Saldo comercial dispara em agosto, com baixa nas vendas e tombo na importação
Pelo segundo mês consecutivo, o superávit comercial realizado pelo Estado em suas relações comerciais com o restante do globo apresentou crescimento na comparação com idêntico período do ano passado. Depois de sofrer baixa de 26,18% em junho, o saldo avançou 6,47% em julho e disparou em agosto, saltando praticamente 37%. Como resultado, o superávit na balança comercial goiana – exportações menos importações – passou a acumular variação próxima de 8% nos primeiros oito meses deste ano em relação a igual período de 2024, registrando impactos ainda reduzidos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil desde o começo de agosto.
De fato, como sabido, a ofensiva trumpista foi iniciada em abril com a aplicação de uma tarifa de 10% sobre todas as exportações e escalou com o anúncio de uma sobretarifa de 50% em vigor a partir de 6 de agosto. Nos dados acumulados ao longo daquele mês, o Estado exportou US$ 1,043 bilhão, com recuo de 2,63% frente a US$ 1,071 bilhão exportados em agosto do ano passado, menor valor para um mês de agosto desde 2021. As importações mergulharam de US$ 643,014 milhões para US$ 405,819 milhões, num tombo de 36,89%, registrando o número mais baixo para o mês desde 2023.
Como as importações caíram de forma mais acentuada, traduzindo-se uma redução de US$ 237,195 milhões diante de perdas na faixa de US$ 28,205 milhões para as exportações, o saldo final registrou salto de 48,80%, escalando de US$ 428,251 milhões para US$ 637,242 milhões – segundo melhor resultado da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Vendas em alta para EUA
No dado mensal consolidado, pouco nota-se de efeitos do tarifaço, já que as exportações goianas para os Estados Unidos cresceram 13,35% entre agosto do ano passado e o mesmo mês deste ano, saindo de US$ 34,926 milhões para US$ 39,590 milhões. A participação do mercado estadunidense manteve-se baixa, chegando a menos de 3,80% em agosto deste ano e aproximando-se de 4,78% no acumulado entre janeiro e agosto deste ano. A principal influência para aquele desempenho veio das vendas de ferro-ligas pelo Estado, que saltaram 146,56% entre agosto do ano passado e igual mês deste ano, passando de US$ 7,204 milhões para US$ 17,834 milhões, algo como 45,05% das exportações goianas totais para os EUA. Registrou-se avanço vigoroso igualmente paras os embarques de gorduras animais, elevadas de US$ 1,998 milhão para US$ 5,908 milhões, em alta de 195,70%. Mesmo as vendas externas de carne bovina anotaram variação positiva de 3,82%, de US$ 7,913 milhões para US$ 8,215 milhões.
Balanço
- Como as importações originadas goianas originadas nos EUA despencaram 51,59% na comparação mensal, de US$ 64,364 milhões para US$ 31,159 milhões, o saldo comercial entre o Estado e aquele País manteve-se favorável ao lado goiano, com superávit de US$ 8,431 milhões, diante de déficit de US$ 29,438 milhões em agosto do ano passado.
- A retração das compras de bens e mercadorias produzidos pelos EUA por empresas goianas foi liderada pela retração de 85,0% nas importações de produtos farmacêuticos, que desabaram de US$ 19,575 milhões para apenas US$ 2,936 milhões. As importações goianas de caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos dos EUA foram reduzidas a pouco menos da metade, encolhendo de US$ 17,708 milhões para US$ 8,695 milhões. Houve queda ainda de 43,77% para as importações de instrumentos e aparelhos ópticos e médicos, de US$ 5,542 milhões para US$ 3,116 milhões.
- A China concentrou 39,1% do superávit na balança comercial goiana naquele mesmo mês, com saldo de US$ 249,325 milhões em favor do Estado, perto de 5,66% maior do que em agosto de 2024 (US$ 235,961 milhões). A variação menos intensa foi decorrência de alta de 17,89% nas importações de bens chineses pelos goianos (saindo de US$ 124,528 milhões para US$ 146,812 milhões) e do avanço de 9,89% nas exportações para aquele mercado asiático (de US$ 360,490 milhões para US$ 396,137 milhões).
- Novamente no dado agregado, a redução das exportações goianas em agosto esteve muito associada ao tombo de 52,94% nas vendas de açúcar, que despencaram de US$ 128,641 milhões para US$ 60,533 milhões, numa perda de US$ 68,108 milhões (para a qual, os EUA contribuíram com 12,90%). Os tombos de 44,29%, de 34,50% e de 34,14% registrado pelas importações, respectivamente, de minérios de cobre, farelo de soja e ouro, ajudaram a derrubar as vendas externas totais em agosto.
- No prato das importações, nada menos do que 73,3% da redução pode ser explicada pela retração de 58,76% nas compras goianas de produtos farmacêuticos fabricados em outros países, com o valor retraindo-se de US$ 291,952 milhões para US$ 120,404 milhões. O mercado estadunidense, que teve suas vendas de insumos e matérias-primas para a indústria farmacêutica goiana reduzidas em 85,0%, contribuíram com US$ 16,639 milhões para a queda das compras goianas nesta área – respondendo por uma fatia de 9,70% na queda dos valores importados.
- As importações goianas de adubos e fertilizantes, de veículos, partes, peças e acessórios, de produtos diversos da indústria química e de caldeiras, máquinas e aparelhos mecânicos caíram, pela ordem, 12,17%, 18,35%, 18,31% e de 27,60%. Entre os seis itens com maior participação nas compras externas goianas, representando 81,2% do total importado em agosto, apenas as importações de máquinas e aparelhos elétricos cresceram, num incremento de 24,62% (de US$ 17,698 milhões para US$ 22,056 milhões).
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