Saldo comercial cai 17% em Goiás com salto na importação de energia

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 07 de maio de 2021

Puxadas pelo avanço dos embarques do complexo soja (grão, farelo e óleo), carne bovina congelada, ouro e açúcar, as exportações realizadas a partir de Goiás cresceram fortemente nos quatro primeiros meses do ano, revertendo a tendência esboçada nos dois primeiros meses de 2021, causada pelo atraso na colheita da soja. Esse incremento, no entanto, não foi suficiente para fazer frente ao salto experimentado pelas importações, explicado pela escalada nas compras de energia importada da Argentina e do Uruguai. O resultado foi uma retração de 17,11% no superávit comercial (exportações menos importações), que baixou de US$ 1,274 bilhão no acumulado entre janeiro e abril do ano passado para US$ 1,056 bilhão neste ano.

As compras de energia importada, segundo dados do antigo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, saíram de US$ 3,282 milhões, inicialmente fornecida apenas pelo Uruguai, para US$ 507,754 milhões (ou seja, 15.371% a mais), dos quais US$ 466,156 milhões foram gastos para importar o insumo gerado pela Argentina. Essa operação fez com que a energia argentina respondesse por 74,68% do aumento registrado pelo total das importações goianas no período. No quadrimestre analisado, Goiás importou US$ 1,691 bilhão, o que representou alta de 58,51% frente ao valor importado nos quatro meses iniciais do ano passado, em torno de US$ 1,067 bilhão (numa variação absoluta de US$ 624,193 milhões).

As exportações avançaram 17,35% na mesma comparação, passando de US$ 2,341 bilhões para pouco mais de US$ 2,747 bilhões (num acréscimo de US$ 406,134 milhões, inferior ao valor acrescentado neste ano às compras externas, como se viu). As importações de energia explicam ainda o fato de o Estado ter registrado déficit nas suas relações comerciais com o restante do mundo, excluída a China.

Déficit sem os chineses

Sem o mercado chinês, as exportações registraram desempenho ainda mais favorável, crescendo 26,3% no acumulado dos primeiros quatro meses deste ano, frente a idêntico período de 2020, de US$ 1,158 bilhão para US$ 1,463 bilhão, em grandes números. Mas as importações subiram quase 60,0%, escalando para US$ 1,494 bilhão diante de US$ 934,133 milhões em 2020. O saldo comercial, que havia sido positivo em US$ 223,980 milhões no ano passado, ficou negativo em US$ 31,323 milhões neste ano. Se descontadas as importações de energia elétrica, o superávit do Estado (ainda sem a China) mais do que dobraria, saindo de US$ 227,262 milhões para US$ 476,431 milhões.

Balanço

  • Embora o mercado chinês tenha perdido participação relativa no total das exportações goianas neste começo de ano, a dependência da balança comercial do Estado em relação à China continua predominante. As vendas externas de Goiás para aquele mercado cresceram 8,59% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, subindo de US$ 1,183 bilhão para US$ 1,285 bilhão. Como se percebe, a variação foi quase a metade daquela acumulada até abril pelo total das exportações, o que reduziu a fatia destinada ao mercado chinês de 50,53% em 2020 para 46,76% neste ano.
  • As importações de produtos chineses registraram variação de 48,52% entre os dois períodos analisados, subindo de US$ 132,758 milhões pra US$ 197,185 milhões. Como o valor absoluto é reduzido, representando 11,66% de tudo o que Goiás importou neste ano, até abril, o incremento acelerado das importações chinesas não impediu um ligeiro aumento de 3,55% no saldo comercial do Estado em sua relação comercial com o país asiático. No ano passado, entre janeiro e abril, o superávit com os chineses havia sido de US$ 1,050 bilhão (82,42% do saldo total) e superou levemente a marca de US$ 1,087 bilhão neste ano.
  • Soja em grão e carne bovina congelada responderam por praticamente 89,8% de tudo o que o Estado vendeu para os chineses até abril deste ano. As exportações do grão somaram US$ 939,240 milhões, saindo de US$ 850,330 milhões no mesmo intervalo do ano passado, num incremento de 10,46%. O mercado chinês respondeu por 83,3% do total das exportações goianas de soja e por 70,5% das vendas de carne bovina congelada, o que correspondeu a US$ 214,149 milhões entre janeiro e abril deste ano. Houve um salto de 35,5% frente aos US$ 158,010 milhões registrados no quadrimestre inicial de 2020.
  • Sozinha, a soja em grão passou a responder por 41,06% do total das exportações goianas, com as vendas atingindo US$ 1,128 bilhão entre janeiro e abril deste ano, o que se compara com US$ 952,828 milhões no mesmo período de 2020, em ata de 18,38%. A contribuição para o crescimento das vendas externas totais foi mais do que proporcional, atingindo 43,1%.
  • A segunda maior contribuição para a alta das exportações (na faixa de 12,8%) veio dos embarques de carne bovina congelada, que subiram 20,63%, saindo de US$ 251,702 milhões para US$ 303,630 milhões. Em terceiro, considerando ainda a importância relativa para o aumento geral das vendas externas, as exportações de ouro subiram 56,17%, passando de US$ 77,161 milhões para US$ 120,503 milhões.
  • Entre outros destaques, as exportações goianas de óleo de soja, lideradas pela China, mais do que dobraram, saltando de US$ 29,408 milhões para US$ 61,933 milhões (mais 110,6%), com alta ainda de 77,7% para as vendas de pulverizadores e extintores (de US$ 17,613 milhões para US$ 31,291 milhões).
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