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sábado, 31 de janeiro de 2026

Renda e consumo das famílias crescem menos. Poupança sofre baixa (nos EUA)

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 25 de janeiro de 2026
Renda
Foto: Reprodução/Freepik

Submetida aos destemperos verborrágicos de seu líder e às incertezas geradas pela deterioração de suas principais instituições, com corrosão das bases que sustentavam sua posição hegemônica, a economia dos Estados Unidos passou a dar sinais de perda de vitalidade ao final de 2025. Dados do Bureau of Economic Analysis (BEA), órgão vinculado ao Departamento de Comércio norte-americano, mostram que tanto a renda disponível das famílias quanto seus gastos com consumo de bens e serviços passaram a crescer em ritmo mais lento em novembro do ano passado. Caso esse comportamento se repita nas medições seguintes, a atividade econômica tende a desacelerar, considerando que o consumo das famílias responde por cerca de 69% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

Em novembro de 2025, na comparação com igual período de 2024, a renda total das famílias atingiu aproximadamente US$ 26,403 trilhões, frente a pouco menos de US$ 25,079 trilhões no mesmo mês do ano anterior. Isso representa crescimento de 5,28%, equivalente a um acréscimo de US$ 1,324 trilhão. Entre 2023 e 2024, considerando o mesmo mês, a alta havia sido mais expressiva, de 7,90%, o que significou um reforço de US$ 1,837 trilhão no orçamento familiar.

A parcela da renda destinada ao pagamento de impostos sobre renda e patrimônio somou US$ 2,792 trilhões em novembro de 2023 e avançou 11,11% em 12 meses, alcançando US$ 3,102 trilhões. Já em novembro de 2025, a conta dos tributos subiu para US$ 3,308 trilhões, mas com crescimento mais moderado, de 6,64% em relação ao ano anterior. Com isso, a proporção da renda bruta comprometida com impostos passou de 12,01% em 2023 para 12,53% em 2025, ligeiramente acima dos 12,37% registrados em novembro de 2024.

Depois dos impostos

A renda disponível das famílias, já descontados impostos e contribuições, também apresentou desaceleração. Entre novembro de 2023 e novembro de 2024, havia crescido 7,47%, passando de pouco menos de US$ 20,450 trilhões para cerca de US$ 21,977 trilhões, gerando uma renda adicional de US$ 1,527 trilhão destinada ao consumo e à poupança. Em novembro de 2025, a renda disponível avançou 5,09% em 12 meses, alcançando US$ 23,095 trilhões. O incremento foi de US$ 1,118 trilhão, inferior ao observado no ano anterior.

Balanço

As transferências líquidas de receitas às famílias, principalmente relacionadas a benefícios sociais, cresceram 48,47% na comparação com novembro de 2024, passando de US$ 2,031 trilhões em novembro de 2023 para US$ 3,016 trilhões. Esse aumento respondeu por US$ 984,5 bilhões do crescimento da renda bruta das famílias, o equivalente a 74,3% da variação total. O avanço marca uma recuperação importante, após queda de 10,04% registrada em 2024. O dado chama atenção diante da retórica governamental contrária a esse tipo de despesa, frequentemente associada a “políticas socialistas”, com ataques a programas como o Medicare.

Os rendimentos provenientes de salários e outras remunerações do trabalho cresceram 5,64% entre novembro de 2023 e o mesmo mês de 2024, passando de US$ 11,965 trilhões para US$ 12,640 trilhões, acréscimo de US$ 674,5 bilhões. Em novembro de 2025, os salários alcançaram US$ 13,108 trilhões, mas o ritmo de crescimento caiu para 3,70%, equivalente a US$ 468,0 bilhões adicionais.

As receitas com juros de aplicações financeiras e dividendos mantiveram crescimento relevante, com altas de 7,83% em 2024 e 6,92% em 2025. Essas receitas representaram, respectivamente, 15,8% e 16,04% da renda bruta das famílias, variando entre US$ 3,960 trilhões e US$ 4,234 trilhões.

Os gastos pessoais com bens e serviços também desaceleraram. Em novembro de 2025, somaram US$ 22,295 trilhões, crescimento de 5,75% em relação a novembro de 2024, o que corresponde a US$ 1,212 trilhão acima dos US$ 21,084 trilhões registrados um ano antes. Para comparação, entre novembro de 2023 e novembro de 2024, o consumo havia crescido 7,11%, com aumento próximo de US$ 1,40 trilhão.

A poupança das famílias sofreu retração expressiva. Em 2025, os valores poupados caíram 10,45%, contrastando com a alta de 16,58% registrada em 2024. O volume poupado recuou de US$ 893,0 bilhões para US$ 799,7 bilhões, perda de US$ 93,3 bilhões. A taxa de poupança em relação à renda disponível caiu de 4,06% para 3,46%.

Por fim, o PIB dos Estados Unidos registrou crescimento anualizado de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, segundo dados revisados pelo BEA, após avanços de 3,8% no trimestre anterior e de 3,6% no terceiro trimestre de 2024. Na comparação interanual, o PIB cresceu 2,3%, acima dos 2,1% do trimestre anterior, mas abaixo da alta de 2,8% registrada entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2023. O investimento, por sua vez, apresentou dois trimestres consecutivos de estagnação ou leve retração, com queda de 0,2% no terceiro trimestre.

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