Ruim para Messias, briga entre 3 Poderes é péssima para Brasil
O veto à entrada de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal sinaliza que a pessoa mais poderosa da República é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP). Em tese, essa força é de outro presidente, o da própria República. O round desta quarta-feira sinalizou que certo está Edson Fachin, o discreto presidente do STF, que vai continuar 10, não nota 10, mas com 10 membros. São cargos vitais tratados como quem disputa partida de sinuca ou decide no par ou ímpar quem vai sair jogando na partida de futebol. A fuzarca entre Poderes em que a Constituição manda haver harmonia e independência foi fatal para Messias e demonstra a bagunça a que o Brasil chegou e da qual não dá sinais de que vai sair. O plenário do Senado não reprovou Messias por ele ser inferior aos indicados anteriores ou porque pretende melhorar o nível da Suprema Corte, mas para eternizar o corolário de um dos integrantes do Legislativo, que garantia que pior não fica. Ficou. No fim, a grande vítima é a nação, que tem tudo para prestar, menos gente que presta nos principais postos.
Alcolumbre é um jeca-tatu de beira de brejo nos confins do Amapá, porém, está na média de seus pares do Congresso, do Executivo e do Judiciário. Como o Brasil veio parar sob esses tipos? Eles são a média dos brasileiros. Surpresa seria um Senado com 81 Marco Maciel, uma Câmara com 513 Ulysses Guimarães, um STF com 11 Sepúlveda Pertence, um Executivo com JK de presidente e Ruth Cardoso de primeira-dama. Seríamos uma nação de exceções, impossível de ocorrer quando se vota para ter regime de exceção. Alcolumbre é o retrato cuspido e escarrado do Brasil que cospe e escarra na face de seu presente para impedir o futuro. (Especial para O HOJE)