Coluna

Saldo comercial da indústria dispara, enquanto exportações perdem espaço

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 09 de setembro de 2020

Sob
efeito da retração de 10,2% nas importações de bens manufaturados ao longo do
ano, o saldo da balança comercial da indústria de transformação em Goiás pouco
mais do que triplicou no acumulado entre janeiro e agosto deste ano, segundo as
séries estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O superávit,
quer dizer, a diferença entre exportações e importações, saltou de US$ 225,580
milhões naqueles mesmos meses de 2019 para US$ 715,269 milhões. A fatia da
indústria no saldo total evolui de quase 10,0% para 19,84%.

As
exportações do setor avançaram 10,1% em relação aos primeiros oito meses do ano
passado, num rimo sensivelmente mais baixo do que aquele registrado pelo total
das vendas externas goianas, que aumentaram 24,0% na mesma comparação. Essa
discrepância resultou numa queda relativa na participação da indústria de
transformação nas vendas externas totais realizadas a partir de Goiás, saindo
de 54,96% no ano passado para 48,78% neste ano. Em igual período de 2010, o
setor transformação chegou a responder por 55,54% de tudo o que o Estado
exportou.

Os
dados da balança comercial setorial mostram que as exportações de bens manufaturados
avançaram de US$ 2,534 bilhões entre janeiro e agosto do ano passado para US$
2,789 bilhões no mesmo intervalo deste ano, num acréscimo de US$ 255,122
milhões. Embora tenha respondido por quase 49% de toda a exportação, a
contribuição da indústria para o incremento das vendas externas totais ficou
limitada a 23,0%. A agropecuária, que representou 46,83% de toda a exportação
goiana realizada entre janeiro e agosto deste ano, saindo de 38,49% em 2019,
contribuiu com quase 81,6%. A alta no setor atingiu 50,92%, com as vendas de
produtos agropecuários saltando de US$ 1,774 bilhão para US$ 2,678 bilhões, ou
seja, US$ 903,532 milhões a mais.

Menos compras

As
importações realizadas pela indústria de transformação baixaram de US$ 2,308
bilhões para US$ 2,074 bilhões, numa redução de US$ 234,567 milhões. O setor
manteve uma participação elevada nas compras externas totais, próxima de 98,2%.
Boa parcela dessa redução foi decorrência do tombo de 37,25% observada nas
importações de veículos, tratores, partes e acessórios, que desabou de US$
299,410 milhões para US$ 187,871 milhões, e de uma retração de 30,2% nas
importações de caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (de US$
246,769 milhões para US$ 172,145 milhões). Também sofreram baixas as compras de
instrumentos, aparelhos de ótica e equipamentos médico cirúrgicos, em queda de
14,9% (de US$ 85,553 milhões para US$ 72,797 milhões), e as importações de
máquinas, aparelhos e material elétrico, com redução de 2,747% (de US$ 74,177
milhões para US$ 53,799 milhões).

Balanço

·  
No
lado das exportações, parecem ter exercido maior influência as vendas de
ferro-ligas de níquel e cobre, com elevação de 21,79%, avançando de US$ 420,665
milhões para US$ 512,332 milhões, além do salto de 62,06% nos embarques de
açúcar, reflexo da maior demanda internacional e da melhora nas condições de
preço no mercado externo. As exportações das usinas, que haviam alcançado US$
125,377 milhões entre janeiro e agosto de 2019, cresceram para US$ 203,189
milhões.

·  
As
vendas de óleo de soja, embora os valores sejam relativamente mais baixos,
igualmente avançaram no período analisado, passando de US$ 68,309 milhões em
2019 para US$ 83,949 milhões nos oito primeiros meses deste ano, numa alta de
22,90%.

·  
No
setor agropecuário, a participação no saldo total da balança comercial sofreu
ligeira redução neste ano, recuando de 77,94% para 74,06% – o que continua
revelando uma dependência excessiva, especialmente em relação à soja. Se as
exportações saltaram quase 51,0%, como visto, as importações, que já eram
historicamente reduzidas nesta área, despencaram 28,9%, saindo de US$ 10,896
milhões para US$ 7,747 milhões.

·  
Nessa
combinação, o saldo comercial da agropecuária goiana aumentou 51,41%, ao
avançar de US$ 1,764 bilhão para US$ 2,670 bilhões – ou seja, US$ 906,681
milhões a mais (o que correspondeu, por sua vez, a 67,5% do crescimento
experimentado pelo superávit total acumulada pela balança comercial do Estado).

·  
Os
números da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)
sugerem que a próxima pesquisa da produção industrial, realizada mensalmente
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), podem trazer
números melhores em agosto – melhoria relativa e observada apenas se comparada
com o período mais duro de afastamento social entre março e abril.

·  
A
produção de veículos cresceu 23,56% entre julho e agosto, passando de 170,651
mil para 210,860 mil unidades. Em relação a agostos de 2019, registrou-se queda
de 21,83%. No trimestre entre junho e agosto, a indústria produziu 479,958 mil
veículos neste ano, em queda de 37,66% frente ao mesmo período de 2019, quando
a produção havia somado 769,90 mil. Foi o pior período em 17 anos, com a
produção caindo abaixo mesmo dos níveis de 2016, num momento em que as montadoras
ainda sofriam os impactos da recessão.

·  
Entre
junho e agosto de 2016, foram montados 559,226 mil veículos, volume 43,18% mais
baixo do que nos mesmos três meses de 2013. Naquele ano, as montadoras
produziram 984,155 mil unidades, o mais alto da série histórica se considerado
o mesmo trimestre. O número deste ano representa um tombo de 51,23% frente a
2013. O emprego no setor retornou aos níveis de outubro de 2009, caindo para
121,854 mil em agosto deste ano (5,0% menos do que em agosto de 2019).

 

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