.

Proporcionalmente,
o desempenho em Goiás deverá superar a média do País, já que a previsão do Mapa
contempla variação de apenas 1,7% para o valor bruto total do setor, com
receitas próximas a R$ 609,515 bilhões – apesar do baixo crescimento, o segundo
maior em toda a série histórica do Mapa, abaixo apenas dos números de 2017 (R$
611,231 bilhões). Como tendência, o desempenho da pecuária, mais vigoroso do
que o das lavouras, deverá ser mais relevante para explicar os números em Goiás
e no restante do País – com a diferença de que, no caso goiano, o milho
observou avanço expressivo, acumulando duas safras consecutivas de crescimento
nas receitas.

A
acrescentar o seguinte lembrete: as previsões mais recentes do Mapa ainda não
parecem incorporar a escalada dos preços da arroba do boi gordo. Ainda que alta
possa vir a influenciar o número final de 2019, a explosão desses preços pareça
ter atingido o setor no contrapé, quando o número de animais terminados (em
confinamentos e a pasto) estaria em níveis muito reduzidos, com a pecuária
ainda em fase de entressafra.

Com
participação ao redor de 35% no valor bruto total do campo, a pecuária deverá
sustentar perto de 60% do crescimento esperado para a receita bruta dos
produtores goianos neste ano, com o valor de sua produção saindo de R$ 16,136
bilhões para R$ 17,135 bilhões (mais 6,2% em termos reais). Na estimativa do
Mapa, este será o melhor resultado do setor em quatro anos. Os produtores de
frango e de ovos, em conjunto, responderão por 83,5% do aumento da renda bruta
da pecuária, refletindo a melhora na atividade, especialmente no primeiro caso.

Frangos e ovos

O
valor bruto da produção de frangos tende a ser o mais elevado na década,
somando aproximadamente R$ 4,311 bilhões, o que representará alta de 16,3% no
ano (o que significará uma contribuição de 60,4% para o incremento da renda
bruta da pecuária goiana). A produção de ovos em Goiás tende a gerar uma
receita bruta de R$ 828,730 milhões, saltando praticamente 39% frente aos R$
597,733 milhões registrados em 2018 (mas com influência de 23,1% no aumento das
receitas da pecuária). A se confirmar toda a receita esperada, será a segunda
maior na década, inferior apenas aos R$ 855,178 milhões acumulados em 2016.

Balanço

·  
As
receitas da exploração de bovino e suínos em Goiás seguiram caminhos inversos
em 2019, com redução no primeiro caso e alta no segundo. Para os criados de
bovinos, a atividade deverá trazer uma receita bruta de R$ 7,776 bilhões, o que
significará um recuo de 1,2% diante de R$ 7,869 bilhões em 2018. Tende a ser,
salvo correções mais adiante, o pior número desde 2013.

·  
Com
valor bruto de R$ 688,307 milhões, os criadores de suínos esperam alta de 9,5%
diante de R$ 628,321 milhões em 2018.

·  
A
produção de leite deverá gerar um faturamento bruto de R$ 3,531 bilhões, mais
alto em quatro anos, correspondendo a uma variação de 5,9% em relação a 2018.

·  
Nas
lavouras, o baixo crescimento deverá ser determinado pelo tombo de quase 11%
esperado para a soja, o que representará uma perda de R$ 1,523 bilhão na
comparação com a receita obtida em 2018 (R$ 13,877 bilhões para R$ 12,354 bilhões,
a menor em quatro anos).

·  
No
total, a agricultura de grão e fibras deverá produzir uma receita bruta de R$ 31,833
bilhões, em alta de 2,1% diante de 2018 (R$ 31,171 bilhões). A despeito do
desempenho modesto, o valor da produção agrícola neste ano deverá ser o maior
na década.

·  
As
perdas na soja deverão ser compensadas parcialmente pela recita recorde com a
venda do milho, que deverá gerar um faturamento bruto de R$ 5,683 bilhões, num
salto de quase 25% em relação a 2018 (R$ 4,547 bilhões).

·  
Culturas
voltadas para o mercado doméstico, de forma geral, tendem a apresentar
desempenho mais favorável neste ano, esperando-se saltos de 111,4% para a
batata, 81,5% para o feijão e de quase 12,0% no caso da banana. Como exceção, o
valor bruto do arroz tende a encolher 28,2%. Muito mais ligado ao mercado
internacional, o algodão deverá experimentar salto de 54,2% (de R$ 731,181
milhões para R$ 1,127 bilhão, mais alto desde 2012).

·  
Na
primeira projeção para a safra a ser colhida em 2020, o Mapa anunciou a
perspectiva de leve recuo de 0,7% para o valor bruto, saindo de R$ 609,52
bilhões para R$ 605,43 bilhões, com baixa de 1,7% para as lavouras e incremento
de 1,3% para a pecuária.

 

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