terça-feira, 7 de julho de 2026

Saldo comercial do Estado acelera crescimento (com ajuda dos EUA)

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 7 de julho de 2026

A balança comercial de Goiás passou a crescer de forma ligeiramente mais acelerada ao final do primeiro semestre deste ano, depois de apresentar quase uma estabilidade nos meses anteriores. A reação foi puxada, em boa medida, pelo incremento vigoroso anotado pelo saldo comercial entre Goiás e os Estados Unidos – país que respondeu, no entanto, por apenas 7,71% da corrente de comércio estadual (quer dizer, do total somado de exportações e importações). Para comparação, o mercado chinês teve participação de 40,45% da corrente de comércio acumulada no primeiro semestre deste ano, mas com queda no saldo comercial.

As estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) para a balança comercial de Goiás apontam um crescimento de 3,65% para o superávit no comércio com o restante do mundo nos seis primeiros meses deste ano, com o saldo saindo de US$ 4,065 bilhões para US$ 4,213 bilhões – segundo mais alto na série histórica. Até maio, numa referência, o ritmo de avanço da balança comercial (exportações menos importações) esteve limitado a menos de 1,0% frente ao mesmo período do ano passado, num acréscimo de US$ 31,446 milhões.

O ganho no semestre passou a ser de US$ 148,172 milhões, certamente em função da melhora observada em junho, mês em que as vendas externas goianas chegaram a crescer 20,18%, saindo de US$ 1,226 bilhão para US$ 1,473 bilhão. Mas uma parcela significativa do ganho acumulado no primeiro semestre veio do comércio goiano com os EUA, atualmente sob ameaça de nova rodada de tarifação punitiva. A dimensão dos resultados tanto na ponta das exportações quanto das importações não parece autorizar esse tipo de conclusão, mas as variações foram mais intensas, principalmente por conta dos embarques de carne bovina fresca e congelada – produto mais uma vez sob ameaça de taxação pelos EUA e sob risco de boicote pela União Europeia, sem considerar ainda a perspectiva de queda das vendas para a China nos próximos meses, diante de uma cota de exportação reduzida e que estaria prestes a se esgotar.

 

Baixo, mas nem tanto

Entre janeiro e junho deste ano, o mercado estadunidense foi responsável por apenas 6,55% das exportações goianas, com participação de 10,61% nas importações. Além disso, o saldo comercial com aquele país correspondeu a apenas 3,81% do superávit total. A questão é que os fluxos de comércio anotaram vigorosa reação, principalmente no lado das exportações. As vendas de Goiás para os EUA aumentaram 37,88% no primeiro semestre deste ano, frente a idêntico período do ano passado, avançando de US$ 335,434 milhões para US$ 462,497 milhões, variando US$ 127,063 milhões e contribuindo com 26,24% par ao aumento das exportações totais do Estado. As importações no entanto variaram apenas 4,30% ao passarem de US$ 289,657 milhões para US$ 302,101 milhões. Como resultado, o saldo comercial entre Goiás e os EUA disparou de US$ 45,777 milhões para US$ 160,396 milhões, num ganho de US$ 114,619 milhões. Mais claramente, a contribuição do mercado estadunidense na composição do superávit comercial total do Estado atingiu nada menos do que 74,43%.

 

Balanço

A carne bovina goiana respondeu por 68,2% das exportações totais do Estado para os EUA, contribuindo ainda com 84% do aumento geral das compras realizadas por aquele mercado em Goiás. As exportações de carne bovina aumentaram de US$ 208,820 milhões para US$ 315,522 milhões, em alta de 51,10% (perto de US$ 106,702 milhões a mais).

Os dados gerais da balança comercial estadual mostram uma elevação de 7,36% nas exportações, avançando de US$ 6,575 bilhões para US$ 7,059 bilhões, subindo em torno de US$ 484,173 milhões, dos quais mais quase 60% ou US$ 278,474 milhões vieram dos embarques de carne bovina, que saíram de US$ 850,695 milhões para US$ 1,129 bilhão, crescendo 32,73%.

A segunda maior contribuição veio das exportações de minérios de cobre e seus concentrados, que experimentaram alta de 13,85%. O setor registrou embarques totais de US$ 376,386 milhões nos seis primeiros meses deste ano, frente a US$ 176,008 milhões em igual período do ano passado, correspondendo a um ganho de US$ 200,378 milhões. Isoladamente, o setor respondeu por 41,39% do aumento total das vendas externas goianas.

A despeito de alguma reação em junho, as exportações de soja em grão continuaram em terreno negativo o encerramento do primeiro semestre. Os embarques caíram de US$ 3,335 bilhões para US$ 3,040 bilhões, em baixa de 8,83% (o que significou uma perda de US$ 294,345 milhões).

A redução foi determinada pelo menor volume de soja embarcada, numa retração de 15,25% entre o primeiro semestre deste ano e os mesmos seis meses de 2025, encolhendo de 8,550 milhões para pouco menos de 7,247 milhões de toneladas. Os preços médios de venda do grão ajudaram a compensar parcialmente a baixa, registrando elevação de 7,58%. Evidentemente, a valorização da commodity não compensou a diminuição nos volumes embarcados.

A perda nas vendas de soja em grão foi determinada especialmente pela China, que reduziu suas compras de 7,129 milhões para 5,707 milhões de toneladas, num corte de 19,95% (quer dizer, em torno de 1,422 milhão de toneladas a menos). Em valores, as compras chinesas de soja goiana baixaram de US$ 2,778 bilhões (70,38% do total) para US$ 2,393 bilhões, numa variação negativa de 13,85%.

As importações goianas cresceram em velocidade menos intensa, variando 5,74% – já que passaram de US$ 2,692 bilhões para US$ 2,846 bilhões, num acréscimo de US$ 154,001 milhões. Em torno de 48,34% dessa variação tiveram como origem as compras goianas de veículos, tratores, suas partes e acessórios fabricados na China. As importações nesta área subiram de US$ 399,591 milhões para US$ 474,037 milhões, subindo 18,63% (ou mais US$ 74,446 milhões).

A participação dos veículos chineses naquele bolo foi elevada de quase 49,0% para 63,3%. Em valores, aquelas importações subiram de US$ 195,740 milhões para US$ 300,015 milhões, quer dizer, perto de US$ 104,275 milhões a mais, num salto de 53,27%. Vale dizer, as compras goianas de veículos no restante do mundo ficaram menores.

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