Coluna

Sem carteira, desocupados e “por conta própria” somam 52% da força de trabalho

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 03 de setembro de 2019

Até
o final do primeiro semestre de 2012, o total de pessoas que trabalhavam por
conta própria respondia por pouco mais de um quinto do total de ocupados em
toda a economia, somando empregos formais e informais, de acordo com as séries
estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC),
que começou a ser apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) naquele mesmo ano. Depois de dois anos de recessão e mais de três anos e
meio de estagnação econômica, o mercado de trabalho continua enfrentando perda
de qualidade nos empregos gerados, com degradaçãode direitos e garantias,
agravada pelo desemprego ainda elevado,para 55,489 milhões de trabalhadores.

O
número reflete o total de pessoas desocupadas no País e ainda trabalhadores sem
carteira e por conta própria no dado de julho deste ano, resumindo a situação
do mercado no trimestre encerrado naquele mês. Somadas, as três categorias
passaram a responder por 52,3% de toda a força de trabalho, num número inédito,
que se compara a 46,2% no segundo trimestre de 2012. Naquele período, a
pesquisa registrava 44,827 milhões de pessoas sem qualquer emprego, trabalhando
por conta própria ou sem registro em carteira. Em pouco mais de sete ano, o
número aumentou 23,8%, significando a perda de qualidade de vida para mais
10,662 milhões de trabalhadores, o que significou três vezes mais do que o
total de ocupações geradas pela economia no período.

Pouco
mais da metade desse crescimento pode ser explicado pelo salto de 83,3% no
total de desempregados, que avançou de 6,856 milhões para 12,569 milhões de
pessoas, com a taxa de desemprego saindo de 7,07% para 11,84%. Mas este já é um
dado mais do que conhecido. Além do aumento na desocupação, o total de pessoas
que passou a trabalhar por conta própria aumentou 19,6% naquele mesmo período,
saindo de 20,258 milhões para 24,227 milhões de trabalhadores (ou seja, 3,969
milhões a mais). O pessoal ocupado por conta própria, que representava 22,5% do
total de ocupados, teve sua participação elevada para 25,9%.

Perdas

Numa
tendência oposta (mas complementar, obviamente), o número de trabalhadores com
carteira assinada tem perdido participação no total de ocupados, sofrendo
retração de 4,1% desde o segundo trimestre de 2012, saindo de 37,858 milhões de
pessoas para 36,235 milhões no trimestre maio-julho deste ano (representando o
fechamento de 1,533 milhão de empregos com registro formal). Os trabalhadores
sem carteira passaram a somar 18,691 milhões neste ano, respondendo por quase
um quinto dos ocupados (19,97% numa conta mais precisa). Na comparação com
2012, o incremento ficou limitado a 5,5% (978,0 mil a mais), até porque esse número
ainda cairia até por volta de 2014, quando a economia entrou em recessão.

Balanço

·  
Em
outra soma, trabalhadores sem carteira e por conta própria tiveram sua
participação no número total de ocupados elevada de 42,15% para 45,86% no
período analisado neste espaço, representando um aumento de 13,0% (o que
correspondeu, por sua vez, a mais 4,949 milhões de pessoas).

·  
Considerando
o restante dos ocupados (sem “conta própria” e “sem carteira”), o total de
empregos ainda encolheu 2,78% naquele mesmo intervalo, reduzido de 52,111 milhões
para 50,664 milhões (quer dizer, com perda de 1,447 milhão de vagas).

·  
A
informalidade tem salvo o mercado de trabalho, o que, por si, não é uma
garantia de recuperação mais firme, especialmente em um momento em que a
atividade econômica continua derrapando entre um avanço de 0,80% e 0,87% na
estimativa mais recente do relatório Focus, do Banco Central (BC) – o que
significou um ajuste e tanto, já na segunda casa depois da vírgula, em relação
à projeção da semana passada.

·  
O
total de trabalhadores na indústria, que em geral responde pelas ocupações de
maior qualidade e rendimentos mais elevados, sofreu redução de 8,22% ainda na
comparação entre o segundo trimestre de 2012 e o
trimestre maio-julho deste ano. Esse número caiu de 13,122 milhões para 12,044
milhões, com encerramento de 1,078 milhão de empregos.

·  
A
participação da indústria no total de ocupados na pesquisa do IBGE baixou de
14,57% para 12,87%.

·  
Mais
9,215 milhões de pessoas reforçaram a força de trabalho desde 2012, num
incremento de 9,51% (de 96,938 milhões para 106,153 milhões), mas a economia
somente conseguiu criar 3,502 milhões de novas ocupações, já que o total de
ocupados passou de 90,082 milhões para 93,584 milhões (mais 3,89%).

O baixo crescimento trouxe ainda um aumento
histórico para o número de trabalhadores em situação de desalento, num salto de
50,4% (de 1,929 milhão para 4,831 milhões. A subutilização cresceu 45,74%, de
19,285 milhões para 28,106 milhões de pessoas (8,821 milhões a mais). 

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