Salto na produção de etanol puxa reação da indústria no Estado
A escalada da produção no setor de etanol e, em menor intensidade, também na cadeia do biodiesel, foi decisiva para que a indústria goiana retomasse o crescimento a partir de março, depois de uma sequência de quatro resultados negativos. A partir de novembro do ano passado até fevereiro deste ano, a produção havia experimentado um tombo de quase 11,0% na comparação com outubro, quando o setor industrial no Estado havia alcançado o nível mais elevado na série histórica da pesquisa mensal da produção industrial regional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2002, em sua versão atual.
Em relação ao mesmo período do ano passado, a produção goiana saiu de uma redução de 5,3% em fevereiro para altas de 7,5% em março e de 6,2% em abril, o que fez o setor virar o sinal no acumulado do ano. No primeiro trimestre, comparado os mesmos três meses de 2025, a produção ainda recuava 0,8%, passando a anotar elevação de 1,1% no quadrimestre. A variação nos quatro meses iniciais deste ano ainda sinaliza certa desaceleração, já que a produção havia avançado 4,5% no quadrimestre final de 2025 – mas a variação mais modesta nos quatro meses iniciais deste ano foi influenciado pelos maus resultados de janeiro e fevereiro, já que a produção passou a reagir desde então.
A reação mais recente, de todo modo, foi influenciada largamente pelo salto na produção de biocombustíveis, segundo mostram as estatísticas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em março deste ano, a produção de etanol e de biodiesel em Goiás havia alcançado, pela ordem, 103,274 milhões e 116,547 milhões de litros, crescendo respectivamente 53,04% e 14,0% frente ao mesmo mês do ano passado. O levantamento do IBGE mostra que a produção de biocombustíveis no Estado havia disparado em março, saltando 78,5% em relação a idêntico mês do ano passado.
Mais que rojão…
Em abril, embora a produção de biodiesel tenha estacionado em 111,182 milhões de litros, num recuo modesto de 0,33% frente a 111,545 milhões de litros no mesmo mês de 2025, as usinas de etanol entregaram uma produção de 472,225 milhões de litros, em alta de 75,20% em relação a 269,534 milhões de litros processados em abril do ano passado. Na medição do IBGE, os volumes produzidos pelo setor de biocombustíveis cresceram 77,0% na comparação anual, acumulando no primeiro quadrimestre alta de 64,5% (o que se compara com a variação já expressiva de 28,8% no primeiro bimestre). A produção das usinas de etanol, destacadamente, disparou mais do que rojão em quermesse e ajudou a turbinar a reação em todo o setor industrial.
Balanço
No quadrimestre inicial deste ano, as usinas goianas processaram um total de 734,745 milhões de litros de etanol e 409,142 milhões de litros de biodiesel, correspondendo a um incremento respectivamente de 59,22% e de 3,88% frente aos mesmos quatro meses do ano passado. Na soma dos dois biocombustíveis, a produção do setor cresceu 33,73%, saindo de 855,345 milhões para 1,144 bilhão de litros.
Ao decompor a contribuição de cada ramo industrial no desempenho geral do setor no Estado, o IBGE mostra, entre outros pontos, que o segmento de refino e biocombustíveis acrescentou 7,86 pontos num avanço geral de 6,2% anotado pela indústria em geral na comparação entre abril deste ano e igual período do ano passado, contribuindo ainda com 2,90 pontos na alta de 1,1% acumulada no primeiro quadrimestre (também em relação ao mesmo intervalo de 2025).
Descontada a contribuição dos biocombustíveis, portanto, o restante da indústria reduziu a produção em 1,7% em abril, encerrando o quadrimestre em baixa de 1,8%. O dado mostra de forma mais clara a elevada dependência do setor industrial como um todo dos resultados do segmento de biocombustíveis, em plena safra no caso da cana e já caminhando para a entressafra de soja, matéria prima que respondeu por 74,8% da produção de biodiesel no Estado entre janeiro e abril deste ano.
Ainda em abril alguns setores mantiveram ritmo acelerado, a exemplo da fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que avançou 25,3% em abril, acumulando elevação de 28,0% no quadrimestre. A produção de veículos, que já havia aumentado 51,5% em março, cresceu mais 74,0% em abril, passando a variar 18,6% no quadrimestre – lembrando que até fevereiro, a indústria do setor ainda mostrava baixa de 16,8%.
A fabricação de produtos de metais e de confecções, respectivamente, cresceu 28,4% e 11,8% em abril. Mas os número acumulados no quadrimestre mostram cenários diversos naqueles dois setores. Enquanto o primeiro acumula alta de 22,5%, no segundo, observa-se queda de 29,4%. A indústria de confecções, em abril, apenas recuperou parte relevante da perda de 11,9% registrada em março. No setor de alimentos, a produção já havia caído 5,4% em fevereiro, reagiu com avanço de 6,3% em março, mas voltou a retroceder em abril, em baixa de 5,4% (com perda acumulada no quadrimestre de 2,3%).
A atividade no setor de serviço voltou a andar de lado em Goiás, com o setor devolvendo a variação modesta de 0,4% anotada em março e recuando 0,4% em abril, na comparação com os meses imediatamente anteriores, na série livre de influências sazonais. Entre novembro do ano passado e abril deste ano, os serviços experimentaram baixa de 1,4% em Goiás, ainda na série dessazonalizada.
Na comparação com igual período do ano passado, o nível de atividade no setor registrou em abril a terceira baixa consecutiva, saindo de uma variação positiva de 0,6% em janeiro para perdas de 4,3%, de 1,8% e de 1,0% em fevereiro, março e abril. Numa avaliação mais otimista, pode-se dizer que a taxa de redução tem sido decrescente mês a mês, o que não evitou uma redução de 1,6% no acumulado do primeiro quadrimestre.
Os priores resultados vieram da queda de 6,7% nos serviços prestados às famílias em abril (depois de baixas de 1,3% e de 3,2% em fevereiro e março), gerando uma redução de 4,4% no primeiro quadrimestre deste ano frente a igual período de 2025. Os serviços de transportes e de informação e comunicação sofreram perdas de 3,2% e de 1,7% em abril, mostrando, no entanto, comportamentos inversos no quadrimestre – queda de 6,7% nos transportes e elevação de 4,7% no serviços de informação.
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