Saldo comercial de Goiás cai 15,7% no 1º trimestre, com menor venda de soja

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 9 de abril de 2026

O resultado da balança comercial em Goiás no primeiro trimestre deste ano mostra um desempenho negativo para exportações e importações, com impacto mais negativo para as vendas externas, influenciadas por sua vez pelo tombo nos embarques de soja em grão em função da redução dos embarques para a China. As exportações goianas registraram baixa de 9,65% entre os três primeiros meses de 2025 e igual trimestre deste ano, encolhendo de US$ 2,923 bilhões para US$ 2,641 bilhões, valor mais baixo para o período desde 2021. As compras externas saíram de US$ 1,349 bilhão para US$ 1,314 bilhão, num recuo de 2,55%.

O superávit entre vendas e compras realizadas no mercado global por empresas instaladas em Goiás sofreu baixa de 15,73% naquela mesma comparação, caindo de US$ 1,574 bilhão para US$ 1,327 bilhão. Talvez seja ainda prematuro atribuir o comportamento do comércio exterior no primeiro trimestre a possíveis impactos da guerra promovida por Israel e Estados Unidos contra o Irã, com ataques também ao Líbano. Ainda que a expectativa mais frequente aponte efeitos amplamente negativos sobre o comércio mundial de bens e mercadorias nos meses seguintes, a depender evidentemente da duração dos conflitos.

Por enquanto, as perdas observadas para Goiás parecem mais relacionadas a questões regionais, considerando que o País como um todo registrou alta de 7,10% para as exportações e um salto de 47,56% no saldo comercial, que avançou de US$ 9,606 bilhões nos três meses iniciais de 2025 para US$ 14,175 bilhões, terceiro melhor resultado na série histórica para um primeiro trimestre.

Volumes em queda

A redução das vendas externas goianas foi amplamente influenciada pela baixa de quase 27% nos volumes embarcados, que desabaram de 5,157 milhões para 3,765 milhões de toneladas, significando em torno de 1,392 milhão de toneladas a menos. Os preços médios dos bens exportados pelo Estado experimentaram um aumento de 23,75%, o que limitou o estrago causado pela redução das exportações em volume. No lado das importações, registraram-se tendências semelhantes, mas em proporções mais suaves, com baixa de 5,54% nos volumes comprados lá fora e uma elevação de 3,16% nos preços médios das mercadorias e bens importados – o que, por paradoxal que pareça, contribuiu para melhorar os termos de troca, quer dizer, a relação entre os preços dos bens exportados e os custos das importações.

Balanço

O retrocesso observado para os volumes embarcados a partir de Goiás rumo ao mercado internacional esteve relacionado quase integralmente à queda registrada pelas vendas externas de soja em grão e, neste caso, sob influência da China, que reduziu suas compras no Estado numa proporção mais intensa do que aquela registrada para as exportações do grão em todo o País.

As exportações de soja em grão despencaram 35,98% em valor, com as receitas cambiais baixando de US$ 1,268 bilhão para US$ 811,549 milhões, o que correspondeu a uma perda de US$ 456,110 milhões. Mais claramente, se excluída a soja, que respondeu por 30,73% das vendas externas totais do Estado (abaixo daqueles 43,36% alcançados no primeiro trimestre de 2025), as exportações dos demais setores experimentou forte crescimento, com variação de 14,71%.

Portanto, sem a soja, as vendas externas subiram de US$ 1,480 bilhão para US$ 1,698 bilhão, correspondendo a um acréscimo de US$ 217,751 milhões. Muito claramente, os demais setores da economia estadual continuaram realizando negócios e vendas com o resto do mundo em velocidade ainda crescente, a despeito da guerra.

Os volumes de soja destinados ao mercado externo desabaram 38,97% entre o primeiro trimestre do ano passado e idêntico período deste ano, encolhendo de 3,262 milhões para 1,991 milhão de toneladas, correspondendo a 1,271 milhão de toneladas a menos – o que significa dizer que a soja, isoladamente, respondeu por 91,3% da queda no volume total exportado pelo Estado. Os preços médios do grão, no entanto, anotaram valorização de 4,90% em dólar naquele mesmo período.

Ainda no caso da soja, a queda deve ser debitada quase integralmente ao menor apetite chinês pelo produto goiano. As receitas com a venda do grão para a China baixaram de US$ 1,091 bilhão (86,08% de toda a exportação de soja) para US$ 642,286 milhões, reduzindo sua fatia no setor para 79,14%. Foram perdidos, portanto, em torno de US$ 448,969 milhões naquela comparação, o que explica 98,43% da queda registrada pelas vendas externas de soja. Em volume, os chineses compraram 1,576 milhão de toneladas de soja goiana entre janeiro e março deste ano, em baixa de 43,86% frente aos mesmos três meses de 2025, quando as vendas haviam somado pouco mais de 2,806 milhões de toneladas.

As exportações de milho seguiram em baixa, acumulando queda de 18,91% no primeiro trimestre deste ano, recuando de US$ 183,566 milhões para US$ 148,853 milhões, com os volumes embarcados baixando em igual proporção, de 822,170 mil para 672,618 mil toneladas, e recuo de 0,88% nos preços médios do grão.

No lado positivo, as exportações de carne bovina congelada, fresca e resfriada disparou de US$ 372,769 milhões para US$ 496,707 milhões, crescendo 33,25%, num reflexo da alta de 16,03% nos volumes vendidos e avanço de 14,84% nos preços médios. As vendas de ferro-ligas aumentaram de US$ 218,566 milhões para US$ 241,133 milhões, em alta de 10,49%, enquanto as vendas de carne de aves cresceram 15,79% (saindo de US$ 131,908 milhões para US$ 152,742 milhões).

As vendas externas de minérios de cobre e de ouro registraram altas de 42,05% e de 32,09% no trimestre, respectivamente, avançando de US$ 97,379 milhões para US$ 138,329 milhões e de US$ 86,726 milhões para US$ 114,564 milhões seguindo a mesma ordem.

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