Saneago deve investir quase 124% a mais nos próximos cinco anos
O planejamento estratégico aprovado pelo conselho de administração da Saneamento de Goiás S.A. prevê investimentos na faixa de R$ 5,790 bilhões para os próximos cinco anos, conforme fato relevante assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Diego Augusto Ribeiro da Silva. A se confirmarem, aqueles valores representarão um incremento nominal de 123,88% em relação aos valores investidos entre 2020 e 2024, ligeiramente superiores a R$ 2,586 bilhões. Nessa comparação, entre 2026 e 2030, o orçamento definido para investimentos fixos tenderia a receber uma injeção adicional de R$ 3,204 bilhões, em grandes números, diante dos valores realizados nos últimos cinco anos.
De acordo com a concessionária, os investimentos em abastecimento de água e na rede de esgoto “buscam a universalização dos sistemas, a elevação do índice de atendimento e a garantia de perpetuidade do negócio, em conformidade com legislação vigente e as metas contratuais”. Nos termos do novo marco legal do saneamento, instituído pela Lei 14.026, de 15 de julho de 2020, a universalização dos serviços de saneamento em todo o País, incluindo abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos e gestão de resíduos sólidos, deverá ser concluída até 2033.
Na previsão para 2026, os investimentos tendem a alcançar perto de R$ 1,102 bilhão, o que representaria um avanço de 40,92% em relação aos R$ 782,275 milhões investidos em 2024. Nos primeiros nove meses do ano passado, a Saneago realizou investimentos de R$ 705,461 milhões, consolidando um avanço de 19,06% na comparação com R$ 592,526 milhões investidos em igual período de 2024. O avanço foi liderado pelo salto de 471,62% nos investimentos classificados na categoria “outros”, que escalaram de R$ 42,437 milhões para R$ 242,575 milhões. Mas 68,60% desse crescimento devem ser creditados ao leasing de veículos destinados a reforçar a frota da companhia e aprimorar o atendimento. Essa operação consumiu R$ 137,302 milhões.
Água e esgoto
Como segundo destaque positivo, o sistema de esgoto recebeu R$ 148,073 milhões em investimentos, registrando alta de 55,71% diante de R$ 95,093 milhões investidos entre janeiro e setembro de 2024. Mas os recursos destinados a cobrir investimentos fixos na rede de água despencaram 26,94% entre os dois períodos, baixando de R$ 362,335 milhões para R$ 264,705 milhões. O dado de 2024 foi incrementado pela compra pela Saneago da área onde está instalada a Estação de Tratamento de Água de Goiânia (ETAG), que pertencia ao governo estadual, numa operação de R$ 61,388 milhões. Mesmo assim, o percentual da população atendida pelos serviços de água na área de concessão da companhia elevou-se ligeiramente de 98,14% em setembro de 2024 para 98,26% no mesmo mês de 2025, aproximando-se da universalização fixada pelo marco legal do setor. Os investimentos em parcerias estratégicas mergulharam em queda de 45,92%, saindo de R$ 92,661 milhões para R$ 50,107 milhões.
Balanço
- Os dados das demonstrações financeiras relativos ao terceiro trimestre do ano passado trazem uma elevação de 7,98% no resultado líquido da companhia em relação ao mesmo período de 2024, com o lucro saindo de R$ 173,387 milhões para 187,221 milhões. O desempenho consolida a virada registrada a partir do segundo trimestre, revertendo a redução de 9,50% observada para o resultado líquido no primeiro trimestre de 2025.
- Entre janeiro e março do ano passado, a companhia havia registrado um lucro líquido próximo de R$ 119,240 milhões, diante de R$ 131,756 milhões nos três primeiros meses de 2024. No segundo trimestre, registrou-se ligeiro avanço de 1,30%, já que o resultado passou de R$ 147,696 milhões entre abril e junho de 2024 para R$ 149,560 milhões nos mesmos três meses do ano passado.
- Com a alta observada no terceiro trimestre, a Saneago passou a acumular um resultado líquido de R$ 456,022 milhões, o que demonstra uma leve variação positiva de 0,70% frente ao lucro de R$ 452,843 milhões realizado entre janeiro e setembro de 2024.
- Em seu relatório trimestral, a administração da concessionária atribui aqueles números ao crescimento nominal de 6,04% registrado pelas receitas líquidas no acumulado dos primeiros três trimestres de 2025 em relação a idêntico intervalo de 2024, passando de alguma coisa abaixo de R$ 2,477 bilhões para R$ 2,626 bilhões – um ganho de R$ 149,636 milhões, refletindo o reajuste de 4,19% aplicado às tarifas de água e esgoto a partir de 1º de abril de 2024 e ainda a expansão das economias de água e esgoto, respectivamente, em 2,60% e 2,80% nos primeiros nove meses do ano passado.
- Custos e despesas totais variaram apenas 0,3% no terceiro trimestre, mas acumularam crescimento de 7,77% entre os nove meses iniciais de 2024, quando haviam somado R$ 1,853 bilhão, e os mesmos três trimestres do ano seguinte, alcançando R$ 1,997 bilhão.
- As linhas seguintes da demonstração de resultados mostram alguma melhora no resultado financeiro, que havia sido negativo em R$ 10,934 milhões entre janeiro e setembro de 2024 e passaram a anotar um modestíssimo ganho de R$ 124,0 mil nos mesmos nove meses do ano passado. Os recolhimentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em conjunto, somaram R$ 173,150 milhões, crescendo 8,49% em relação a R$ 159,607 milhões nos nove primeiros meses de 2024, significando um desembolso adicional de R$ 13,543 milhões.
- Numa medida da capacidade de geração de caixa da empresa, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), já ajustado com a exclusão de fatores que influem no fluxo de caixa, recuou 2,70%, de R$ 837,825 milhões para R$ 815,189 milhões, reduzindo a margem líquida (Ebitda sobre a receita líquida) de 33,84% para 31,04%.
- A despeito da queda do Ebitda e do salto de 63,13% na dívida líquida, que avançou de R$ 75,541 milhões para R$ 449,499 milhões, os níveis de endividamento continuam mostrando uma situação de certo conforto para a companhia. A relação entre dívida líquida onerosa e o Ebitda atingiu 0,42 (quer dizer, a dívida passou a corresponder a 42% do Ebitda, diante de 20% no dado de setembro de 2024). O parâmetro definido para o endividamento admite uma relação de até três vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização.