terça-feira, 28 de abril de 2026

Se o ano começa após o Carnaval, em eleição acaba antes do 1°/5

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 27 de abril de 2026
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Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Deputados federais e senadores podem ser qualquer coisa, menos suicidas. Até presidente (no caso, Getúlio Vargas) se mata durante o mandato, porém congressista é vivo demais para isso. Se eles amam tanto a vida, muito mais o cargo, já que nenhum renuncia por achar ruim a função. Exatamente por isso, o ano, que no Brasil começa depois do Carnaval, quando tem eleição geral acaba no Dia do Trabalho. Então, por qual motivo iriam pautas projetos que podem redundar em perda de votos? Nem quando galinha nascer dente. E só se a penosa ciscar para a frente eles fariam essa loucura quando o benefício vai para outros.

Estão guardadas proposições como a da dosimetria, um refresco para os condenados do ministro Alexandre de Moraes; a indicação de Jorge Messias para ser seu colega no Supremo Tribunal Federal; o domínio sobre as terras raras. A bomba da vez, no país em que serviço já não é muito endeusado, teve o pavio aceso por quem espera jornada lida menor sem reduzir o salário. São os tais projetos-ovos, onde for pisado há de quebrar alguém. Os envolvidos, claro, querem satisfazer seus desejos, porém, na política, onde tico lucra, prejudica teco.

No máximo, os parlamentares vão votar essas propostas já estabelecidas. Xô, outras ideias. A partir de agora, cumprir tabela, participar de sessões on-line, justificar as trocentas faltas e é só. Veja-se o caso da jornada 6×1, com 44 horas por semana. Há quem a compare à escravidão, certamente quem não tem ideia de como foi aterrador esse período. Erika Hilton (PSol/SP), transexual que preside a Comissão da Mulher, convenceu o governo de que melhor é incluir na Constituição a folga de três dias por semana. Antes que surjam pensamentos idênticos, realmente é bem útil ao país fechar as portas, dar 2026 por terminado, antes que queiram criminalizar o trabalho. (Especial para O HOJE)

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