domingo, 27 de setembro de 2026

Reservas em dólar aumentam US$ 25 bilhões em 12 meses

Lauro Veiga Filhopor em
Reservas em dólar aumentam US$ 25 bilhões em 12 meses

O aumento do déficit na conta de transações correntes neste ano, a diferença entre todos os dólares que entraram e saíram do País em determinado período de tempo, não impediu o avanço das reservas internacionais, normalmente medidas também em dólar. Os dados do Banco Central (BC) registram uma elevação de 7,27% entre agosto do ano passado e o mesmo mês deste ano, com as reservas subindo de US$ 344,177 bilhões para US$ 369,214 bilhões, num ganho equivalente a US$ 25,037 bilhões.

Incluindo créditos brasileiros estacionados no exterior, num total aproximado de US$ 924,464 milhões, e haveres de bancos comerciais em moeda estrangeira, perto de US$ 30,324 bilhões, os recursos disponíveis em moeda forte aproximavam-se em agosto deste ano de US$ 400,463 bilhões. O saldo das reservas ampliadas, num conceito gerado pela própria coluna apenas para melhor entendimento do processo, superava em 8,75% o estoque total da dívida externa bruta, que havia alcançado ao final de agosto perto de US$ 368,237 bilhões.

A comparação entre aqueles dois valores mantinha o País como credor internacional líquido num total de US$ 32,136 bilhões, algo correspondente a 1,45% do Produto Interno Bruto (PIB). Colocado de outra forma, caso enfrentasse em crise externa virulenta, num cenário apocalíptico, o Brasil teria recursos para pagar toda sua dívida externa e ainda sobrariam aqueles pouco mais de US$ 32,0 bilhões. Desde o final da primeira metade dos anos 2000, quando as reservas começaram a crescer, a questão externa veio se diluindo e, alguns anos mais tarde, deixou de fato de ser um problema para a economia brasileira.

Conta corrente

Em agosto, a conta de transações correntes passou a apresentar déficit de US$ 6,589 bilhões, acumulando um rombo de US$ 30,408 bilhões em oito meses, com crescimento vigoroso em relação aos mesmos períodos do ano passado. Comparado com o agosto de 2023, quando havia atingido apenas US$ 968,694 milhões, o déficit aumentou 580,17% (ou US$ 5,620 bilhões a mais). O tombo de 54,42% no saldo da balança comercial, de US$ 8,840 bilhões para US$ 4,029 bilhões, explicou perto de 85,6% do crescimento do déficit em transações correntes em agosto. Entre janeiro e agosto, o déficit corrente mais do que dobrou em relação ao rombo de US$ 13,509 bilhões nos mesmos oito meses de 2023 (alta de 125,09%). O superávit comercial (exportações menos importações de bens) sofreu baixa de 17,41%, de US$ 58,629 bilhões para US$ 48,420 bilhões, correspondendo a 60,41% da alta no resultado da conta de transações correntes.

Balanço

  • O gasto brasileiro no exterior com as chamadas criptomoedas continua sua escalada, crescendo 35,88% em agosto (comparado ao mesmo mês do ano passado), para US$ 1,545 bilhão. Em oito meses, empresas, bancos e especuladores em geral transferiram para foto do País em torno de US$ 11,541 bilhões para aplicações no mercado de moedas virtuais, praticamente alcançando o volume registrado nos 12 meses de 2023 (praticamente US$ 11,693 bilhões). Na comparação com os valores acumulados de janeiro e agosto do ano passado, quando aquele tipo de transação havia demandado perto de US$ 7,058 bilhões, registrou-se um aumento de 63,52%.
  • Num terreno mais sensível e de implicações mais graves, a falta de chuvas e o calor devem continuar a predominar nas principais regiões produtoras de soja nos próximos 14 dias, com o agravante de um aumento adicional nas temperaturas médias naquelas áreas, projeta a EarthDaily Agro, empresa que utiliza imagens de satélite em sua plataforma de sensoriamento climático remoto. Os níveis de umidade do solo tendem a se manter muito abaixo da média em Mato Grosso, no norte de Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e São Paulo.
  • A empresa antecipa ainda que a precipitação acumulada no período deverá ser em torno de 80%, ou pouco mais do que isso, inferior à normalidade, segundo os modelos climáticos da Europa (ECMWF na sigla em inglês, o que pode ser traduzido como Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo) e dos Estados Unidos (GFS ou Global Forecast System, algo como Sistema Global de Previsão, em tradução livre).
  • Conforme a EarthDaily Agro, os dois sistemas anteveem a continuidade do calor, com temperaturas médias acima de 40°C para os próximos 10 dias, conforme o GFS, podendo avançar além de 44°C neste final de semana. Em Mato Grosso, a precipitação média acumulada deverá flutuar entre 5,7 e 6,7 milímetros considerando os últimos 39 dias e as previsões para as próximas duas semanas, níveis mais de dez vezes inferiores à média histórica e o menor volume registrado nos últimos dez anos.
  • “Nas regiões onde o plantio já está liberado e a umidade segue muito baixa, a estratégia de aguardar o retorno das chuvas pode ser a correta, uma vez que isso reduz o risco de o produtor fazer o replantio devido à possível continuidade da seca”, pondera Felippe Reis, analista de safra da EarthDaily Agro.
  • As previsões para Goiás, da mesma forma, sugerem níveis muito baixos de umidade no solo, resultado da forte seca observada nos últimos meses. As chuvas deverão chegar com atraso também no Estado e a previsão para as próximas duas semanas indica precipitação muito baixa, em torno de 0,3 a 1,6 milímetros em todo o período, insuficiente para recuperar a umidade do solo.
  • Para a região centro-sul de Mato Grosso do Sul, que chegou a experimentar elevação significativa na umidade dos solos durante a primeira quinzena de setembro, espera-se queda naqueles níveis nos próximos dias, exigindo que os produtores acompanhem os informes de clima com atenção antes de tomar a decisão de plantio, já que não se descarta o risco de um prolongamento da estação seca. O Rio Grande do Sul, ao contrário, deve registrar chuvas fortes ao longo da semana, com registros de 65 mm em diversas apenas ontem, dia 26. A EarthDaily Agro alerta para o risco de perda da qualidade do trigo devido ao excesso de chuvas, o que pode levar a alagamentos localizados.

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