Santander antevê desaceleração para a economia goiana entre 2025 e 2027
Numa avaliação de risco considerável, dado o tamanho das incertezas no horizonte, com turbulências ainda persistentes no cenário geopolítico e agora ainda agravadas pela retomada do conflito no Irã, o Departamento Econômico do Santander atualizou suas projeções para as economias regionais até 2027, mantendo uma visão de avanços mais moderados para 2024 e 2025, com desaceleração neste ano e no próximo – lembrando que os dados oficiais sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados são publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com grande atraso (a estatística mais recente diz respeito ainda a 2023).
O ritmo da atividade nas regiões onde o agronegócio tem maior peso, a exemplo do Centro-Oeste, tende a ser mais afetado nos próximos meses, com efeitos também ao longo de 2027, considerando as perspectivas mais negativas para a agricultura, às voltas com níveis elevados de endividamento, inadimplência em alta e margens pressionadas. O PIB do Centro-Oeste, mostra o Santander, com dados do IBGE, saiu de um avanço de apenas 1,6% em 2021 para 6,1% em 2022 e 8,1% no ano seguinte, sob a liderança de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que haviam registrado altas de 14,8% e de 13,9% para a atividade em 2023, com a economia em Goiás crescendo 5,1%.
As taxas esperadas para 2024 e 2025 já indicam certa moderação, com taxas de crescimento de 2,9% e de 4,8% para a atividade na região como um todo, com MS e MT mantendo seu protagonismo especialmente no ano passado. Os saltos de 18,0% e 19,0% no PIB da agropecuária, respectivamente em MS e MT, impulsionou a economia e teria levado a altas, na mesma ordem, de 7,0% e de 8,3% para o PIB naqueles dois Estados.
Ainda em terreno positivo
Na estimativa do banco, o crescimento do PIB em Goiás deverá ceder daqueles 5,1% para 3,3% na passagem de 2023 para 2024, repetindo a mesma taxa em 2025, com recuos para 2,2% e 1,6% em 2026 e 2027. “O ritmo mais lento está em linha com o cenário macroeconômico brasileiro, mantendo, no entanto, viés positivo”, registra o Santander. Em boa medida, o desaquecimento esperado para a atividade econômica no Estado neste e no próximo ano deverá refletir a perda de vigor da agropecuária, que deverá registrar variações de 1,3% e de 2,0% para o PIB da atividade na sequência daqueles dois anos, deixando para trás um crescimento de 9,0% em 2025, impelido por uma safra recorde de grãos.
Balanço
Ainda conforme o banco, a despeito do ritmo mais contido projetado para a agropecuária goiana, “os volumes de grãos produzidos deverão se manter historicamente elevados”.
A desaceleração deverá atingir os demais Estados igualmente, embora em intensidades diferenciadas. Em 2025, as economias do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso haviam experimentado crescimento de 7,0% e 8,3% ainda na previsão do Santander, que espera variação de apenas 1,3% e de 2,9% para os dois Estados em 2026, com variações de 1,7% e de 2,7% respectivamente.
Entre os principais setores de atividade, além da agropecuária, os serviços em Goiás tenderão a expressar desaceleração igualmente acentuada, enquanto o PIB industrial, de uma forma ou de outra, deverá sustentar variações muito próximas ano a ano entre 2025 e 2027. Isso não significa que a indústria conseguirá manter o desempenho observado entre 2022 e 2024.
Com participação mais elevada na composição do PIB estadual, os serviços deverão sair de alta de 4,3% em 2024 (acima dos 2,5% efetivamente realizados no ano imediatamente anterior) para variações de 2,1% em 2025 e 2026, passando a crescer apenas 1,2% em 2027.
O PIB industrial, que havia avançado a taxas de 3,5% e 3,6% em 2022 e 2023, nos dados do IBGE, tenderá a crescer 3,2% em 2024, mas perdendo algum fôlego nos três anos seguintes, quando espera-se variações de 2,5% (2025), 2,9% (2026) e novamente 2,5% (2027), agora nas estimativas do Santander.
Na avaliação de Henrique Danyi, economista do Santander e um dos autores do estudo, a economia do Centro-Oeste foi a região que apresentou as maiores taxas de crescimento nos últimos anos, graças principalmente à colheita de safras recordes e ainda por conta dos impactos desencadeados pela agropecuária sobre os demais setores da economia regional.
Ainda de acordo com ele, a evolução da atividade econômica na região vai continuar a refletir os fatores que têm influenciado a economia em todo o País, incluindo o desempenho esperado para o mercado de trabalho, a política monetária em vigor, com todo o efeito da taxa básica de juros sobre a demanda e sobre as decisões de investimento, assim como o desempenho esperado para o agronegócio.
A ocorrência de eventos climáticos extremos, destaca ainda, estão entre os principais riscos para os cenários projetados pelo trabalho, especialmente diante da possibilidade de confirmação de um El Niño mais rigoroso neste ano, o que deverá alterar os padrões de precipitação e de temperatura nos principais polos agrícolas.
“Mesmo com a desaceleração prevista a partir de 2026, o mapa econômico do país segue mostrando uma expansão disseminada. O desafio à frente passa a ser manter maior consistência no crescimento, em contexto de heterogeneidade regional e sensibilidade a choques climáticos e financeiros”, afirma Danyi.
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