Saldo comercial avança 20% em 2025 com ajuda de China e EUA
A política comercial errática adotada pelo governo dos Estados Unidos desde abril do ano passado, com a imposição de um tarifaço ao Brasil a partir de julho — posteriormente revisado em novembro —, somada ao cenário de incertezas na economia e na geopolítica globais diante da reação estadunidense à perda de sua hegemonia mundial, turvou o ambiente externo ao longo de 2025.
Ainda assim, graças principalmente à soja e à China, com contribuição secundária dos próprios Estados Unidos — que responderam por quase todo o incremento observado nas vendas externas de carne bovina produzida em Goiás —, o saldo da balança comercial goiana fechou o ano com crescimento de 20,0% na comparação com 2024. O superávit saltou de US$ 6,708 bilhões para cerca de US$ 8,051 bilhões, o terceiro melhor resultado da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Na prática, o crescimento do saldo entre exportações e importações apenas se consolidou como tendência a partir de agosto, conforme indicam os dados da Secex. No primeiro semestre de 2025, as exportações goianas praticamente oscilaram em relação ao mesmo período de 2024, com variação de apenas 0,80%. A virtual estagnação das importações, que recuaram 0,05%, ajudou a produzir uma elevação modesta do superávit comercial, que variou 1,39%.
Até aquele momento, as exportações de soja em grão haviam recuado 3,29%, embora ainda respondessem por 49% do total exportado pelo Estado. Essa perda foi parcialmente compensada pelo crescimento de 11,93% nas exportações de carne bovina fresca e congelada.
Ganhos em volume
A reação observada nos meses seguintes, especialmente a partir de setembro, impulsionou o resultado da balança comercial. Os embarques de soja voltaram a crescer, sobretudo em direção ao mercado chinês, enquanto as vendas externas de carne bovina mantiveram ritmo consistente, apesar do tarifaço.
No total, Goiás exportou pouco mais de US$ 13,413 bilhões em 2025, a terceira melhor marca desde o início da divulgação das estatísticas regionais da Secex. Em comparação aos US$ 12,316 bilhões exportados em 2024, houve incremento de 8,91%, equivalente a quase US$ 1,097 bilhão.
Esse crescimento foi motivado principalmente pelo aumento de 15,85% nos volumes embarcados, que passaram de 20,430 milhões para 23,668 milhões de toneladas, um acréscimo de 3,238 milhões de toneladas. No mesmo período, os preços médios de exportação recuaram quase 6,0%.
Balanço das importações
As compras externas apresentaram piora relativa em 2025, com queda de 4,39% em relação a 2024, recuando de aproximadamente US$ 5,609 bilhões para pouco menos de US$ 5,363 bilhões, uma redução de US$ 245,966 milhões. Os volumes importados pelas empresas instaladas em Goiás caíram 24,85%, passando de 3,402 milhões para 2,557 milhões de toneladas, cerca de 845,198 mil toneladas a menos, enquanto os preços médios dos bens importados subiram 27,22%.
As transações envolvendo adubos e fertilizantes explicam grande parte dessa retração. As importações do insumo caíram de 2,389 milhões para 1,463 milhão de toneladas, um tombo de 38,77% — o equivalente a 926,395 mil toneladas. Os valores desembolsados recuaram 36,24%, de US$ 724,632 milhões para US$ 462,005 milhões.
Embora os adubos tenham representado apenas 8,62% das importações totais em 2025, a queda de US$ 262,627 milhões superou a redução geral das importações, indicando que outros setores ampliaram suas compras externas. É o caso dos produtos farmacêuticos, cujas importações cresceram 3,66%, de US$ 1,874 bilhão para US$ 1,943 bilhão, e das máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que avançaram 31,91%, de US$ 176,168 milhões para US$ 232,386 milhões.
Soja e China puxam exportações
No campo das exportações, mais da metade do crescimento observado veio da soja em grão, cujas vendas externas subiram 12,80% em relação a 2024. Os embarques passaram de US$ 4,582 bilhões para US$ 5,169 bilhões, um ganho de US$ 586,553 milhões, correspondente a 53,48% do crescimento total das exportações.
Cerca de 85% dessas vendas tiveram como destino a China, que respondeu por US$ 4,394 bilhões em compras de soja em grão em 2025, ante US$ 3,892 bilhões no ano anterior, um aumento de 12,89%. O país asiático foi responsável por 85,55% do crescimento das exportações goianas de soja.
Sob influência direta da soja — responsável por 75,6% das exportações goianas para a China —, as vendas do Estado para o mercado chinês cresceram 8,52%, passando de US$ 5,360 bilhões para US$ 5,816 bilhões. A participação chinesa nas exportações totais de Goiás manteve-se em torno de 43,4%, praticamente estável em relação a 2024.
As importações de produtos chineses, por sua vez, cresceram 4,83%, subindo de US$ 1,288 bilhão para US$ 1,350 bilhão, na contramão da tendência geral. Como resultado, o saldo comercial de Goiás com a China avançou 9,68%, passando de US$ 4,072 bilhões para quase US$ 4,466 bilhões, embora a participação chinesa no superávit total tenha recuado de 60,7% para 55,47%.
Carne bovina e Estados Unidos
Segundo item mais importante da pauta exportadora goiana, as vendas externas de carne bovina cresceram 25,54%, saltando de US$ 1,687 bilhão para US$ 2,118 bilhões, um acréscimo de US$ 430,991 milhões.
Os Estados Unidos responderam por 51,4% desse aumento, apesar de terem representado apenas 17,66% das exportações totais do setor. As vendas de carne bovina para o mercado norte-americano avançaram de US$ 152,562 milhões para US$ 374,049 milhões, um ganho de US$ 221,487 milhões.
Esse desempenho foi decisivo para que Goiás ampliasse suas exportações para os EUA de US$ 408,466 milhões para US$ 641,441 milhões, um salto de 57,04%. Como as importações provenientes daquele mercado caíram 23,74%, o déficit de US$ 239,949 milhões registrado em 2024 deu lugar a um superávit de US$ 146,940 milhões na balança comercial bilateral.