Salto nas exportações de minérios compensa perdas no agronegócio
As exportações realizadas a partir de Goiás vêm mantendo uma curva ascendente desde abril, crescendo mais 11,34% em maio deste ano na comparação com igual mês do ano passado ao avançarem de US$ 1,226 bilhão para US$ 1,365 bilhão. O desempenho naqueles dois meses contribuiu para zerar as perdas que haviam sido registradas ao longo do primeiro quadrimestre, levando a um ligeiro avanço no acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, com contribuição principalmente dos embarques de bens minerais, favorecidos em boa medida pela valorização vigorosa dos preços médios no mercado internacional – em parte influenciada pelos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados em geral.
Entre janeiro e maio deste ano, o Estado exportou algo como US$ 5,586 bilhões, segundo melhor resultado para o período na série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mas com variação inferior a 1,0% (precisamente 0,99%) em relação aos primeiros cinco meses do ano passado, quando o Estado havia exportado US$ 5,531 bilhões. Quer dizer, houve um “ganho” de US$ 54,872 milhões.
Responsável por quase 82% das exportações totais, nos dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o agronegócio goiano teve as vendas externas reduzidas de US$ 4,765 bilhões para US$ 4,567 bilhões, num recuo de 4,15%, indicando perdas de US$ 197,743 milhões. A redução concentrou-se principalmente no embarques de soja em grão, com quedas também para o milho, para o açúcar e o óleo de soja – mas ganho vigoroso nas exportações de carnes bovina e de frango, embora insuficiente para mitigar as perdas naqueles setores.
Cobre e seus concentrados
O incremento modesto observado para as vendas externas totais foi sustentado principalmente pelo setor de mineração. Nesta área, a principal contribuição veio dos embarques de minérios de cobre e seus concentrados, que disparou nos cinco primeiros meses deste ano, atingindo US$ 295,640 milhões, o que se compara com US$ 123,0 milhões entre janeiro e maio do ano passado. Embora os valores exportados pela indústria de cobre correspondam a apenas 12,5% de tudo o que produtores e tradings de soja embarcaram, aquele setor mineral específico apresentou uma contribuição de US$ 172,640 milhões para o aumento das exportações totais do Estado e sozinho conseguiu compensar quase metade das perdas realizadas pela soja em grão.
Balanço
As vendas externas de ferroníquel e ferronióbio, somadas, cresceram 13,20% nos primeiros cinco meses deste ano, atingindo US$ 400,687 milhões diante de US$ 353,948 milhões entre janeiro e maio do ano passado, trazendo um ganho de US$ 46,739 milhões. O salto de 62,47% nos preços médios de exportação do ouro contribuiu para alavancar as vendas, mais do que compensando o tombo de 22,57% nos volumes embarcados. Em dólares, as vendas de ouro no exterior cresceram de US$ 151,093 milhões para US$ 190,064 milhões, numa alta de 25,79% (em torno de US$ 38,971 milhões a mais).
Excluídos os produtos do agronegócio, no critério mais amplo definido pelo Mapa, que inclui a agroindústria e produtos acabados de base agropecuária, aas exportações dos demais setores da economia goiana experimentaram salto de 32,96% entre os cinco primeiros meses deste ano e idêntico período de 2025, subindo de US$ 766,439 milhões para pouco mais de US$ 1,019 bilhão, correspondendo a uma contribuição positiva de US$ 252,615 milhões.
Todo o ganho veio, vale reforçar, das vendas externas de ouro, minérios de cobre e ferroligas, que em conjunto observaram um incremento de 41,13% nas exportações, injetando uma receita adicional de US$ 258,350 milhões nas vendas externas totais do Estado. Para registro, na soma daqueles três segmentos, as exportações saíram de US$ 628,041 milhões entre janeiro e maio do ano passado, algo como 11,35% de toda a venda externa estadual, para US$ 886,391 milhões, elevando a participação daqueles setores para 15,87%.
Numa anotação paralela, mas ainda no setor mineral, as exportações goianas de terras raras, colocadas no centro das disputas geopolíticas globais, desabaram 83,20% no período analisado, despencando de US$ 6,729 milhões para menos de US$ 1,098 milhão. Os volumes embarcados encolheram de 479,635 para 34,304 toneladas, num tombo de 92,90%, A China havia absorvido, no ano passado, todas as exportações do setor e teve sua participação zerada neste ano, coincidindo com a mudança no controle da Mineração Serra Verde e na entrada direta do governo estadunidense no capital da empresa.
Neste ano, as vendas de terras raras ficaram concentradas na Estônia, que comprou 20,832 toneladas daqueles minérios, num gasto de US$ 707,275 milhões, aproximadamente 64,2% das exportações goianas nesta área, saindo de zero no ano passado. O Canadá foi destino de 29,4% dos embarques, trazendo receitas de US$ 323,095 milhões (diante de zero nos cinco primeiros meses de 2025). Os Estados Unidos registraram uma participação de 6,1% nas exportações do setor, com compras de US$ 67,096 milhões. Em ambos os casos, as vendas externas de terras raras no ano passado havia sido de zero.
Houve uma nítida reorientação das vendas, até por força dos contratos e compromissos assumidos pelos novos controladores da mineradora, que explora a única mina de terras raras em operação na América Latina.