Segue o jogo político em meio aos desafios para conquistar o voto
Em dia de vitória por 2×1 para a Seleção Brasileira contra a do Japão, têm-se a impressão de que o País se reencontrou após três anos e meio de polarização política. De um lado, a seleção antipetista formada pela direita e o bolsonarismo. Do outro, o PT e associados de esquerda que se autodenominam progressistas. Porém, mesmo com tanta polêmica sobre a convocação de Neymar, narrativas de soberania política, se as cores verde e amarelo são bolsonaristas ou dos brasileiros, o senso comum de brasilidade prevaleceu acima das disputas eleitorais e de poder.
Desde o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assistiu com amigos no Palácio da Alvorada a vitória do Brasil, passando para a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que, antes do jogo, acompanhou os trabalhos de monitoramento das forças de segurança do DF instalado no Estádio Mané Garrincha, o foco era o jogo. Em todos os recantos do País, os líderes e operadores políticos baixaram os argumentos eleitorais e focaram as atenções no ‘mata-mata’ da segunda fase da Copa do Mundo.
Essa breve trégua se encerra a partir desta terça-feira (30), início da contagem regressiva para conquistar o voto do cidadão-eleitor. São 94 dias intensos para quem disputa cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e estadual. Agora, esse eleitor, que só é valorizado no período eleitoral, por enquanto, está distante e centrado na inflação alta dos alimentos, na vida cara e em busca de meios para sobreviver. No entanto, assim que terminar a Copa do Mundo, entra em campo outra seleção brasileira muito mais aguerrida: os políticos. No gol, para defender e selecionar vencedores, a ‘Senhora Urna’. Claro que ela não vai discriminar, mas é o receptor mais importante desse processo. Quem for mais lembrado pelo cidadão-eleitor, sai com a taça na mão ou, numa linguagem popular, ganha o direito de governar e legislar por quatro anos.
Esquerda detém o domínio da mídia
Não causa espanto algum à maioria dos brasileiros que acompanham o noticiário político e econômico do País que a mídia, de um modo geral, seja favorável ao chamado campo progressista, denominação cult para devotos da esquerda. A narrativa chegou a um ponto de ebulição que basta um cidadão contestar algum jornalista da chamada grande mídia ou criticar o mandatário de turno para ser rotulado de extrema direita. Esse é o cenário que está posto no debate político e tende a piorar até o dia 4 de outubro, quando os mais de 150 milhões de cidadãos-eleitores aptos a votar vão às urnas. No segundo turno, a tendência é de acirramento no confronto entre o antipetismo e associados do PT.
Olho em 2030
Em Goiás, o nome do ex-senador Luiz do Carmo (PSD) ganhou força nos últimos dias como possível vice de Daniel Vilela (MDB). Além do apelo entre os evangélicos, o ex-senador é visto por Ronaldo Caiado (PSD) como um nome leal que não criaria ruídos na base em 2030 caso seja preterido na disputa pelo governo.
Fator Zé Mário
Nas hostes do ex-presidente da Faeg, José Mário (PSD), caso ele seja “fritado”, parte de seus apoiadores, principalmente a classe média rural, muito ligada aos programas profissionalizantes do Senar Goiás, ameaçam migrar para Wilder Morais (PL) ou Marconi Perillo (PSDB). Isso se Zé Mário for rifado pela base de Daniel Vilela.
Caça ao vice…
A um mês das convenções, os presidenciáveis vão atrás dos vices. Lula (PT) decidiu manter Geraldo Alckmin (PSB) como forma de preservar alguma ponte com o eleitorado paulista, majoritariamente antipetista. Flávio Bolsonaro (PL) estuda uma mulher para reduzir a rejeição feminina, movimento que ganhou mais força após o vídeo de Michelle Bolsonaro (PL). A favorita do momento é Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que se filiou ao Republicanos sem aviso prévio. Seu nome agrada a Faria Lima.
… Zema também
Romeu Zema (Novo) deve anunciar vice já nesta semana. O ex-governador conversa com Geraldo Rufino (Podemos), nome que resolveria dois problemas de uma vez: garantiria tempo de TV à campanha e amenizaria a imagem elitista de Zema. Rufino é negro e foi catador de latinhas na juventude. Hoje é empreendedor e palestrante.
Virada no STF – Para quem não quer ver o Caso Master terminar em pizza, a troca do ministro Gilmar Mendes por Luiz Fux na presidência da Segunda Turma do STF, em agosto, é uma luz no fim do túnel.